Experiências no Roteiro Entre Serras.
A convite do Circuito do Ouro, o Instituto Estrada Real participou da Famtour de experiências no roteiro Entre Serras, na cidade de Catas Altas, onde acontecia a tradicional Festa do Vinho de Jabuticaba, que está na sua 23ª edição.

A história de Catas Altas, assim como de diversas cidades mineiras, está relacionada com o ciclo da mineração no século XVIII. O nome “Catas Altas” provém das profundas escavações que se faziam no alto dos morros.
Com igrejas históricas, tradição de vinicultura, várias cachoeiras, serras e outras belezas naturais, essa é uma viagem completa, seja pela tradição e história locais ou pelo lugar perfeito para fazer ecoturismo!

Começamos o nosso passeio pela Matriz de Nossa Senhora da Conceição, tombada por sua importância cultural pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e que fica na praça principal de Catas Altas. Lá está instalado um ateliê de restauração e tem ao todo 77 peças sacras em processo de recuperação. Esse processo pode ser visto de perto por moradores e turistas e é comandado pelo restaurador Roberto Cláudio Miranda.

Destaque para a restauração da imagem de São Miguel, em tamanho natural de 1,73m, considerando suas asas, atribuída ao artista português Francisco Vieira Servas. Os pigmentos utilizados na restauração são produzidos artesanalmente, em um trabalho primoroso. Há incontáveis igrejas barrocas em Minas Gerais, mas a Matriz de Catas Altas tem um diferencial, ela está inacabada.
Rica em detalhes de talha branca e dourada, sua construção teve início no século 18 e demorou 90 anos para ficar como está hoje. Isso porque com o esgotamento das minas e a consequente decadência do Ciclo do Ouro, os recursos para as obras da igreja foram se esvaindo.
Mesmo inacabada, a igreja guarda em seu interior obras de arte de valor inestimável, atribuídas a Alejadinho, Mestre Ataíde e Francisco Vieira Servas.

O artesanato local, exposto na Casa do Artesão é um verdadeiro paraíso para os amantes de trabalhos manuais, com obras criativas e deslumbrantes.

Ao entrar na Casa do Artesão, o turista é recebido por uma variedade incrível de produtos feitos à mão, desde cerâmicas, peças de madeira, ímãs pintados à mão até vasos e bolsas exclusivas. A criatividade está em cada canto, e é impossível não se encantar com a diversidade de cores, texturas e estilos presentes nas peças expostas.

E como ir a Catas Altas e não ter a experiência do Vinho de Jabuticaba!? Pois além da Aprovart, Associação dos produtores artesanais local, o turista tem a oportunidade também de saborear e escutar as histórias dos produtores de vinho, que perpassam a tradicional receita dos seus ascendentes.

A tradição remonta o século XIX, quando em 1868, o novo vigário da região, Monsenhor Manuel Mendes Pereira de Vasconcelos, ao se deparar com uma comunidade abandonada após o esgotamento das minas de ouro, ensinou aos moradores locais o passo a passo para a produção do vinho.

Consolidada a produção do vinho a partir da uva, ainda no século XIX, veio à fabricação do vinho de jabuticaba, sendo a primeira referência do tipo no Brasil. Porém, a fabricação do vinho de Jabuticaba foi se perdendo, sendo resgatada a partir de 1949, pelo produtor Anastácio de Souza. Desde então, a presença da fruta nos quintais do município permite a fabricação da bebida, gerando uma tradição passada de geração em geração até chegar à
anual Festa do Vinho.
O roteiro Entre Serras, ainda possui outras vivências surpreendentes, com foco nas experiências de ruralidades, na cidade de Santa Bárbara e no Distrito de Cocais.

Santa Bárbara não é a cidade do mel por acaso, e exemplo disso é o apiário e meliponário Flor do Mel, que possui mais de 9 espécies de abelhas sem ferrão e recebe turistas para a experiência do café com mel, onde conhecem um pouco sobre as técnicas de produção, com direito a uma degustação de variados sabores. A diferenciação acontece conforme as floradas, definidas a partir do néctar das flores. São elas, com a ajuda das abelhas, que definem o sabor, a cor e o aroma do mel produzido.

Já no Distrito de Cocais, a experiência são com as quitandas, com o suave aroma dos biscoitos, roscas, pães, e bolo de fubá assado no forno de barro. A vivência, além de degustar e conhecer as histórias dos produtores tem oficinas que ensinam as técnicas e algumas receitas.

Cocais também possui um evento exclusivo para celebrar a gastronomia local. As delícias culinárias do distrito são mostradas aos visitantes e turistas na Festa da Quitanda & Festival da Goiabada, realizada anualmente, sempre no final de abril e início do mês de maio, no centro da pitoresca vila histórica.
Estrada Real: VIVA, EXPERIMENTE, DESCUBRA!
Daniel Magalhães Junqueira
Instagram: @institutoestradareal
124

