Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros pode custar bilhões a Minas

Tarifa entra em vigor 1 de agosto Vale 22 7 25 Balcao News Tarifa entra em vigor 1 de agosto Vale 22 7 25 Balcao News
Ferro e aço estão entre os produtos mais exportados. Foto: Divulgação/Vale.

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país a partir de 1º de agosto acende um alerta vermelho na economia nacional — e em especial na mineira.

Segundo levantamento da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), o impacto pode ser devastador: R$ 175 bilhões de perdas no longo prazo, com retração de 1,49% no PIB brasileiro e mais de 1,3 milhão de empregos ameaçados.

Em um cenário ainda mais preocupante, caso o Brasil opte por retaliar com tarifa equivalente de 50% sobre as importações americanas, o PIB nacional pode encolher R$ 259 bilhões (2,21%), com 1,9 milhão de postos de trabalho eliminados, queda de R$ 36,18 bilhões na massa salarial e redução de R$ 7,21 bilhões na arrecadação de impostos.

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Exportações brasileiras na mira

Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Em 2024, foram cerca de US$ 40,4 bilhões em embarques, o que representa 1,8% do PIB nacional.

Os principais produtos exportados incluem:

  • Combustíveis minerais
  • Ferro e aço
  • Máquinas e equipamentos mecânicos
  • Aeronaves
  • Café

Minas Gerais pode ter queda de até R$ 63,8 bi no PIB

Minas Gerais figura como o terceiro maior estado exportador para os EUA, com US$ 4,62 bilhões enviados em 2024 — equivalente a 2,3% do PIB estadual.

Os principais produtos mineiros afetados são:

  • Café (33,1%)
  • Ferro e aço (29,2%)
  • Máquinas e materiais elétricos (4,6%)

Municípios como Guaxupé, Varginha, Sete Lagoas e Belo Horizonte lideram as exportações nas regiões Sul e Central do estado.

De acordo com a FIEMG, a nova tarifa pode reduzir o PIB mineiro em até R$ 21,5 bilhões (queda de 2%), cortar R$ 3,16 bilhões da massa salarial e comprometer até 187 mil postos de trabalho.

No cenário de retaliação brasileira, o recuo pode atingir 2,85% do PIB estadual.

Já com retaliação mútua e fuga de investimentos, as perdas para Minas chegam a R$ 63,8 bilhões, com mais de 443 mil empregos em risco.

Entre os setores mais vulneráveis estão:

  • Siderurgia
  • Transporte
  • Produtos minerais não metálicos
  • Serviços
  • Produção de ferro-gusa e ferroligas, com possível retração de até 11,9%

Acesse o estudo completo com os impactos sobre o Brasil, clicando aqui

Diplomacia como alternativa sensata

Para a FIEMG, o agravamento da disputa comercial representa um risco significativo ao desenvolvimento industrial e à estabilidade econômica do país.

A federação defende uma postura firme, mas equilibrada, por parte do governo brasileiro.

“Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários no Brasil. Por isso, o caminho mais inteligente é a diplomacia. Os EUA são um parceiro tradicional. Faz todo sentido que nossas economias mantenham um fluxo comercial ativo e complementar”, afirma Flávio Roscoe, presidente da entidade.

 

 

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