Dados foram divulgados pela Fecomércio-MG
O nível de endividamento das famílias de Belo Horizonte voltou a subir em janeiro e atingiu 89,0%, alta de 1,4 ponto percentual em relação a dezembro.
Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) na capital mineira.
Apesar da alta no endividamento, o percentual de famílias com contas em atraso apresentou leve recuo de 0,1 ponto percentual, somando 64,7% em janeiro. Ainda assim, o cenário permanece desafiador: 28,6% dos consumidores afirmam que não terão condições de quitar suas dívidas — aumento de 1,4 ponto percentual na comparação mensal.
Segundo a pesquisa, 39,0% dos consumidores se consideram pouco endividados.
Cartão de crédito lidera compromissos financeiros
O cartão de crédito continua sendo o principal vilão do orçamento. Em janeiro, 96,3% dos consumidores endividados tinham compromissos nessa modalidade. Entre as famílias com renda igual ou superior a dez salários-mínimos, o percentual chega a 99,2%.
A inadimplência é mais severa entre as famílias com renda de até dez salários-mínimos: 67,3% estão com dívidas em atraso — índice 18,0% maior que o registrado entre as famílias de maior renda (49,3%). Entre os endividados, 72,7% não conseguiram honrar seus compromissos e acumulam débitos vencidos.
No recorte daqueles que afirmam não ter condições de quitar as dívidas, 31,0% pertencem à faixa de renda mais baixa, contra 15,9% entre os de maior renda. Entre os consumidores com contas atrasadas, 44,2% avaliam que não conseguirão regularizar a situação no mês seguinte.
Dívidas antigas e orçamento pressionado
Entre as famílias inadimplentes, 48,0% têm contas vencidas há mais de 90 dias — alta de 1,7 ponto percentual em relação a dezembro. O tempo médio de atraso é de 63,2 dias, e para 79,8% das famílias o comprometimento financeiro se estende por período igual ou superior a três meses. Em média, o orçamento permanece comprometido por 8,1 meses.
As dívidas consomem, em média, 33,0% da renda familiar. Para 26,9% das famílias, esse percentual ultrapassa 50% do orçamento mensal — acima dos 25,3% registrados no mês anterior.
A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, avalia que, apesar do leve recuo na inadimplência, o quadro exige atenção.
“Embora o nível de endividamento esteja muito alto, o que mais preocupa é o aumento, mês após mês, das famílias que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Quando quase metade dessas dívidas já ultrapassa 90 dias e mais de um quarto das famílias compromete acima de 50% da renda mensal com obrigações financeiras, temos um cenário de forte restrição orçamentária, especialmente entre as famílias de menor renda”, afirma.
Segundo ela, o contexto tende a reduzir o consumo nos próximos meses, pressionar o comércio e exigir maior planejamento financeiro dos consumidores, sobretudo em um cenário de encarecimento do crédito.
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