A catarata é uma das principais causas de cegueira e baixa visão em todo o mundo. Atinge em torno de 65 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda que possa ser tratada. O que nem todos sabem é que a doença também é bastante comum entre a população canina, que está vivendo mais e que aumentou nos dois últimos anos, totalizando 54,2 milhões de cães, de acordo com a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação).
Como em humanos, a catarata canina consiste na perda de transparência do cristalino, que é a lente natural dos olhos, responsável pela passagem da luz até a retina para formar as imagens. Os principais sintomas são opacidade dos olhos e perda da visão. O diagnóstico é feito mediante consulta clínica com veterinário especializado. Alguns indícios podem alertar para um comprometimento na vista do cachorro, como esbarrar em objetos e móveis, mudança na coloração dos olhos, num tom azulado.
A catarata costuma ser mais incidente entre as raças poodle, cocker spaniel, schnauzer, yorkshire terrier, shih tzus, entre outras.
O médico veterinário e pós-doutor em oftalmologia veterinária, Fábio Brito (foto), frisa que o acompanhamento de um especialista desde o primeiro ano de vida é crucial para prevenir e/ou corrigir problemas de visão. “Apesar de as pessoas associarem a catarata ao paciente idoso, existe a catarata congênita, em que o animal já nasce com catarata, e a catarata juvenil, ou seja, que acomete o paciente entre um e três anos de idade. Então, é importante fazer consultas periódicas, uma vez ao ano”, alerta o especialista, que também é presidente do Colégio Brasileiro de Oftalmologia Veterinária (CBOV). “Existem várias consequências quando a catarata não é tratada, ou seja, quando o animal não é submetido à cirurgia, dentre eles podemos citar: luxação do cristalino (o cristalino sai do lugar), inflamações intraoculares, glaucoma e descolamento da retina, que podem até mesmo levar o pet à perda da visão de forma irreversível”, complementa.
A boa notícia é que a catarata canina é reversível e já pode ser tratada por meio de métodos consagrados na medicina humana. Trata-se de uma cirurgia realizada através da facoemulsificação (cirurgia menos invasiva), que consiste na retirada do cristalino e substituição por uma lente intraocular. Uma das novidades para este mercado é o recente lançamento das lentes IoVet, da ViZoo Oftalmologia Veterinária, uma lente intraocular de micro-incisão desenvolvida especificamente para pets – a única fabricada na América Latina para uso exclusivamente veterinário – que tem como diferenciais alta estabilidade, performance e segurança.
“Em parceria com a ViZoo, a lente foi concebida após três anos de pesquisas no centro de P&D da Mediphacos, empresa brasileira que exporta seus produtos para mais de 60 países, e seu projeto passou por otimizações ópticas e mecânicas com os softwares e equipamentos mais modernos do mundo na área da física óptica da visão. É considerada a lente mais fina do mundo, favorecendo o implante e a recuperação pós-cirúrgica; se adapta a diversos tamanhos de olhos; tem alta qualidade óptica atestada através de padrões empregados na oftalmologia humana”, descreve Leonardo Paolucci, CEO da Mediphacos.
O executivo relata que o procedimento para implante das lentes é uma alternativa eficaz contra a cegueira, e deve ser feito por médico veterinário especializado, com formação e treinamento técnico específicos. “Dependendo da expectativa de vida, estima-se que em torno de 50% dos cachorros poderão apresentar a doença. Contudo, é comum ouvir de tutores que seus cães perderam a visão em decorrência da catarata, porque desconheciam essa solução”, declara.
A cirurgia de catarata canina é considerada recente no Brasil, chegou há pouco mais de 20 anos, sendo mais frequente e realizada há mais tempo nos EUA, Canadá, Japão, na Europa e Austrália.
Saiba mais sobre a cirurgia de catarata canina
Para realizar o procedimento, são necessários alguns exames prévios, conforme explica Dr. Fábio Brito: “São solicitados exames como hemograma, função hepática e renal, exames bioquímicos e parecer cardiológico, tendo em vista que o paciente será submetido a uma anestesia geral. É realizada ainda uma ultrassonografia para avaliar a morfologia dos olhos, mensurar o tamanho do cristalino para chegar ao tamanho ideal da lente intraocular, além de verificar se ainda existe luxação ou subluxação da lente e descolamento da retina.
Um outro exame extremamente importante é a eletrorretinografia, que avalia a atividade elétrica das células da retina responsáveis pela visão – os bastonetes e os cones, tendo em vista que muitos dos animais apresentam degenerações retinianas, principalmente atrofia progressiva da retina, uma doença genética incurável que é uma contraindicação para a cirurgia se estiver em estágio avançado”. O especialista acrescenta que a técnica também é contraindicada para pacientes com glaucoma com perda da visão e paciente que não pode ser submetido a uma anestesia geral.
Segundo o médico veterinário, o preparo do paciente é feito com antibióticos e anti-inflamatórios tópicos e antibiótico sistêmico, por volta de um a três dias antes do procedimento, dependendo de cada medicamento, além de cicloplégicos para dilatação da pupila.
“A cirurgia em si é simples e rápida: é feita uma incisão de 2,8 milímetros, seguida de uma abertura na cápsula anterior que envolve o cristalino e, com ajuda do aparelho de facoemulsificação, a catarata vai sendo fragmentada e aspirada até sua completa remoção. Depois de completamente removida, é implantada uma lente artificial específica para cães e fechada a incisão com dois pontos para finalizar a cirurgia”, completa o Dr. Fábio.
“Após cerca de 30 dias o cão poderá retomar normalmente todas as suas atividades, livre de um problema que certamente afetaria muito sua qualidade de vida”.

