Maior produtor de café do país, Minas Gerais tem quase metade da safra nacional

Neste ano, o estado colheu 21,45 milhões de sacas, sendo 99% do tipo arábica. Produção é exportada para mais de 80 países

Maior produtor de café do país, Minas Gerais tem quase metade da safra nacional
Sergio Meirelles Filho - Arquivo Pessoal

O estado de Minas Gerais mantém o título de maior produtor nacional de café. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), foram colhidas 21,45 milhões de sacas neste ano, o equivalente a 46% da safra em todo o País. 

O café é cultivado em 451 municípios de Minas em uma área de 1,3 milhão de hectares. De todo o montante produzido no estado, o do tipo arábica responde por aproximadamente 99%. Outro dado que impressiona é a quantidade de países na lista de exportação. São mais de 80, incluindo China, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão entre os maiores compradores. Tamanho interesse pode ser justificado pela qualidade e diversidade do produto na região.

Em 2020, a cafeicultura mineira foi atingida por uma grande seca, enquanto neste ano sofreu com severas geadas, onde muitos produtores perderam grande parte de suas lavouras. Esses eventos, juntamente com um ciclo de bienalidade negativa, trouxeram redução na produção em relação à safra anterior.

O Balcão News conversou com Sergio Meirelles Filho, engenheiro agrônomo, cafeicultor e torrefador e presidente do Sindicafé-MG, e ele comentou sobre os números em Minas:

"Ano passado foi uma safra grande. Como o cafeeiro é uma planta bianual, um ano colhe safra alta e no seguinte safra baixa. Esperávamos uma colheita no ano 2022/2023 acima de 65 milhões de sacas, mas como tivemos três geadas e uma seca intensa a safra seguinte está seriamente comprometida. As floradas foram boas, mas o pegamento está muito abaixo do normal", frisou.

Meirelles Filho confirma que na quarentena houve um relativo ganho nas vendas, mas é cedo para prever sobre a produção para o próximo ano: "Com a pandemia houve uma mudança no hábito de consumo de café, caindo o consumo nas cafeterias e aumentando o consumo no lar, com um pequeno ganho de 1,5% nas vendas. Ainda é cedo para uma previsão, mas o mercado está trabalhando com uma safra abaixo de 60 milhões de sacas, o que está deixando o mercado nervoso com alta nos preços", concluiu.