O tribunal da vergonha (Epílogo) – Por Walter Nery

O tribunal da vergonha por Walter Nery O tribunal da vergonha por Walter Nery
O tribunal da vergonha (Epílogo) – Por Walter Nery.

O tribunal da vergonha – Epílogo

O Judiciário brasileiro estava ansioso para chafudar-se no lamaçal, e finalmente conseguiu.

Faltava o golpe de misericórdia contra a sociedade, e ele veio da forma mais cruel possível.

O STF, que já deveria ter sido fechado faz tempo, pelos recorrentes desserviços à nação, enterrou de vez a CPMI do INSS, um dos maiores escândalos já produzidos no país, só superado pelo Banco Master.

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Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Carmem Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Não nos esqueçamos desses nomes.

São eles os responsáveis por proteger a corrupção, a bandidagem, o mau-caratismo e a desfaçatez do Governo Lula, que, através de seus leões de chácara integrantes da CPMI do INSS, interferiu claramente para que as investigações não avançassem, e que as fraudes pelos crimes cometidos contra aposentados e pensionistas ficassem acobertadas e soterradas para sempre.

Os votos proferidos pelos ministros da Suprema Corte, reunidos para decidir sobre a prorrogação ou não dos trabalhos da CPMI, revelaram de forma inequívoca quem se preocupa em fazer justiça no país, e quem simplesmente fazse de cego para o crime organizado, e a podridão produzida pela corrupção desenfreada há anos no Brasil.

Por 8 votos a 2, o plenário da Corte derrubou a decisão liminar do Ministro André Mendonça, que prorrogava a CPMI do INSS por mais 120 dias. A CPMI havia passado a investigar fraudes no Banco Master, e o tribunal “entendeu” que a comissão deveria encerrar. Apenas Luiz Fux acompanhou o voto de André Mendonça.

O show de horrores foi assustador, mas a cara de pau do Ministro Alexandre de Moraes saltou aos olhos.

Ele teve a pachorra de criticar a CPMI, classificando o vazamento de conversas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, como um desrespeito e um fato criminoso.

Logo ele, que até hoje não explicou os 129 milhões de reais do contrato assinado entre Vorcaro e o escritório de sua esposa Viviane Barci de Moraes, que ainda conta com dois filhos do casal entre os sócios, para proteger os interesses do Banco nos tribunais superiores.

Dias Toffoli, outro que está no centro do escândalo do Banco Master, envolvendo a Suprema Corte brasileira, teve o cinismo de dizer que a prorrogação do CPMI é uma questão interna do Congresso Nacional e que uma interferência pode ferir a separação dos Poderes.

Esqueceu-se, como num toque de mágica, das inúmeras interferências do STF no Executivo, das intervenções no Legislativo, e na usurpação frequente das atribuições constitucionais expressas na Lei Maior, que produziu no país uma avassaladora e nefasta insegurança jurídica, com a instalação da ditadura do judiciário.

E foi Gilmar Mendes, notório por soltar bandidos e condenados na operação Lava Jato, quem criticou duramente a CPMI do INSS, afirmando que o vazamento de mensagens do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi algo criminoso e abominável.

O Ministro ainda se indignou, afirmando que a comissão demonstrou um abuso de poder, sendo responsável pelo vazamento de informações que, segundo ele, não têm relação com os fatos investigados.
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Gilmar Mendes, decano do STF, arrematou dizendo: “A quebra de sigilo conglobada, sem fundamentação, isto obviamente é inconstitucional”. Sua cara nem ficou vermelha!

A verdade, entretanto, é que o fato de não prorrogar a CPMI era de certa forma esperado, e trouxe mais um revés à imagem pública do Supremo, envolvido até o pescoço com a proximidade de seus ministros com o fundador do Banco Master.

Vale lembrar que a CPMI recebeu da Polícia Federal uma pasta de 1,08 GB com informações da perícia realizada em celulares de Daniel Vorcaro. Desse total, 221 arquivos do banqueiro acabaram vazados, somando 329,3 MB.

Entre os dados há imagens, e-mails, contatos e documentos armazenados nos aparelhos.

A extração do celular de Vorcaro vai além de mensagens isoladas. Inclui registros de agenda, e-mails, arquivos empresariais e imagens que ajudam a reconstituir a rede de relações do banqueiro.

É compreensível, portanto, a postura da Suprema Corte em não permitir que a verdade apareça. Isso pode simplesmente implodir esse TRIBUNAL DA VERGONHA, e levar definitivamente seus integrantes para a masmorra da prisão.

Em 2019, o saudoso jornalista J.R. Guzzo escreveu: “Não perca seu tempo com dúvidas. A guerra para manter vivo o Brasil velho está sob o comando da facção pró-crime dos tribunais superiores.” E ele estava certo.

Walter Nery

Advogado e jornalista

Instagram: Walter Hilel

  • As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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