Turnover cai 15,4% entre março e junho, mas acumula 31,79% no semestre
O comércio mineiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com redução gradual na rotatividade de trabalhadores. Segundo levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, o turnover substitutivo caiu de 5,77% em março, maior índice do período, para 4,88% em junho, uma retração de 15,4%.
A taxa começou o ano em 4,96%, subiu para 5,31% em fevereiro e atingiu o pico em março. A partir de abril, iniciou trajetória de queda, chegando a 5,27%, seguida por 5,08% em maio e 4,88% em junho. A média mensal do semestre foi de 5,21%, enquanto o acumulado chegou a 31,79%.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os dados indicam um processo de maior estabilidade das equipes após os ajustes comuns no início do ano. A elevação do turnover no primeiro trimestre está associada, principalmente, ao encerramento das contratações temporárias realizadas para atender à demanda das vendas de fim de ano.
A partir de abril, o cenário mudou. O período coincide com datas importantes para o varejo, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, que ajudaram a sustentar a atividade e podem ter contribuído para a permanência de profissionais já treinados.
A redução da rotatividade representa um sinal positivo para as empresas, já que a permanência dos trabalhadores ajuda a preservar conhecimento, experiência e produtividade. Também pode diminuir gastos com recrutamento, seleção, treinamento e adaptação de novos funcionários.
Apesar da melhora, o turnover acumulado de 31,79% mostra que a retenção de profissionais continua sendo um desafio para o comércio. A elevada movimentação da mão de obra pode pressionar custos operacionais, produtividade e qualidade do atendimento ao consumidor.
Para a Fecomércio MG, a consolidação dessa tendência depende de estratégias de retenção, como investimentos em capacitação, melhoria do ambiente de trabalho e valorização dos profissionais.
O indicador também complementa a análise da geração de empregos. Em junho, Minas Gerais registrou saldo positivo de 20.805 empregos formais, com 239.167 admissões e 218.362 desligamentos. Enquanto o estoque de trabalhadores cresce, o turnover evidencia a intensidade da movimentação da mão de obra.
A metodologia utilizada pela Fecomércio MG considera o menor valor entre admissões e desligamentos como aproximação estatística do volume de substituições, uma vez que os dados do Novo Caged não permitem identificar diretamente se uma contratação corresponde à vaga deixada por um trabalhador desligado.
O primeiro semestre termina, portanto, com uma combinação de geração de empregos e queda gradual da rotatividade. O desafio para o comércio mineiro é transformar essa melhora em uma tendência permanente de maior estabilidade das equipes.
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