58,9% dos entrevistados conhecem alguém que aposta com frequência pela internet
Uma pesquisa do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG mostra que as apostas online já fazem parte da rotina de muitas famílias em Belo Horizonte — mesmo entre aqueles que não apostam diretamente.
Segundo o levantamento, 58,9% dos entrevistados têm alguém próximo que aposta com frequência pela internet.
Apesar disso, 81,8% afirmam nunca ter feito apostas em plataformas de jogos ou apostas esportivas virtuais. Apenas 9,7% admitem apostar atualmente, enquanto 8,5% dizem ter abandonado o hábito.
Entre os apostadores ativos, o comportamento revela diferentes intensidades: 40% apostam ao menos uma vez por mês, 30% mantêm frequência semanal e outros 30% fazem apostas diariamente.
O gasto médio mensal informado é de R$ 180,63. A percepção de risco também aparece com força: 88,6% defendem maior controle ou regulamentação sobre as plataformas.
Quanto às motivações, o lazer aparece em primeiro lugar para 42,5% dos usuários. O desejo de ganhar dinheiro é citado por 30%, e 20% reconhecem que apostam por vício. A maioria (86,7%) afirma não ter deixado de consumir algum item para apostar, mas parte dos entrevistados admite cortes em despesas de lazer (5,3%), supermercado (4%) e vestuário (4%).
Embora 70% dos apostadores garantam que o hábito não afeta concentração ou produtividade no dia a dia, 30% relatam prejuízos. Além disso, 22,7% dizem que costumam apostar — ou sentir vontade de apostar — durante o expediente de trabalho.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o cenário acende um alerta ao se somar ao quadro de endividamento das famílias da capital, que atinge 88,7% dos consumidores.
“Esse contexto de fragilidade financeira é agravado pela popularização das apostas online. Em um ambiente de renda comprometida e encarecimento do crédito, as apostas podem parecer uma alternativa para tentar melhorar a situação financeira, mas frequentemente ampliam o ciclo de dívidas”, afirma.
Ela ressalta ainda que o apoio de 88,6% dos belo-horizontinos à maior regulamentação indica uma preocupação coletiva com os impactos sociais e econômicos das apostas em um momento de vulnerabilidade das famílias.
O estudo mostra ainda comportamentos de risco já consolidados: 24% dos apostadores já recorreram a empréstimos para continuar jogando, e 12% admitiram ter deixado de pagar contas para apostar.
Os percentuais que não relatam esses comportamentos são de 76% e 86,7%, respectivamente.
A pesquisa “Apostas Online” ouviu 411 moradores de nove regiões de Belo Horizonte — Barreiro, Centro-Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Noroeste, Norte, Pampulha e Venda Nova — entre 26 e 29 de setembro de 2025.
O levantamento tem margem de erro de 5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
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