A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte 2 – Ensino às avessas

Coluna Papo Reto - Walter Nery Hilel

A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte 2 – Ensino às avessas

Todos os anos, milhares de crianças ingressam nas escolas. Com sonhos e desejos, têm toda vida pela frente, para um dia saírem de lá e tornarem-se atores de nosso mundo, criando, trabalhando, construindo, liderando empresas e até governos.

É na escola que os jovens conhecerão seus amigos, compartilharão seu caráter, o mundo e a vida, através de histórias, descobertas e professores.

Entregamos para essas instituições de ensino grande parte da vida de nossos filhos, para que quando não estivermos mais aquieles estejam preparados para nos substituir e nos superar.

Mas num país que tem uma das piores educações básicas do mundo, o que podia ser motivo de alegria e esperança virou desconfiança e tristeza, verdadeiro pesadelo.

Não estamos piores que Estados Unidos e Europa somente. Ficamos atrás também da Coréia do Sul, Japão, e outros tantos países. Estamos empatados com o Peru, na última posição da América do Sul.

Independente da classe social, seja rico, seja pobre, o aluno brasileiro ainda fica muito distante da média mundial no aprendizado escolar.

Só é possível entender os índices negativos da educação brasileira, se analisarmos o complexo sistema composto por instituições, leis e cargos, que controlam a educação brasileira.

É na Constituição Federal de 1988 que tudo começa.

No Capítulo II, está estabelecido o direito à educação, citado 59 vezes na Carta Magna.

Com altas taxas de analfabetismo em uma população jovem, tivemos a criação de um complemento aos direitos previstos na Constituição, a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da educação, em 1996.

A LDB foi considerada então a “constituição da educação”, aprovada por companheiros e discípulos do venerado educador Paulo Freire- referência para os revolucionários socialistas.

Vigorando até hoje no país, a LDB regula desde creches até a pós-graduação.

Tanto no setor público quanto no privado, toda educação brasileira é regulamentada direta ou indiretamente pelo Ministério da Educação, criado em 1930 no governo Getúlio Vargas.

O MEC tem orçamento anual superior a R$100 bilhões, coordenando objetivos educacionais, e sendo a principal referência para a educação nacional.

Dos pouco mais de 600.000 funcionários do governo federal, metade está no Ministério da Educação.

A gestão da educação infantil, fundamental e média, que acontece nas escolas brasileiras, é feita pelas Secretarias e Conselhos espalhados por todo o país, em nível estadual e municipal.

Nenhuma escola no Brasil pode existir sem autorização, e as que existem são obrigadas a seguir as regras impostas nessa cadeia institucional.

São as Secretarias e Conselhos que orientam e coordenam o sistema educacional, através de pedagogias, tecnologias, questões técnicas e financeiras.

Apesar de termos atingido mais de 90% de jovens matriculados no país em idade escolar, a qualidade do ensino ainda deixa muito a desejar, e nunca foi questionada como deveria.

Até 2019, o Brasil sequer participava do principal teste internacional para medir o analfabetismo funcional, o PIRLS – Progress in Internacional Reading Literacy Study.

A performance educacional só é medida pelos testes internacionais quando o aluno já completou 15 anos, e faz o teste do PISA, um programa mundial para avaliação de estudantes.

O resultado não poderia ser diferente. Os alunos brasileiros estão estagnados, não evoluem no sistema educacional vigente no país há quase duas décadas.

Quando se discute essa realidade na sociedade, o argumento recorrente é a falta de investimento. O aluno do ensino fundamental recebe o equivalente a 3800 USD por ano, 44% da média dos países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

No ensino médio não é diferente. Nossos jovens recebem em média 3700 USD por ano, 41% da média dos países desenvolvidos.

Mas se olharmos os números pelo percentual do PIB brasileiro que sai dos cofres públicos para financiar a educação, chegamos a 6%, o que vale dizer mais de 100 bilhões de reais anuais, número 30% acima da média no padrão da OCDE

Então por que gastamos tanto na educação brasileira, com resultados tão ruins e inexpressivos no ensino básico?

A prioridade do orçamento anual para a educação brasileira é para as universidades. Essa visão distorcida atribui pouco ou nenhum valor ao ensino de base, preocupando-se tão somente em investir na formação de profissionais para o mercado de trabalho, um grande erro.

O ensino superior no Brasil é oferecido tanto pela iniciativa privada quanto pelo Estado. São aproximadamente 300 instituições públicas, e mais de 2200 instituições privadas, segundo números de 2020.

Mas não há como esconder a deficiência. Somos um zero à esquerda para a comunidade científica internacional.

O governo do PT, ao longo de 14 anos no poder, interrompido pelo impeachment de Dilma Russef, priorizou o investimento no ensino superior, montando uma teia gigantesca de doutrinação político-ideológica, que só agora vai sendo percebida.

O orçamento para as universidades públicas foi triplicado, passando de 17 para 51 bilhões de reais. O número de mestrados e doutorados aumentou mais de 300%, mas os resultados desse investimento foram pífiospara a ciência, e o país não contribui em nada com a comunidade internacional.

Nas propagandas da esquerda, que domina a grande mídia e assessorias de imprensa das universidades brasileiras, é dito que o Brasil é o que mais produz artigos científicos no mundo.

Só que vendem quantidade como se fosse qualidade, e já citaram a USP como 8ª melhor universidade do mundo, o que não é verdade.

Na realidade, a USP é oitava maior. Em termos qualitativos, entretanto, ocupava em 2018 a 780ª posição.

Na América Latina, o Brasil só está à frente de Venezuela e Cuba, entre as melhores escolas de ensino superior, apesar de nossas universidades estarem entre as mais caras do mundo.

Quando procuramos nas plataformas de pesquisa, encontramos vários exemplos de trabalhos ideologicamente enviesados, pouco lidos e pouco citados.

Muitos apresentam pautas que os brasileiros jamais imaginariam que fossem financiadas com o dinheiro público.

Na Universidade Federal da Bahia, por exemplo, uma estudante apresentou uma tese questionando se sapatos têm sexo, referindo-se às metáforas de gênero de lésbicas de baixa renda.

Na mesma universidade, outro estudante teve seu mestrado financiado para produzir uma pesquisa autoetnográfica, analisando a prática de sexo oral entre homens dentro do banheiro de uma estação de trem. O valor da bolsa foi de R$20.000,00 do dinheiro público.

Na Universidade Federal de Juiz de Fora, um dos temas aprovados para mestrado foi “Por onde andam os gogoboys de Juiz de Fora?”

Fato é que a produção científica brasileira internacionalmente não existe. Não é mencionada, ninguém lê. O prejuízo que as universidades federais causam ao Brasil consegue ser maior que a corrupção.

A linguagem academicista e romantizada esconde o vazio e a prosmicuidade do financiamento estatal.

Uma enorme quantidade de trabalhos acadêmicos vão desde categorias pornográficas até a relativização da pedofilia.

Enquanto o sistema público privilegia produções acadêmicas que não contribuem com as demandas sociais, outras áreas de vital importância ficam em segundo plano.

Chama a atenção a infinidade de vagas oferecidas para ciências sociais nas universidades públicas, muito superiores às vagas em engenharias diversas, entre elas engenharia de alimentos, hídrica e de energia, a despeito da importância e do papel destas especialidades na realidade do país e do mundo atual.

A explicação para essa dicotomia, com tanto dinheiro público alocado para alguns cursos em detrimento de outros, é que os recursos para as universidades federais são direcionados principalmentepara manutenção dos interesses partidários e ideológicos da esquerda.

Outra questão importante é a exigência mínima de nota no Enem para se entrar numa Universidade Pública, em comparação com uma faculdade de pedagogia.

Se o candidato não consegue passar na prova do Enem, não terá dificuldades para ingressar numa faculdade de pedagogia, para se tornar um futuro professor, com notas bem abaixo da média do país.

O resultado é o recrutamento de estudantes com capital intelectual extremamente baixo e limitado, resultando em professores desqualificados e despreparados para trabalharem na área da educação, mormente na formação educacional de crianças e adolescentes.

Para facilitar o acesso à Universidade, foi criado o FIES, um programa de acesso ao ensino superior gerenciado pelo MEC, que financiava até 70% do valor de cursos superiores, desde que houvesse um fiador para garantir o pagamento.

Durante o governo Lula, o FIES foi ampliado e flexibilizado. Em 2010, já cobria 100% do valor do curso, e não pedia mais garantias.  O novo fiador seria um fundo do próprio governo, que emprestava o dinheiro e também era o garantidor de crédito.

Entre 2010 e 2013, o número de inscritos no programa aumentou 448%, passando de 150 mil para 827 mil, e o custo do FIES saltou de R$1 bilhão para quase R$14 bilhões. Enquanto isso, o número de matrículas na rede privada aumentava apenas 13%.

Essa realidade deu origem ao escândalo conhecido como a “farra do Fies”, revelando que as próprias faculdades estavam estimulando alunos já matriculados a buscarem o financiamento, parando de pagar a mensalidade e transferindo a dívida para o governo federal.

Para o aluno era financeiramente vantajoso. Para a faculdade, eliminava o risco de inadimplência. Para o governo, aumentava sua popularidade. O sistema de dominação político-partidária da esquerda estava montado.

O PT também destinou mais de R$3 bilhões para o PROUNI – Programa Universidade para Todos, onde não era necessário devolver o dinheiro, e R$13 bilhões para o Ciência sem Fronteiras, que financiava estudantes viajando ao redor do mundo.

As grandes empresas educacionais cresceram exponencialmente durante o período. O grupo Kroton, que atingiu o posto de maior empresa de ensino superior do mundo, viu sua receita líquida subir de R$734 milhões para R$5 bilhões.

Dos 3 milhões de estudantes que participaram do FIES, 2,8 milhões continuaram em débito, e em 2021 o governo federal publicou a Medida Provisória 1090/2021, que permitiu abatimento de até 92% da dívida, para os devedores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico.

O rombo nos cofres púbicos causado pelo FIES foi gigantesco. Os juros cobrados foram subestimados pelo governo do PT, pois contavam apenas com 10% de inadimplentes, quando o calote foi de mais de 50%, gerando um prejuízo de R77 bilhões, segundo relatório do próprio Ministério da Fazenda à época.

O FIES, no final, tornou-se uma máquina de transferência do dinheiro público para o privado, e grandes grupos financeiros lucraram com essa farra engendrada pelo PT.

 continua....

 Walter Nery Hilel

Pré-Candidato a Deputado Estadual – PTB/MG

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.