O governador Romeu Zema anunciou, nesta segunda-feira, a suspensão temporária das assembleias de consulta sobre a implantação das escolas cívico-militares em Minas Gerais.
A decisão considera o recesso escolar, período em que muitos pais, alunos e professores estão ausentes das atividades educacionais.
“Chegamos a essa decisão por conta das férias. Muitos pais já tinham programado viagens e poderiam não participar. Queremos garantir o máximo de critério e envolvimento nesse processo”, afirmou Zema, durante entrevista.
Consulta democrática será retomada em agosto
Segundo o governador, a proposta é construída de forma participativa, ouvindo professores, pais e alunos. “Acreditamos nesse projeto e estamos conduzindo tudo de maneira democrática. Não se trata de imposição, e sim de escuta e adesão consciente. Se aprovado, faremos a migração de algumas unidades. Será um grande avanço termos mais diversidade de modelos educacionais no estado”, reforçou.
O secretário de Estado de Educação, Igor de Alvarenga, confirmou que o processo será retomado após o recesso. “No dia 1º de agosto, com o retorno das aulas, os professores e alunos receberão novas orientações. As assembleias realizadas antes das férias serão respeitadas, e todo o processo seguirá baseado na escuta ativa das comunidades escolares.”
Como funciona a consulta
Desde o dia 30 de junho, as escolas selecionadas participam de assembleias extraordinárias, reunindo toda a comunidade escolar. A manifestação de interesse precisa ser registrada em ata e oficializada por meio do site da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG).
Mesmo que a comunidade escolar se posicione favoravelmente, a adesão à proposta ainda depende de análise técnica da secretaria. A quantidade de novas unidades e os recursos envolvidos serão definidos apenas após o encerramento dessa etapa consultiva.
Parceria entre Estado, PM e Bombeiros
A proposta das escolas cívico-militares é fruto de uma colaboração entre a SEE/MG, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Trata-se de um modelo de gestão integrada, com foco na disciplina, nos valores cívicos, na cultura de paz e na organização do ambiente escolar, sem modificar o conteúdo pedagógico já previsto pela Base Nacional Comum Curricular.
A ideia é complementar o modelo educacional atual, reforçando aspectos comportamentais, éticos e democráticos na formação dos estudantes.
Desde sua adoção em 2020, o modelo cívico-militar tem apresentado indicadores positivos. Na Escola Estadual Princesa Isabel, em Belo Horizonte, por exemplo, o Ideb do ensino médio saltou de 5,1 (em 2019) para 6,2 (em 2023) — um dos melhores índices entre as escolas participantes.
A evasão escolar também diminuiu: a taxa média de abandono caiu de 4,92% em 2022 para 2,96% em 2023. As taxas de aprovação superam 92% nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, e chegam a 82,8% no ensino médio, conforme dados do Censo Escolar.
A Pesquisa de Clima Escolar de 2024 mostrou avanços relevantes no engajamento estudantil, com notas variando entre 4,36 e 5,69. Também foram registradas melhorias na convivência escolar e no sentimento de pertencimento entre os alunos.
Com a pausa estratégica nas assembleias, o Governo de Minas busca garantir um debate mais qualificado, amplo e representativo sobre o futuro da educação pública estadual

