A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte I – O conhecimento liberta

Coluna Papo Reto - Walter Nery Hilel

A doutrinação ideológica na educação do Brasil - Parte I – O conhecimento liberta

As convenções partidárias, que definem os candidatos para as próximas eleições gerais, começaram no último dia 20 de julho e têm prazo até 05 de agosto.

Chegou a hora. É o momento de se discutir propostas e idéias dos candidatos, para que os eleitores escolham seus representantes nas Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Presidência da República pelos próximos 04 anos.

Entre as pautas que precisam estar na ordem do dia, a educação é seguramente a que merece maior atenção, neste momento de incertezas e forte polarização política. A família e os valores morais e éticos da sociedade nunca foram tão atacados como agora.

Precisamos debater o atual sistema educacional brasileiro, a doutrinação ideológica nas escolas, a ideologia de gênero e a linguagem neutra, por que estamos nos últimos lugares dos rankings internacionais de aprendizado básico, como é gasto o dinheiro público na educação do país, para onde vão esses recursos, e como nossos jovens estão sendo alfabetizados.

Também é preciso entender o que está acontecendo em nossas universidades, que se tornaram palco para a militância política, a formação intelectual e moral de alunos e professores, qual será o futuro da educação em nosso país, e o que deve ser revisto e alterado.

Para que todo esse processo possa ser compreendido e assimilado, faz-se necessário inicialmente revisitar a história da educação na humanidade.

Na educação antiga, as inquietações morais levaram ao desenvolvimento do uso da razão pelos filósofos gregos. Era uma educação escassa, restrita à elite, que buscava tutores para formar a personalidade de seus pupilos, através do ensino das virtudes e da busca pela verdade.

Ao longo dos tempos, as universidades foram se formando ao redor do mundo, a partir do século XI, onde os alunos buscavam os melhores mestres da Europa para aprender sobre filosofia, teologia, direito e medicina. Foi quando se iniciou a formação da comunidade internacional de acadêmicos.

A concepção das artes liberais, como são conhecidas hoje, surgiu com a união entre a filosofia grega e a tradição religiosa.

As associações formadas por artesãos profissionais e independentes, conhecidas como guildas, surgiram na Idade Média (séculos XII ao XV), e ensinavam os trabalhadores a exercer sua profissão, protegendo seus interesses e mantendo os privilégios conquistados.

Foi esse modelo de ensino que chegou ao Brasil no séc. XVI, trazido pelos jesuítas. Logo após o descobrimento, fundaram o PATTEO DO COLLEGIO, a primeira escola do Brasil, em São Paulo/SP.

Com a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, o sistema de ensino na Europa fortaleceu-se, rompendo com os ditames da igreja católica à época, passando a ser usado pelos Estados como meio de propagação das idéias.

Nesse período, surgiu a educação compulsória, onde leis obrigavam crianças a frequentar instituições de ensino criadas pelo governo, com pena de aprisionamento caso fossem descumpridas.

Ao longo do tempo, a revolução científica transformou o significado das palavras educação e conhecimento.

A descoberta de padrões matemáticos e métodos científicos entusiasmou muitos pensadores a desenvolver uma nova idéia de direitos humanos.

O iluminismo francês proibiu escolas religiosas, e a tradição passou a ser condenada como algo ruim, vista como inimiga da vontade popular e do bem comum.

No Brasil, o iluminismo marcou presença com o ditador português Marquês de Pombal (1699-1782), que expulsou os jesuítas de nossas terras, fechando escolas e mosteiros espalhados pelo país no fim do século XVIII.

Alertado sobre os perigos do iluminismo francês, Dom Pedro I declarou a independência do Brasil, em 07 de setembro de 1822.

Com a revolução industrial iniciada na Inglaterra, onde surgiu a primeira máquina a vapor, os trabalhadores foram chamados para as fábricas modernas, fazendo surgir duas novas grandes demandas: a mão de obra qualificada e um lugar para deixar as crianças durante o expediente.

Foi nessa época que a educação obrigatória tornou-se massificada para atender um número cada vez maior de pessoas, transformando-as em trabalhadores. A educação transformava-se então em ensino. A busca pela verdade saía de cena, dando espaço para beneficiar a produção econômica.

Atentos a essas mudanças, educadores daquele tempo desenvolveram a pedagogia nova, pautada pela filosofia pragmática, que defendia não ser possível conhecer a verdade, sendo necessário adequá-la aos seus objetivos.

No final do séc. XIX o professor passou a ser visto como um incentivador, responsável por aplicar métodos para desenvolver um cidadão apto para a vivência democrática e para o trabalho assalariado.

A partir dos conceitos propagados pela filosofia de Heigel, no idealismo alemão, novas teorias foram surgindo sobre o papel do Estado e das relações sociais.

No século XX, essas ideologias revolucionárias disputaram o mapa da Terra, enxergando o sistema educacional como mais uma ferramenta de combate político.

Na revolução cultural chinesa, a partir de 1947, a escola ganhou protagonismo no combate ideológico.

A pedagogia crítica visava formar os alunos como agentes transformadores da sociedade. O professor seria um libertador, e removeria o hospedeiro burguês nas crianças.

Essa visão foi amplificada pelo mundo inteiro, através dos protestos na França, conhecidos como MAIO DE 68.

Foi quando então surgiu a figura de Paulo Freire no sistema educacional brasileiro, responsável por disseminar o vínculo da revolução cultural na pedagogia do Brasil, estabelecendo fundamentos em sua maior obra, a “pedagogia do oprimido”.

O que vemos hoje no país é a fusão entre a educação crítica revolucionária e o ensino pragmático para o trabalho. Enquanto a primeira educa o homem como agente transformador da sociedade, a segunda busca formar trabalhadores para o mercado.

Na busca por uma vida escolar, onde docentes almejam uma consciência revolucionária e alunos só querem conseguir um emprego, a educação brasileira foi condenada a permanecer nos últimos lugares do mundo.

Continua na próxima semana......

Walter Nery Hilel
Candidato a Dep. Estadual – PTB/MG

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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Walter Nery é pré-candidato a Dep. Estadual pelo PTB/MG. Formado em Jornalismo pela PUC-MG, trabalhou nas seguintes emissoras : Rádio Capital - repórter e editor; TV Globo - apurador, produtor, repórter e editor de texto; TV Bandeirantes - repórter. - Formado em Direito pela Universidade Fumec - BH(MG): Advogado atuante nas áreas cível, trabalhista, penal e previdenciário.