Zema se reúne com bancada mineira em Brasília para defender derrubada de vetos ao Propag

Zema reune bancada em Brasilia Zema reune bancada em Brasilia
Refinanciamento de dívidas com garantias da União é um dos temas vetados. Foto: André Cruz/Digital MG.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, se reuniu ontem quarta-feira, em Brasília (DF), com deputados federais eleitos por Minas Gerais para apresentar os principais pleitos do Estado em relação à derrubada de vetos do Governo Federal ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Durante o encontro, Zema destacou que a derrubada de três vetos específicos é essencial para garantir sustentabilidade fiscal a longo prazo para o Estado.

Atualmente, Minas Gerais acumula uma dívida com a União superior a R$ 165 bilhões, resultado de um passivo histórico que se intensificou ao longo das últimas décadas.

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Acompanhado do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Tadeu Martins Leite, e de representantes dos demais poderes e secretarias estaduais, o governador defendeu a união da bancada mineira em torno de um tema que considera estratégico para o futuro financeiro do Estado.

“Precisa ficar claro que, dos oito vetos do Governo Federal, estamos falando de derrubar apenas três. Se não tivermos esse diálogo, daqui a pouco a União vai ter que socorrer financeiramente os estados que vão se tornar inviáveis, e isso vai custar muito mais caro”, afirmou Zema.

Vetos prioritários para Minas Gerais

Entre os vetos considerados prejudiciais ao Estado, o governador destacou:

Refinanciamento de dívidas com garantias da União:

O veto impede que Minas reestruture dívidas com instituições garantidas pela União, o que pode gerar impacto adicional de R$ 2 bilhões por ano ao orçamento estadual.

Uso de recursos do FNDR para abatimento da dívida:

O dispositivo vetado permitiria usar parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional para reduzir até 20% da dívida total, o que representaria uma economia de até R$ 12 bilhões.

Suspensão dos efeitos do Artigo 23 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF):

Com o índice de comprometimento de receita com pessoal em 48,9% ao fim de 2024, Minas pleiteia o reconhecimento desse ajuste fiscal como parte da estratégia de recuperação.

Zema também chamou atenção para o peso dos juros no endividamento estadual:

“Os juros no Brasil são altos e os estados não conseguem pagar: isso não é culpa dos estados, é dos juros no Brasil, do fato de termos um dos juros mais altos do mundo”.

A reunião é parte de um esforço contínuo do Governo de Minas para viabilizar a adesão ao Propag. Em fevereiro, governadores e secretários de Fazenda dos estados mais endividados já haviam firmado posição conjunta pela derrubada dos vetos.

O Governo de Minas já sancionou, em 5 de junho, a Lei 25.282, que autoriza o Estado a aderir ao Propag. O programa permite a federalização de ativos estatais como estratégia de abatimento da dívida e prevê alongamento do prazo de pagamento por até 30 anos.

Caso consiga federalizar ativos equivalentes a 20% da dívida total (cerca de R$ 40 bilhões), Minas poderá reduzir a taxa de juros incidente, atualmente de IPCA + 4% ao ano.

Desde 2019, o Governo de Minas já pagou R$ 10,24 bilhões à União. Somente em 2025, até o início de junho, o Estado quitou R$ 2,38 bilhões em parcelas da dívida.

Zema concluiu agradecendo o apoio da bancada federal mineira:

“A bancada está toda aderente à proposta de derrubada dos vetos. Fico muito feliz e agradeço aos deputados por isso.

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