Mudanças entram em vigor em outubro
Pessoas com mais de 70 anos que já são doadoras regulares poderão continuar contribuindo para os estoques de sangue no Brasil. A mudança está prevista no novo regulamento técnico da hemoterapia e entra em vigor em outubro, 90 dias após a publicação da Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho.
Com a nova regra, deixa de existir uma idade máxima para doadores habituais. A continuidade das doações dependerá da avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia, da condição de saúde do doador e do cumprimento dos intervalos e da frequência estabelecidos para essa faixa etária.
Até então, mesmo pessoas que doavam regularmente precisavam interromper as doações ao completar 70 anos. A alteração considera o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira, reconhecendo que pessoas idosas saudáveis podem continuar contribuindo para o atendimento de pacientes que precisam de transfusões.
Segundo o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, as novas regras ampliam as possibilidades de doação e reforçam os cuidados com doadores e receptores.
Prazos de espera são reduzidos
O novo regulamento também diminui o período de impedimento temporário para algumas situações.
Após procedimentos como endoscopia ou uso de anabolizantes sem prescrição médica, por exemplo, o prazo para voltar a doar passa de seis para quatro meses.
Para tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, a doação poderá ocorrer após sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em local que cumpra as normas de segurança. Quando não for possível comprovar essas condições, o prazo será de quatro meses.
No caso de piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser realizada quatro meses após a retirada do acessório.
Triagem passa a incluir teste para malária
Outra mudança está relacionada à segurança das transfusões. O Brasil passou a adotar obrigatoriamente o teste de malária em 100% dos exames de triagem de sangue.
O NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que já identifica HIV e hepatites B e C, também passa a detectar o parasita causador da malária.
Com a nova tecnologia, o período de impedimento para pessoas que viajaram para municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, a restrição poderia chegar a 12 meses.
O regulamento também determina a adoção do padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas e amostras. A medida amplia a rastreabilidade do sangue desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos.
Plaquetas poderão ter validade maior
As novas regras ainda permitem ampliar de cinco para até sete dias a validade dos concentrados de plaquetas, desde que sejam adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas.
A mudança pode reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse hemocomponente, utilizado principalmente no atendimento de pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outros pacientes que necessitam de transfusões frequentes.
Doação regular mantém estoques
A manutenção dos estoques de sangue depende de doações realizadas durante todo o ano. Como os hemocomponentes têm diferentes prazos de validade e a demanda dos serviços de saúde é contínua, novas coletas são necessárias diariamente para evitar períodos de baixa disponibilidade.
Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue, com taxa de 15,29 doações por mil habitantes. Foi o maior índice desde o período da pandemia.
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, inclusive em formato digital.
Adolescentes a partir de 16 anos também podem se candidatar à doação, desde que tenham autorização do responsável.
Os interessados devem procurar o hemocentro mais próximo para consultar os horários de atendimento e passar pela triagem. Nessa etapa, profissionais de saúde avaliam as condições clínicas e verificam se a pessoa está apta a realizar a doação.
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