Vitória celeste sólida no Mineirão
Com autoridade e eficiência, o Cruzeiro voltou a superar o Atlético Mineiro por 2 a 0 e carimbou sua vaga nas semifinais da Copa do Brasil 2025. A partida, realizada nesta quinta-feira (11), no Estádio Mineirão, repetiu o placar do jogo de ida na Arena MRV e confirmou a superioridade celeste no clássico. O destaque da noite foi o atacante Kaio Jorge, autor dos dois gols que selaram a eliminação do rival.
Kaio Jorge brilha no ataque
Responsável por movimentar o placar em ambas as etapas da partida, Kaio Jorge mostrou faro de artilheiro e precisão nos momentos decisivos. O primeiro gol veio após uma cobrança de falta na área atleticana: Fabrício Bruno ganhou pelo alto, a defesa não conseguiu afastar, e Christian ajeitou para o camisa 9 empurrar para o fundo das redes. Após verificação demorada do VAR, o gol foi validado, incendiando a torcida cruzeirense.
Já na segunda etapa, logo aos 2 minutos, Kaio Jorge apareceu novamente. Após chute forte de fora da área, ele desviou de leve, tirando qualquer chance de defesa para o goleiro Everson. Frieza, posicionamento e senso de oportunidade definiram a atuação de um dos nomes mais comentados da noite.
Estreia amarga para Sampaoli
O reencontro do técnico Jorge Sampaoli com o Atlético Mineiro foi frustrante. Em sua segunda passagem pelo clube, o treinador argentino viu sua equipe sucumbir diante de um Cruzeiro organizado, cirúrgico e consciente de sua proposta tática. A eliminação na Copa do Brasil já aumenta a pressão sobre Sampaoli, que agora precisa reagir no Campeonato Brasileiro, onde o time ocupa a 14ª colocação, e também nas quartas de final da Copa Sul-Americana, contra o Bolívar (BOL).
Atlético tenta nova identidade
Mesmo com uma formação tática reformulada, o Atlético pouco conseguiu produzir ofensivamente. A tentativa de inovação com Fausto Vera atuando como zagueiro central e os laterais Arana e Cuello avançando pelas alas não surtiu o efeito desejado. Menino e Alexander trabalharam pelo meio, com Scarpa e Igor Gomes buscando construir, mas sem criatividade. Hulk, isolado na frente, foi quem mais tentou, inclusive acertando o travessão no segundo tempo.
O time teve mais posse de bola, mas foi ineficaz no terço final. A superioridade numérica em campo não se converteu em perigo real ao gol de Cássio, e o Cruzeiro soube administrar o ritmo e explorar os espaços deixados pelo adversário.
Cruzeiro: menos posse, mais objetividade
O plano de jogo do Cruzeiro foi executado com precisão cirúrgica. Mesmo finalizando menos e com menor controle da posse, a equipe soube aproveitar os contra-ataques e a fragilidade defensiva do adversário. O técnico da Raposa montou um time compacto, sem exageros, que apostou na eficiência ofensiva e na solidez defensiva.
Na etapa final, mesmo com algumas investidas do Atlético, como o chute de Hulk que explodiu no travessão e duas boas defesas de Everson, o Cruzeiro se manteve no controle emocional da partida. A equipe celeste demonstrou maturidade e personalidade em um clássico decisivo.
Lances de destaque no segundo tempo
O segundo tempo foi marcado por maior movimentação e por tentativas de reação do Atlético. Logo no início, Rony entrou no lugar de Gabriel Menino, numa tentativa de maior presença ofensiva. No entanto, a resposta cruzeirense foi imediata com o segundo gol de Kaio Jorge.
O Atlético ainda teve duas boas chances com Hulk e Scarpa, mas o goleiro Cássio estava em noite inspirada. Everson, por sua vez, também salvou o Atlético de sofrer mais gols, com defesas difíceis diante de Romero e numa cabeçada à queima-roupa.
No apagar das luzes, um momento de tensão: Guilherme Arana foi expulso com cartão vermelho direto após uma discussão ríspida com Matheus Henrique. O clima esquentou, e o árbitro precisou conter os ânimos.
Hulk lamenta eliminação e destaca rival
Após o apito final, o atacante Hulk foi sincero em sua avaliação:
“É claro que quando há a desclassificação em competição importante, é pesado. Ainda mais contra o nosso rival. Mas futebol é isso. É a primeira vez que perco um mata-mata contra o Cruzeiro. Acho que eles foram melhores que a gente. Agora é trabalhar e tenho certeza que vamos voltar com tudo no Brasileiro e faremos um excelente trabalho com a chegada do Sampaoli”.
Campanha atleticana teve altos e baixos
A trajetória do Atlético na Copa do Brasil foi marcada por altos e baixos. A equipe começou eliminando Tocantinópolis e Manaus em jogos únicos nas fases iniciais. Na terceira fase, passou com autoridade pelo Maringá e, nas oitavas de final, protagonizou um confronto eletrizante contra o Flamengo, vencendo nos pênaltis.
Contudo, diante de um Cruzeiro consistente, as fragilidades do elenco alvinegro ficaram expostas. A falta de entrosamento entre os setores e a ineficiência nas finalizações custaram caro ao time, que agora foca suas fichas em duas competições: o Brasileirão e a Sul-Americana.
Cruzeiro ganha moral para sequência
A classificação coloca o Cruzeiro entre os quatro melhores da Copa do Brasil e, mais do que isso, injeta confiança em um elenco que tem mostrado evolução. O time, que começou o ano sob desconfiança, agora mostra maturidade em jogos grandes e tem se consolidado como forte candidato ao título.
A dupla de zaga segura, um meio-campo batalhador e um ataque cada vez mais entrosado são os pilares desse Cruzeiro que vai ganhando a cara do seu treinador. A torcida, empolgada, voltou a sonhar com conquistas expressivas e lotou o Mineirão em uma noite memorável.
Expectativas para os próximos desafios
Enquanto o Atlético busca reconstrução e respostas sob o comando de Sampaoli, o Cruzeiro vive momento oposto. A equipe celeste, embalada, agora se prepara para encarar a semifinal da Copa do Brasil com confiança renovada e sede de glória.
A comissão técnica trabalha com a ideia de manter a intensidade, explorar o bom momento dos jogadores-chave e corrigir pequenos erros. O foco agora é total na semifinal, cuja definição do adversário ainda depende dos demais confrontos.
Confira o que disse o Sampaoli:
Pergunta: Queria que você falasse um pouco sobre as observações durante os treinos na semana. Você fez alterações na equipe, o Fausto Vera entre os zagueiros, Gabriel Menino e Igor Gomes, que não vinham sendo utilizados como titulares nos outros jogos… Como foi sua avaliação nessa preparação?
- Sampaoli: “A ideia era jogar com muitos jogadores por dentro para liberar os pontas, jogamos com Igor e Scarpa numa altura mais elevada, e o Hulk. Tínhamos a alternativa de laterais/extremos altos como Arana e Cuello de cada lado. Bem, a ausência de Alan Franco, que habitualmente joga, não era possibilidade, pois chegou em cima da hora. Então, tínhamos que definir um acompanhante de Alexsander (Gabriel Menino)”.
“Eu creio que o mais importante que se passou na partida é que entramos numa histeria/intranquilidade que não permitiu jogar. Se jogou pouco, se brigou demasiadamente. E nisso, o rival foi melhor”.
Pergunta: O Atlético precisava de dois gols de diferença para, ao menos, levar aos pênaltis. Não vi o Atlético tendo tantas chances claras de gol. Faltou tempo para o entendimento do seu trabalho? Como você vê essa situação?
- Sampaoli: “Eu creio que o que passou foi o primeiro gol, de bola parada, nos complicou muito. A partir daí, a equipe teve posse de bola alta, que não foi totalmente relacionada às criações de gols. O rival jogou com o resultado a favor e com o nosso desespero. Se a gente tivesse a possibilidade de jogar mais tempo a partida, em vez de disputas, talvez teríamos mais chances”.
Pergunta: O Atlético levou outro gol de bola parada. Você e sua comissão já identificaram esse problema que já é recorrente?
- Sampaoli: “Pensamos que seja um problema e estamos trabalhando. Tratamos de fazer uma defesa mista para ter essa possibilidade. Claro, evidentemente, o rival voltou a conseguir dois gols de bola parada. Foi a única coisa que se passou no jogo, nada muito além disso. Tivemos a posse de bola, mas sem agressividade. Temos que trabalhar bem essa bola parada, pois a equipe tem um inconveniente bastante sério para controlar esse aspecto”.
Pergunta: Você optou pelo Cuello pelo lado direito. Queria saber o motivo, pois o Cuello faz bons jogos sempre pelo lado esquerdo…
- Sampaoli: “O plano de jogo tinha a ver com dois jogadores que conseguem se posicionar ao longo das pontas com a perna boa, e nesse lugar estava o Arana na esquerda… Bem, são eleições. Eu creio que no decorrer da partida, desde o coletivo e a organização, tem a ver com o que comentei antes. A equipe deveria ter jogado por mais tempo a partida, entrou em uma histeria (no sentido de intranquilidade) que nos prejudicou, de não ter tantas chances. Não creio que isso passou por um erro individual, mas por termos enfrentado um estilo de jogo que o rival maneja de forma melhor”.
Pergunta: São três jogos sofrendo gols iguais – Grêmio e os dois clássicos. Bola cruzada, o adversário cabeceia e a bola sobra para outro jogador fazer o gol. Como corrigir isso e o que você tira de positivo do jogo de hoje?
- Sampaoli: “Estamos começando o trabalho. Estamos tratando de estimular os jogadores na questão da concentração, atenção. São bolas paradas, de segunda bola, que tem a ver mais com a atenção do que com o posicionamento inicial. Bem, já digo, tivemos em pouco tempo de trabalho, muitas sessões de treino e vamos seguir trabalhando”.
Pergunta: Qual sua opinião sobre o elenco? Qual principal problema você identifica nessa chegada? Qual aspecto você acha que o time está mais devendo?
- Sampaoli: “Creio que, animicamente e futebolisticamente, a equipe não está… Praticamente o ano todo, teve muitos altos e baixos no ano, não esteve como em outros tempos. Nessa última etapa do ano, terá de melhorar muito individualmente e coletivamente para conseguir algum tipo de triunfo que dê a equipe o que ela necessita. Creio que, nós, como treinadores, vamos tentar organizar uma estrutura, mas necessitamos recuperar o rendimento individual dos jogadores que fazem diferença no último terço, onde falta claridade, inclusive pela situação que vive. É o trabalho que temos, recuperar os jogadores, que tem muita capacidade, mas que vivem uma fase que não consegue levar a cabo sua capacidade”.
CRUZEIRO 2 x 0 ATLÉTICO
Campeonato: quartas de final da Copa do Brasil 2025 – jogo de volta
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Data: 11/09/2025
Horário: 19h30
Público: 61.584
Renda: R$ 6.487.220,04
CRUZEIRO: Cássio, William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Lucas Romero, Lucas Silva (Walace); Christian (Sinisterra) e Matheus Pereira (Matheus Pereira); Wanderson (Matheus Henrique) e Kaio Jorge (Gabigol). Técnico: Leonardo Jardim
ATLÉTICO: Everson; Gabriel Menino (Rony), Lyanco, Junior Alonso e Arana; Fausto Vera, Alexsander, Gustavo Scarpa e Igor Gomes (Alan Franco); Cuello (Reinier) e Hulk. Técnico: Jorge Sampaoli
Gols: Kaio Jorge (2) (Cruzeiro)
Árbitragem: Rafael Rodrigo Klein (RS), Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Victor Hugo Imazu dos Santos (PR). VAR: Rodrigo D’Álonso Ferreira (SC)
Cartões amarelos: Wanderson (Cruzeiro); Hulk, Cuello (Atlético)
Cartão vermelho: Guilherme Arana (Atlético)
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