O título que consagrou Belo Horizonte como Capital Nacional do Esporte Wheeling — popularmente conhecido como “Grau” — pode estar com os dias contados.
O Projeto de Lei 236/2025, que revoga a Lei 11.393/2022, avançou na Câmara Municipal e já está pronto para votação em 1º turno no Plenário. A proposta, de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL), recebeu parecer favorável ontem, quarta-feira ( da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo.
A prática do grau, que consiste em empinar e girar motocicletas ou outros veículos de duas rodas, é considerada por muitos como modalidade esportiva, com raízes no wheeling praticado nos Estados Unidos. No entanto, a sua realização em vias públicas urbanas tem gerado polêmica, especialmente por estar frequentemente associada a infrações de trânsito e episódios de risco.
Riscos à segurança e à ordem pública
Segundo o autor do projeto, desde a promulgação da lei que concedeu o título à cidade, houve um crescimento expressivo no número de acidentes relacionados à prática. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp/MG) mostram que, enquanto em 2019 houve apenas um registro de “rolezinho do grau”, esse número saltou para 131 em 2024 — muitos deles em áreas densamente povoadas da capital.
Para Sargento Jalyson, a revogação é necessária para que a legislação municipal esteja alinhada aos princípios da segurança viária e da preservação da ordem. Ele argumenta que, apesar da intenção original de incentivar a prática em locais adequados e com medidas de proteção, a norma acabou sendo interpretada como um aval a atos irregulares.
Prática penalizada pelo Código de Trânsito
Durante a análise na comissão, a relatora Flávia Borja (DC) apontou que a exibição de manobras perigosas com veículos, sem autorização prévia, é crime previsto no artigo 308 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “É incontestável que a manutenção da Lei 11.393 de 2022 acaba por incentivar a prática de ato penalizado pela legislação nacional”, alertou.
A parlamentar ainda criticou o fato de a lei atual não prever dispositivos eficazes para garantir a segurança dos cidadãos. Além de Borja, os vereadores Irlan Melo (Republicanos) e Professora Marli (PP) votaram favoravelmente ao parecer.
Já Tileléo (PP) e Cida Falabella (Psol) optaram por se abster, com a vereadora do Psol afirmando não ter simpatia pelo título, mas preferindo aprofundar o debate antes de definir seu voto.
Com a tramitação em 1º turno liberada, o Projeto de Lei 236/2025 poderá ser apreciado pelo Plenário da Câmara nas próximas sessões. Para ser aprovado, dependerá da maioria simples dos votos dos parlamentares presentes. Como não há emendas ao texto, a proposta poderá seguir diretamente para votação em 2º turno, abrindo caminho para a revogação definitiva do título.

