A insensatez da guerra

Coluna Papo Reto - Walter Nery Hilel

A insensatez da guerra
Serhii Nuzhnenko/AP

Passado um mês da invasão russa na Ucrânia, o mundo deixou a Covid de lado para acompanhar com justificada preocupação um conflito armado perigoso, envolvendo uma superpotência com o maior arsenal nuclear do planeta, em flagrante rota de colisão com todo o continente europeu e também com os EUA, com consequências ainda imprevisíveis.

Estamos diante de uma guerra militar, econômica, e de informações, onde a verdade é a primeira a sucumbir e a propaganda atua para ambos os lados, conforme os interesses de cada um.

O maior culpado desse conflito é principalmente a intolerância e falta de entendimento entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN, Ucrânia e Rússia, cada um com suas razões.

A mídia, mais uma vez, tenta manipular a opinião pública, da mesma forma que aconteceu com a Covid. A guerra da manipulação e das fake news chegou a seu ápice, tão perigosa quanto o conflito armado.

Num mundo cada vez mais conectado, a maior emissora do Brasil montou até uma central de guerra em seus estúdios, para não desperdiçar um minuto sequer da desgraça alheia.

Os ataques à Ucrânia, com imagens em profusão e uma versão sentimentalista e solidária, despertam a compaixão nos telespectadores, podendo ser a salvação da audiência perdida e a glória de um jornalismo decadente e imoral, que se implantou no país há décadas.

Algumas narrativas montadas desde o início do conflito, entretanto, servem apenas para evidenciar o baixo nível do nosso telejornalismo.

Tão logo ocorreu a invasão do território ucraniano, o JN informou que um tanque russo, desgarrado do restante da tropa e vagando pelas ruas de Kiev – capital da Ucrânia, passou em cima de um carro com um idoso ao volante, com imagens fortes que chocaram a todos e causaram grande repulsa.

Pouco tempo depois a mentira veio à tona. O tanque de guerra era ucraniano, e o “motorista” atrapalhou-se na manobra, avançando para cima de um veículo civil, propiciando uma cena fortíssima, que a mídia perversa “saboreou” intensamente.

Outra notícia bombástica foi a de que 16.000 voluntários foram lutar na Ucrânia pela democracia, com depoimentos sob medida de “combatentes” de todas as partes do planeta. É a primeira vez que vemos mercenários “democratas” no mundo. A cara de pau não tem limites!

Fato é que a invasão da Ucrânia deixa cada dia mais evidente que num conflito armado não há mocinhos e bandidos. A guerra é o último estágio da incompreensão e insanidade humanas. São todos vilões, que procuram, cada um a seu modo, tirar vantagens políticas e econômicas num cenário de destruição e morte.

Nos Estados Unidos, maior economia do planeta, o principal beneficiário político é o sinistro governo Biden. Sua gestão incompetente tem se refletido na economia americana, levando o país ao aumento da inflação, redução de empregos e elevação nos custos de energia, decorrente da desastrosa política ambientalista.

Os impactos da guerra, principalmente nos setores de energia e de alimentos, apenas acentuaram uma crise que já estava instalada desde o início da atual administração. O governo americano já admite que pode faltar alimentos no país, se o conflito na Europa continuar.

Com a conivência da grande imprensa norte-americana, rapidamente atribuíram à invasão russa na Ucrânia todos os problemas do desgoverno por lá, fazendo uma cortina de fumaça, e isentando o ocupante da Casa Branca de qualquer ônus político.

Tentam de tudo para dar credibilidade ao velhinho falastrão, que a todo instante desafia a diplomacia xingando o colega russo, afirmando até que Putin precisa ser deposto. A senilidade e a desorganização mental o impedem de enxergar a gravidade de seus discursos inconsequentes e temerários.

Embora o Ocidente esperneie e não admita claramente o gigantismo russo - o maior território do planeta, impondo sanções econômicas inócuas e midiáticas, o fato é que o país comandado com mão de ferro por Vladimir Putin não parece disposto a recuar, ainda que anunciem provisoriamente a redução drástica da atividade militar em Kiev e Tchernihiv, até que suas pretensões sejam aceitas e reconhecidas.

Além de ser o maior exportador de gás natural do mundo e um dos maiores de petróleo, especialmente importante para o mercado mundial de energia, há que se ressaltar seu enorme poderio bélico e arsenal nuclear, o que por si só demanda uma negociação permanente, cautelosa e sobretudo pacífica com os líderes da União Européia, que apenas no setor energético importa 200 bilhões de metros cúbicos de gás russo anualmente.

Muito antes da invasão na Ucrânia, a Rússia já vinha se preparando para suas investidas militares, intensificando suas relações com a China e expandindo seus laços comerciais com o gigante asiático.

Segundo dados divulgados pela administração alfandegária chinesa e noticiados pela RT, rede de televisão internacional fundada e financiada pelo Estado russo, o comércio total entre as potências cresceu 35,9%.

Rússia e China tiveram de adaptar suas economias para uma via mais capitalista, em prol do crescimento econômico e desenvolvimento dos seus Estados. Isto porque a economia socialista não funciona, e eles sabem muito bem disso.

Dizer apenas que Vladimir Putin é o invasor covarde, assassino que mata civis, explode edifícios residenciais, bombardeia inapelavelmente maternidades e escolas, não corresponde à realidade. Se ele quisesse, já teria varrido a Ucrânia do mapa.

É o que o Ocidente, dependente do petróleo e gás natural russos, fragilizado por governantes incompetentes, quer que acreditemos. Lembremos que num conflito armado e violento nem tudo é o que parece.

Na Ucrânia, rotas de fuga foram abertas. Ferrovias e rodovias foram preservadas, e milhões de pessoas já fugiram do país.

O Kremlin afirmou que não quer derrubar o governo do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e nem ficar ocupando a Ucrânia.

Zelensky, o cômico que virou presidente e não tem nada de herói, já desistiu de ingressar na Otan. Mas a aliança militar ocidental tem laboratórios biológicos lá dentro, e os Estados Unidos despejam bilhões de dólares em armas dentro da Ucrânia.

Não se sabe ao certo o número de mortes no conflito. A informação de 847 civis mortos apresentada em 21 de março passado, numa nota do Conselho de Direitos Humanos da ONU, é tida como conservadora demais.

Mas percebe-se que as operações de guerra russas parecem mesmo uma “intervenção cirúrgica”, como dizem os militares de lá. Nunca devemos nos esquecer, para efeito de comparação, o que os americanos fizeram com os japoneses na Segunda Guerra Mundial.

Na noite entre 09 e 10 de março de 1945, num único bombardeio com bombas incendiárias em Tóquio, conhecido como Operação Meetinghouse, os americanos mataram 97 mil pessoas, segundo bombeiros da época.

Agora, as negociações de paz avançam em Istambul, tendo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como mediador, e o conflito pode estar chegando ao fim.

Zelensky já admite a neutralidade da Ucrânia nas questões envolvendo Otan e Rússia, e reconhece a soberania dos rebeldes pró-Rússia que ele vinha perseguindo nos últimos anos na região de Donbass, leste do país, mas quer garantias.

Se isso for confirmado, os russos já disseram que se retiram de lá. Um acordo pode estar próximo, segundo o negociador-chefe russo, Vladimir Medinski, pondo fim sobretudo ao sofrimento da população civil, que é quem paga o preço mais alto da insensatez de qualquer conflito armado. E ninguém quer uma Terceira Guerra Mundial!

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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Walter Nery é pré-candidato a Dep. Estadual pelo PTB/MG. Formado em Jornalismo pela PUC-MG, trabalhou nas seguintes emissoras : Rádio Capital - repórter e editor; TV Globo - apurador, produtor, repórter e editor de texto; TV Bandeirantes - repórter. - Formado em Direito pela Universidade Fumec - BH(MG): Advogado atuante nas áreas cível, trabalhista, penal e previdenciário.