Alexandre de Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro

Retrato do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com expressão séria, vestindo toga preta e gravata vermelha, sentado em cadeira vermelha durante sessão oficial. Retrato do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com expressão séria, vestindo toga preta e gravata vermelha, sentado em cadeira vermelha durante sessão oficial.
Alexandre de Moraes decreta prisão domiciliar do ex-presidente da república Jair Bolsonaro, decisão que agita o cenário político nacional. Foto: Nelson Jr/SCO STF.

Para Alexandre de Moraes, o ex-presidente descumpriu medida judicial

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, sob o argumento de que o ex-presidente descumprir medidas cautelares impostas pela Corte.

A decisão também inclui busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília, além da proibição de visitas — com exceção dos advogados — e do uso de celulares, inclusive aparelhos de terceiros.

Violações em série nas redes sociais

O estopim para a nova ordem judicial, segundo a Agência Brasil, foi a reincidência do ex-presidente no uso indireto de redes sociais. Durante os atos de apoio realizados, ontem, domingo (3), Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ e filho do ex-presidente, divulgou um vídeo com uma mensagem gravada por Jair Bolsonaro, violando a determinação anterior que vetava o uso de perfis de terceiros para se manifestar publicamente.

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Em sua decisão,  Moraes afirmou que, além de Flávio, os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro também publicaram mensagens de agradecimento em nome do pai.

Para o ministro, trata-se de um claro descumprimento da cautelar que proibia o ex-presidente de se expressar por meios indiretos.

“Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Bolsonaro, pois o réu produziu material para publicação nas redes sociais de seus três filhos e de todos os seus seguidores e apoiadores políticos, com claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e apoio, ostensivo, à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”, escreveu Moraes.

Tornozeleira e silêncio digital já haviam sido impostos

Em julho, Moraes já havia determinado o uso de tornozeleira eletrônica e restrições severas ao uso de redes sociais, inclusive de terceiros. Bolsonaro, segundo o ministro, “voltou a driblar as imposições da Justiça”, o que levou à decisão mais dura desta segunda-feira.

A medida está inserida no inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro por suposta articulação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de promover ações de retaliação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo brasileiro.

Segundo a investigação, o ex-presidente teria inclusive enviado recursos via Pix para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O deputado federal está licenciado do mandato desde março, alegando perseguição política.

Julgamento se aproxima

Além deste processo, Bolsonaro também é réu na ação penal sobre processo  que tramita no Supremo Tribunal Federal. O julgamento está previsto para setembro.

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