Avanços e críticas
Reconhecido mundialmente como caso de sucesso, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, garantindo a todos os cidadãos o direito universal à saúde.
Apesar dos avanços, ainda enfrenta desafios, muitos deles debatidos ontem, terça-feira (16/9), durante o seminário “Desafios do SUS e dos Conselhos de Saúde na Atual Conjuntura”, promovido pela Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), a pedido do vereador Dr. Bruno Pedralva (PT).
Especialistas, conselheiros, gestores públicos e parlamentares reforçaram a importância da sustentabilidade financeira e do controle social. Também criticaram propostas de privatização da gestão da saúde pública em Minas Gerais. Após o debate, foi prestada homenagem ao Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG).
Homenagem e alerta
No início do encontro, Bruno Pedralva pediu uma salva de palmas à médica Dra. Meg, vítima de ataques virtuais e de invasões em unidades de saúde por supostas lideranças. Segundo o vereador, esses episódios têm exposto profissionais ao constrangimento e à violência.
Ele relatou que a médica sofreu uma parada cardiorrespiratória na segunda-feira (15/9) enquanto trabalhava e permanece em estado grave em um CTI.
“Saúde tem conflitos, mas a gente resolve com diálogo”, destacou Pedralva.
Defesa da integralidade
A presidente do CES-MG, Lourdes Aparecida Machado, criticou a crescente tendência de privatização no estado. “Não dá certo privatizar a saúde, colocando a gestão nas mãos da iniciativa privada. Precisamos defender o SUS dessa sanha privatista”, afirmou.
A ex-secretária municipal adjunta de Saúde, Maria do Carmo, também defendeu o SUS como política de Estado e condenou o uso excessivo de emendas parlamentares na destinação de recursos: “Nem sempre têm a aplicação que deveriam ter”, disse.
Controle social e participação
O conselheiro Willer Marcos reforçou que o SUS sofre ataques constantes, mas segue como sistema integral, equânime e universal. Já a promotora de Justiça Josely Pontes destacou que o controle social é essencial para evitar retrocessos.
Representando o Ministério da Saúde, Conceição Resende apontou a falta de especialistas como um dos principais gargalos e anunciou que o programa Mais Médicos deverá incluir clínicas privadas e planos de saúde que possuem dívidas com a União.
Expansão em BH
Durante o seminário, Bruno Pedralva lembrou que a participação popular na gestão do SUS está garantida pela Constituição. Ele criticou a destinação de emendas apenas a unidades de saúde ligadas às bases eleitorais de alguns vereadores e pediu que os recursos beneficiem toda a rede.
O parlamentar também anunciou o credenciamento de 42 novas equipes de Saúde da Família em Belo Horizonte, após 13 anos sem ampliações. “O prefeito está em Brasília assinando esse reforço para o SUS”, revelou.
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