A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte 3 - Utilização da máquina estatal

Coluna Papo Reto - Walter Nery Hilel

A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte 3 - Utilização da máquina estatal

O dinheiro de pesquisa universitária passa por dois órgãos públicos. A CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, e o CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

O CNPQ está ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e financia pesquisas tecnológicas relacionadas à inovação.

A CAPES, por sua vez, é ligada ao MEC, e é responsável por todos os outros mestrados e doutorados. É ela que autoriza o funcionamento de cursos de pós-graduação por parte das instituições, avalia a nota nesses cursos, estabelece o valor destinado a mestrados e doutorados, e descredencia aqueles que não atendem seus critérios.

No Brasil, o percentual de mestres e doutores que compõem o corpo docente do ensino superior ultrapassa os 80%.

Assim é que a pós-graduação brasileira, que muitos acham que é coisa de gente rica, está relacionada a pelo menos 50% da economia brasileira, que passou direta ou indiretamente pela pós-graduação.

Ou seja, os profissionais formados na graduação, receberam os ensinamentos repassados por professores em sua maioria com pós-graduação.

Agrônomos, engenheiros, advogados, médicos, todos que frequentaram as universidades, passaram indiretamente pelo conhecimento de um professor pós-graduado. E quem controla a pós-graduação é o CAPES, que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar.

Esse professores pós-graduados, por sua vez, têm uma visão ideológica de mundo que vai sendo retroalimentada em seus alunos, criando um ciclo vicioso na perpetuação de suas crenças ideológicas.

Tudo aquilo que um político quer que você pense, você vai acabar pensando, através da utilização da burocracia estatal na formação dos profissionais de pós-graduação, mestrado e doutorado em nossas universidades. Basta ter controle sobre o CAPES. Tudo está relacionado com a máquina estatal, e a doutrinação político-ideológica acontece naturalmente.

É neste cenário perverso que muitas verdades são fabricadas, construídas e regidas por burocratas políticos, com enorme impacto na formação intelectual de milhares de brasileiros. Tudo obedece a uma regulamentação prévia, e sua idéia de verdade vai sendo construída por quem está no topo da cadeia dominante.

Uma pessoa aprovada no mestrado ou doutorado acaba entrando no corpo docente das universidades. É a porta de ingresso para a geração seguinte. Então, quem domina a aprovação de mestres e doutores neste cenário, é quem vai determinar a produção do corpo docente nas próximas décadas, com influência direta na formação intelectual de todo país.

É por isso que no Brasil nunca ouvimos falar em teses universitárias anticomunistas, aprovadas em qualquer universidade brasileira nos últimos 50 ou 60 anos. O anticomunismo foi proibido no Brasil, e a esmagadora maioria dos brasileiros nem percebe.

Se você é um anticomunista, já está, portanto, excluído do bem pensante, que representa a mais alta distinção cultural no país. Ter um pensamento normal, equilibrado, não interessa à doutrinação ideológica.

O que representa hoje a “grande autoridade intelectual” é a produção do diploma. A era dos diplomados, dos universitários.

Mesmo que você tenha a melhor idéia do mundo, se o seu professor discordar da sua idéia, ela simplesmente não existe. Não merece sequer ser citada.

Tudo que existe de fato é o que a Universidade diz que existe. Todo o resto está excluído.

A visão de mundo nesta realidade foi implantada no Brasil pela nefasta contribuição de Paulo Freire para a educação brasileira, defendendo claramente que sala de aula era um lugar para você exercer seus anseios políticos. O lugar para se iniciar a revolução para libertar as pessoas.

Mas o que liberta é o conhecimento, jamais a doutrinação e a panfletagem!

No Brasil, a ideologia e a narrativa estão sendo disseminadas desde o ensino básico, por professores formados num processo de doutrinação amplo e permanente, fazendo avançar numa visão deturpada do mundo em que vivemos.

Um infográfico publicado na revista VEJA, com o resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto Sensus com professores do ensino básico, mostrou a realidade no país.

Perguntados se o discurso deles em sala de aula era politicamente engajado, 78% dos entrevistados disseram que sim.

Entre os personagens mais apresentados aos estudantes como figuras históricas, os principais eram Lula, Che Guevara, Lenin e Hugo Chaves.

As Secretarias Estaduais de Educação espalhadas pelo país tem a responsabilidade de avaliar o conteúdo dos livros que são oferecidos pelo governo federal para todas as escolas públicas do Brasil, dentro do Programa Nacional do Livro Didático, conhecido como PNLD.

Nas últimas décadas, o maior comprador de livros do mercado editorial sempre foi o governo federal. O Ministério da Educação é o maior comprador de livros do mundo, se tornando a principal fonte de renda das editoras.

Mas tudo tem um preço. Para o livro ser escolhido pelo governo, as editoras sugerem aos escritores, de forma persuasiva, o que deve ser escrito dentro da pauta que é estabelecida pelo MEC.

Ou seja, é o MEC quem define o que será produzido e vendido pelas editoras, dentro da política governamental. É assim que surge a doutrinação ideológica.

Os livros didáticos são uma grande armadilha. E os contratos com o governo federal são feitos por vários anos. Herança maldita dos governos petistas, que ainda persiste.

Cada vez mais, professores de todo o país começam a apresentar obras e falar de sexualidade com crianças em tenra idade. Disseminam abertamente a ideologia de gênero, causando grande confusão e produzindo enormes estragos na educação infantil.

Não se trata de exceção entre os livros didáticos brasileiros.

Um dos casos mais emblemáticos foi o da coleção Nova História Crítica, escrita por Mário Schmidt.

Distribuído largamente entre os alunos das escolas públicas, e também adotado por escolas privadas para estudantes da 5ª a 8ª série, durante quase uma década, a coleção continha forte propaganda ideológica e foi utilizada como principal livro didático.

Textos elogiando o MST, conteúdos endeusando Mao Tse Tung, tabelas em defesa do socialismo, e constante propaganda revolucionária duravam até as últimas páginas da 8ª série.

Ao final de cada capítulo, era apresentado o quadro Reflexões Críticas, propondo que os professores fizessem debates em sala de aula. Uma visão crítica, deturpada, sempre abordada com um viés revolucionário e de esquerda.

Em 2008, a coleção foi retirada de circulação pelo MEC, não por causa do seu conteúdo, mas graças a uma nova lei que obrigava autores de livros didáticos a terem curso superior completo. E o autor Mário Schmidt não conseguiu provar que era formado em história.

O autor de Nova História Crítica nunca deu entrevistas, e poucas informações sobre ele são encontradas na internet. Nem mesmo fotos ou redes sociais. Até 2016, uma das raras informações disponíveis ao pesquisar seu nome era uma filiação ao PT, no site FILIAWEB

Ainda, tendo somente o governo petista como comprador, sua “obra” vendeu 10 milhões de cópias no Brasil.

A infância brasileira vem sendo ameaçada e assediada há décadas pela esquerda no Brasil, fazendo com que qualquer professor que busque uma educação de qualidade fique estarrecido. Estamos perdendo nossos filhos para esses sociopatas, que se apoderam de grêmios estudantis e ocupam diretórios acadêmicos por todo país.

Nas universidades públicas, a perseguição ideológica atingiu níveis assustadores, não menos ferozes e agressivos. O que era para ser um ambiente plural, democrático, tornou-se um antro da militância raivosa da esquerda, deixando a sociedade em pânico.

Professores que ousam ser de direita nessas escolas, estão fadados à perseguição constante, sendo covardemente massacrados em suas reputações, com enormes prejuízos para sua vida profissional. A guerra é declarada e cruel.

Em 2010, 37 reitores de universidades federais lançaram um manifesto chamado “Educação – O Brasil está no rumo certo”. Todos concordavam que o período do governo Lula ficaria registrado na história como aquele que mais se investiu em educação pública no país. Ainda complementavam dizendo que o Brasil havia encontrado o rumo certo com o PT.

Em 2018, durante as eleições presidenciais, 20 reitores e ex-diretores de universidades fizeram outro manifesto, declarando apoio ao então candidato do PT, Fernando Haddad, citando programas como o FIES e o suposto avanço da ciência brasileira.

Mas os rankings utilizados naquele manifesto para divulgar os “bons” números levavam em conta tão somente a quantidade de pesquisas publicadas pelas universidades, ignorando convenientemente sua qualidade e o impacto no desenvolvimento do país.

E por que essa realidade acaba produzindo os maus índices de alfabetização, de conhecimento das ciências e de matemática? Porque a prioridade é a crítica, a luta política.

A degradação espiritual, intelectual e humana no Brasil salta aos olhos. A burrice e idiotização produzidos ao longo dos anos não têm limites. O país não produz sequer uma obra de literatura notável há mais de 50 anos.

continua....

 Walter Nery Hilel

Pré-candidato a Deputado Estadual – PTB/MG

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