Fiemg realiza o 39º EEBA com foco na proteção climática e energia

Com o tema Novas abordagens sobre energia, clima e digitalização, o 39º EEBA tem discussões de assuntos relacionados às cadeias de valores, à sustentabilidade e à economia circular.

Começou hoje e termina amanhã,  no Minascentro, o 39º Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Cerca de 800 pessoas, entre empresários, associações setoriais, investidores e gestores governamentais se reúnem para o evento. O encontro tem como foco o diálogo empresarial bilateral com o  objetivo de fortalecer as relações entre as economias e aprofundar a parceria estratégica

O  vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, abriu o evento e destacou que o parque industrial brasileiro tem grandes possibilidades de crescimento nos próximos anos, especialmente em decorrência da matriz energética renovável e da diversidade de serviços e produtos, o que, segundo ele, tornam o Brasil competitivo e atrativo de investimentos. Nesse contexto, o vice-presidente enalteceu Minas Gerais como expoente na produção de energia fotovoltaica a acredita que estado pode avançar ainda mais nessa direção.

Geraldo Alckmin, entretanto, ponderou que o país precisa adotar algumas medidas importantes de fomento ao desenvolvimento sustentável e incentivo à produção, como a reforma tributária, desburocratização, apresentação de um novo arcabouço fiscal, entre outros. Sobre a Alemanha, o vice-presidente elogiou a parceria com o país europeu em diferentes segmentos industriais e, para alavancar essa cooperação, ele lembrou da importância do fechamento do acordo Mercosul e União Europeia e do avanço das tratativa sobre tributos. Alckmin ainda prometeu “trabalhar 24 horas para fortalecer a indústria mineira e brasileira”.

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Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, acredita que Geraldo Alckmin, à frente do Ministério Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pode fortemente contribuir para a melhoria do ambiente de negócios em Minas e no país. Para o líder empresarial, o setor produtivo tem grandes desafios e, ao mesmo tempo, oportunidades de elevar a competitividade. Um desse caminhos, prosseguiu Roscoe, passa pela proteção das áreas verdes e a produção de energia limpa.

“Minas Gerais tem 94,5% da sua matriz energética renovável. Podemos vender energia limpa e produtos com baixa pegada de carbono. A FIEMG tem feito um grande trabalho de mapeamento para agregar valor ao que é produzido aqui no nosso estado, levando em conta a descarbonização”, declarou. Flávio Roscoe lembrou ainda do papel decisivo do setor privado mineiro na preservação do meio ambiente e dos investimentos do setor privado alemão no estado.

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, citou algumas ações do Executivo e Legislativo para conciliar produção industrial e proteção climática e do meio ambiente. A adesão do estado ao programa Race to Zero – Campanha global com objetivo de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050 – a aprovação da Lei Mar de Lama Nunca Mais, de 2019, que trata, por exemplo, da Política Estadual de Segurança de Barragens (PESB), foram destacadas por Zema. “Somos o estado que mais gera energia fotovoltaica e o que tem maior área reflorestada do país”, disse.

O vice-chanceler e ministro federal de Assuntos Econômicos e Ação Climática da Alemanha, Robert Habeck também falou da cooperação tradicional com o Brasil no segmento produtivo e vê o país como importante parceiro no América Sul. Habeck crê que o acordo Mercosul e União Europeia pode avançar para a formalização, beneficiando o comércio exterior entre os países.

Atualmente, a Alemanha é o 4º principal parceiro comercial brasileiro, com 3,1% de participação na corrente de comércio brasileira, e o Brasil é o principal parceiro alemão na América do Sul. 

Além de debates, evento terá visitas técnicas e encontros de negócios. 

Com o tema Novas abordagens sobre energia, clima e digitalização, o 39º EEBA tem discussões de assuntos relacionados às cadeias de valores, à sustentabilidade e à economia circular. Hoje, primeiro dia de encontro, estão sendo realizados painéis de debate sobre corrente de comércio brasileira, descarbonização industrial, transformação digital e desafios geopolíticos. Amanhã, dia 14, serão realizadas visitas técnicas a empresas da região e encontros de negócios com empresários de diferentes setores industriais, reunindo mais de 190 empresas brasileiras e 48 investidores da Alemanha.

As comitivas do setor privado que participarão do encontro são compostas por empresas brasileiras e alemãs da agroindústria, de mineração e dos setores mecânico, químico, farmacêutico e metalúrgico. Além do fortalecimento da parceria, o evento visa promover a discussão de novos investimentos e oportunidades de cooperação, a apresentação de propostas para a melhoria do ambiente de negócios, a facilitação do relacionamento comercial entre empresas e a oportunidade de networking e conexão.

“A Alemanha é um mercado estratégico nas relações comerciais e de investimentos para o Brasil. Por isso, consideramos importante que setor privado e governo dos dois países trabalhem juntos para debater formas de fortalecer e revitalizar a parceria, a fim de promover o crescimento do comércio, os investimentos e a cooperação tecnológica”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Indústria apontou prioridades da relação para governo Lula e da Alemanha

Em encontro realizado no último mês, a CNI, a BDI e a LADW entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, uma declaração conjunta com ações prioritárias para fortalecer os laços comerciais e políticos entre as economias. O documento destaca medidas como a conclusão do acordo entre União Europeia e Mercosul, a modernização do plano de ação da parceria estratégica entre Alemanha e Brasil, o lançamento das negociações para celebrar um novo e moderno acordo para evitar a dupla tributação (ADT), o apoio à continuidade do processo de entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a promoção de iniciativas de digitalização e Indústria 4.0, com temas como tecnologia 5G, segurança cibernética e transição energética sustentável.

Comércio bilateral de bens atingiu o maior valor em oito anos

Em 2022, o comércio de bens entre o Brasil e a Alemanha alcançou a marca de US$ 19,1 bilhões – o maior valor desde 2014. De acordo com levantamento da CNI, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os principais produtos brasileiros exportados para o país no último ano foram café, chá, mate e especiarias (27%), resíduos e desperdícios das indústrias alimentares (16%), minérios (13%), máquinas mecânicas (10%) e demais (33%). Os produtos da indústria de transformação são responsáveis por 58% das exportações brasileiras para o território alemão.

Destaque para os fertilizantes na importação

Em relação às operações de importação, os produtos mais adquiridos da Alemanha pelo Brasil, em 2022, foram máquinas mecânicas (21%), químicos orgânicos (12%), veículos terrestres (10%), produtos farmacêuticos (9%) e demais produtos (47%) – de acordo com dados elaborados pela CNI com base em estatísticas do Comex Stat. No mesmo período, a compra de fertilizantes registrou um aumento, provavelmente em função dos impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia.

O 39º EEBA é realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI, na sigla em alemão) e pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae).

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