Soluções tecnológicas para o tratamento das águas foram debatidas na audiência
Empresas especializadas em despoluição de cursos d’água participaram, na manhã de ontem, segunda-feira, de uma audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte para discutir soluções voltadas à recuperação ambiental da Lagoa da Pampulha.
O encontro foi promovido pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, por iniciativa dos vereadores Braulio Lara, Fernanda Pereira Altoé e Trópia (Partido Novo), e contou com representantes da Prefeitura de Belo Horizonte e da Copasa.
Em 2022, a Copasa firmou um termo de compromisso com as Prefeituras de Belo Horizonte e Contagem para eliminar o despejo de esgoto na bacia da Pampulha. Segundo a empresa, 53% das 9.759 ligações de água e esgoto previstas já foram concluídas.
Preservação do patrimônio e desafios persistentes
Ao abrir a audiência, o vereador Braulio Lara destacou que, apesar dos esforços municipais, os resultados na despoluição da lagoa ainda são insatisfatórios.
“A lagoa continua sofrendo com o despejo de esgoto e o aterramento, o que ameaça o espelho d’água e descaracteriza o patrimônio tombado”, afirmou o parlamentar.
A vereadora Fernanda Pereira Altoé reforçou a importância de transparência nas ações públicas e alertou para denúncias de ligações clandestinas de esgoto.
“Belo Horizonte não pode perder um título tão importante. É preciso esclarecer as irregularidades e garantir a preservação desse cartão-postal”, destacou.
O representante da Copasa, Tiago Miranda, informou que o projeto já conta com investimento de R$ 80,5 milhões, de um total de R$ 146 milhões. Apenas nos últimos três meses, foram 55 novas ligações em Belo Horizonte e 232 em Contagem.
Segundo ele, imóveis ainda não conectados à rede estão sendo orientados a realizar a ligação regular.
“Alguns possuem fossas e não despejam diretamente na lagoa. Nesses casos, encaminhamos à vigilância sanitária municipal”, explicou.
Monitoramento e controle
O professor José Fernandes Bezerra Neto, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, alertou para a presença de cianobactérias e metais pesados na água e defendeu a criação de sistemas permanentes de monitoramento da bacia.
“Sem medir o volume de sedimentos e esgoto que chegam à lagoa, é como tratar uma febre sem saber a temperatura do paciente”, comparou o pesquisador.
Novas tecnologias de despoluição
Empresas apresentaram soluções tecnológicas para o tratamento das águas.
A Bio-X Microrganismos propôs o uso de um condicionador biológico natural que reduz a dependência de produtos químicos.
A Chart Water, que atua na despoluição do Rio Pinheiros (SP), demonstrou tecnologia baseada na injeção de oxigênio supersaturado, acelerando a degradação da matéria orgânica.
A startup Infinito Mare apresentou o projeto das chamadas “caravelas”, boias com algas nativas capazes de absorver poluentes e transformar resíduos em subprodutos.
Segundo o oceanógrafo Bruno Libardoni, que conduziu testes na Lagoa da Pampulha por sete meses, amostras coletadas revelaram altos índices de metais pesados, como magnésio, ferro, alumínio e cádmio, além de concentrações elevadas de lantânio, elemento presente no Phoslock, produto utilizado para reduzir o fósforo na água.
“O lantânio aparece até 3 milhões de vezes acima do limite recomendado pela legislação australiana”, informou Libardoni.
Riscos ambientais e próximos passos
O vereador Braulio Lara alertou para a gravidade da contaminação e os riscos da retomada da navegação na lagoa.
“Estamos falando de um metal que traz riscos às pessoas e que está aterrando a lagoa. Não podemos expor a população à contaminação”, enfatizou.
O secretário adjunto de Obras da Prefeitura, Maurício Brandão, reconheceu a relevância do debate e informou que as propostas tecnológicas serão encaminhadas ao Executivo para avaliação.
“A Prefeitura está em busca das melhores soluções e aberta a conhecer as alternativas apresentadas”, afirmou.
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