A guerra das vacinas

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A primeira vacina que se tem notícia no mundo data do século XVIII, quando o médico inglês Edward Jenner criou a vacina contra a varíola, primeira doença infecciosa cuja origem era desconhecida, com as primeiras evidências encontradas em múmias egípcias, no século III.

Estima-se que, apenas no século XX, a varíola tenha causado a morte de 300 a 500 milhões de pessoas. Essa foi a primeira doença erradicada pela vacinação, certificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980.

No Brasil, a primeira campanha em massa de vacinação no país ocorreu há mais de 100 anos, idealizada pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz, exatamente para combater aquela terrível doença. Inicialmente, a vacinação contra a varíola tornou-se obrigatória, mas a falta de informação sobre a eficácia e segurança provocou um grande protesto da população.

Foi registrado na cidade do Rio de Janeiro grandes confrontos com as forças da polícia e exército à época, causando muitas outras mortes, naquilo que ficou conhecido como a Revolta da Vacina, levando à revogação da obrigatoriedade pouco tempo depois.

Desenvolver uma vacina é um trabalho que exige recursos e muitos anos de testes. Normalmente, a produção de uma vacina para uma doença infecciosa demora de 10 a 15 anos. A vacina mais rápida já desenvolvida até hoje foi a da caxumba, que levou 04 anos para se tornar confiável.

Com o surgimento da COVID-19, e seu rápido alastramento pelo mundo inteiro, a humanidade não pôde se dar ao luxo de esperar uma década pela vacina contra o coronavírus. Iniciou-se então uma corrida desesperada pelos maiores laboratórios para combater a doença, utilizando-se de avançada tecnologia, sem qualquer precedente na história.

Praticamente 01 ano e meio após o surgimento do novo coronavírus, dados coletados pela Bloomberg dão conta de que 261 vacinas contra a COVID-19 estão em desenvolvimento. Desse total, 79 encontram-se na fase de testes em humanos, e 09 já estão sendo disponibilizadas ao redor do mundo.

Apesar da mídia se referir às vacinas disponíveis contra a COVID-19 como imunizantes, seu desenvolvimento acelerado e a rápida disponibilização mundo afora não trouxe para nenhuma delas a eficácia de 100%. Os efeitos colaterais a médio e longo prazos ainda não podem ser atestados pela ciência, por mais tecnologia que se empregue no seu desenvolvimento.

A vacina da parceria Pfizer-BioNTech, com 95% de eficácia, está no topo do ranking das mais usadas, sendo aplicada em 68 países, segundo o The New York Times. Na sequência, aparecem a da Oxford-AstraZeneka, usada em 58 países, e a vacina da Moderna, utilizada em 29 países.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro conta atualmente com 3 vacinas autorizadas contra a COVID no país: a CoronaVac, a AstraZeneca e a Pfizer.

De todas produzidas até agora, a que causa maior desconfiança na população é a CoronaVac. Estudo recente veiculado na imprensa revelou que sua eficácia geral, para quem tem mais de 80 anos, está em torno de 28%, o que levou o Ministério da Saúde anunciar a criação de um plano de ação para vetar o uso da vacina chinesa no Brasil. Existem inúmeros relatos de pessoas que tomaram as duas doses, e ainda assim foram infectadas.

No Chile, líder em vacinação na América Latina, mais de 3/4 das doses administradas também foram da CoronaVac, o que agora está sendo justificado para explicar um novo avanço da COVID naquele país.

A União Européia (UE), que optou inicialmente pela vacina da AstraZeneca, já anunciou que está desistindo de encomendas futuras, admitindo que outras vacinas estão mais preparadas para as novas variantes do vírus.

O pragmatismo europeu resultou num comunicado recente do presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, anunciando um novo contrato, assinado com a Pfizer-BioNTech, para adquirir 1 bilhão e 800 milhões de doses até 2023. A AstraZeneca já não interessa mais para a Europa.

Outra discussão que ainda permanece é se as pessoas que já foram infectadas pelo vírus precisam ser vacinadas, já que o tempo de permanência de anticorpos no organismo para quem já teve COVID ainda é incerto. Não há consenso sobre essa questão, mas não há dúvida de que todos precisam ser vacinados, em algum momento, independente de já terem contraído o vírus ou não.

No Brasil, dados mais recentes do Ministério da Saúde informam que o governo federal já destinou mais de 114 milhões de doses da vacina para as Unidades da Federação, com 84 milhões já aplicadas.

Enquanto isso, a CPI do Circo (sem qualquer alusão aos verdadeiros palhaços, que nos fazem rir com alegria) continua a pleno vapor no Senado Federal.

Parlamentares hipócritas e desprezíveis se revezam na feroz pretensão de amassar a verdade e enganar os brasileiros, desrespeitando e criminalizando médicos conceituados, que tanto lutam para salvar vidas. Os Senadores da República já se tornaram chacota mundial, como não poderia deixar de ser. Segue o jogo!

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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