Icec recua de 102,5 para 94,7 pontos
A confiança dos empresários do comércio recuou em setembro e ficou abaixo da faixa que indica otimismo, em um cenário de avaliações negativas sobre a economia brasileira e o desempenho atual do setor. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), calculado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, caiu de 102,5 pontos, em agosto, para 94,7 pontos no mês passado.
Como o indicador varia de zero a 200 pontos e estabelece os 100 pontos como limite entre pessimismo e otimismo, o resultado de setembro aponta uma percepção desfavorável entre os empresários do comércio. Apesar disso, as expectativas para os próximos meses permanecem positivas, embora com sinais de cautela nos planos de investimento.
O principal fator de pressão sobre a confiança é a avaliação das condições atuais da economia e do comércio. O Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) atingiu 69,7 pontos, uma redução de dois pontos em relação a agosto.
Entre os entrevistados, 79% afirmaram que as condições atuais da economia brasileira pioraram. Nas empresas com mais de 50 funcionários, o percentual chegou a 80,6%.
A percepção negativa também se estende ao desempenho do comércio. Para 68,1% dos empresários ouvidos, as condições atuais do setor pioraram. Em relação às próprias empresas, 52,6% relataram uma deterioração do cenário, alta de 1,9 ponto percentual na comparação com agosto.
Expectativas continuam positivas, mas otimismo diminui
Na avaliação da economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, os resultados mostram uma diferença entre a percepção do momento atual e as perspectivas para o futuro.
Segundo ela, os empresários estão mais críticos em relação às condições econômicas e ao comércio, mas ainda acreditam na possibilidade de melhora do desempenho das empresas nos próximos meses.
O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) ficou em 117,6 pontos em setembro, ante 118,9 pontos em agosto. Mesmo com a pequena queda, o indicador permanece acima dos 100 pontos, sinalizando a predominância de expectativas positivas.
As empresas com até 50 funcionários demonstraram maior otimismo em relação às perspectivas futuras do que os estabelecimentos de maior porte.
Para Gabriela Martins, a expectativa de melhora nas vendas continua sustentando parte da confiança do setor. No entanto, a redução gradual do otimismo indica que os empresários estão acompanhando com mais atenção as condições da economia e do comércio.
Intenção de investir perde força
A cautela também aparece nos planos de investimento. O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) recuou de 100,5 pontos, em agosto, para 99,7 pontos em setembro, ficando ligeiramente abaixo da faixa de otimismo.
De acordo com a economista, o resultado indica que, embora parte expressiva dos empresários planeje contratar funcionários, as decisões de investimento perderam força.
O comportamento do indicador sugere que as empresas continuam se preparando para uma possível recuperação da atividade econômica, mas evitam ampliar significativamente os compromissos financeiros neste momento.
O Icec reúne três indicadores: condições atuais, expectativas e investimentos. A metodologia considera as avaliações dos empresários sobre a economia brasileira, o comércio e o desempenho das próprias empresas.
Os dados referentes a setembro de 2026 foram coletados nos últimos dez dias de agosto.
Análise completa: Pesquisa Icec de setembro de 2026 — Fecomércio MG
Leia também:

