Brasil reage a ameaças dos EUA contra Moraes

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Governo brasileiro criticou tom e ao conteúdo de publicações recentes do Departamento de Estado e da embaixada norte-americana. Foto: Luis Dantas

Diplomata convocado ao Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar explicações sobre as recentes ameaças do governo de Donald Trump a “aliados de Alexandre de Moraes no Judiciário”.

O encontro ocorreu nesta quinta-feira (8) e foi conduzido pelo secretário interino da Europa e América do Norte do Itamaraty, embaixador Flavio Celio Goldman.

Durante a reunião, o representante norte-americano ouviu a manifestação de indignação do governo brasileiro quanto ao tom e ao conteúdo de publicações recentes do Departamento de Estado e da embaixada norte-americana nas redes sociais.

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Acusações e ingerência

Para o Brasil, as declarações configuram ingerência inaceitável em assuntos internos e representam ameaça direta a autoridades do Judiciário. Nos últimos dias, o Departamento de Estado, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores dos EUA, intensificou críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes relacionadas a investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Ameaça explícita em redes sociais

Na última quarta-feira,  (7), a embaixada norte-americana no Brasil publicou, em português, uma tradução de comentário do secretário de diplomacia pública, Darren Beattie. No texto, o diplomata advertiu que “os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes” e disse que “a situação está sendo monitorada de perto”. O comunicado acusa o ministro de “censura” e “perseguição” contra Bolsonaro.

Sanções e contexto político

No dia 30 de julho, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas a Moraes com base na Lei Magnitsky, como retaliação pelo julgamento da trama golpista de 2022, que investiga uma tentativa de golpe de Estado e até supostos planos para prender ou assassinar autoridades.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Bolsonaro teria pressionado comandantes militares a suspender o resultado das eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente nega as acusações, mas segue investigado por suposta articulação com seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para envolver o governo norte-americano na imposição de sanções contra o Brasil.

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