A laranja podre

A laranja podre
Reprodução Internet - Site João Amoêdo


Dos atuais 33 partidos políticos com registro válido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aquele que surgiu como a maior esperança de mudanças para os cidadãos de bem, indignados com a situação do país, foi o NOVO.

O Partido, fundado em 2011 e registrado em 2015 no TSE, se orgulha até hoje de não ter nascido da dissidência de outros partidos, agremiações religiosas ou mesmo sindicatos. Não há registro de integrantes da velha política entre seus 181 fundadores, e seus apoiadores precisam ter ficha limpa.

Também se vangloria por ser o único que não utiliza dinheiro público, mantendo-se tão somente com a contribuição de seus filiados.

Os atrativos vão além. O NOVO tem princípios e valores bem definidos, utiliza-se de processo seletivo interno para escolha de seus candidatos, e tem regras para limitar o carreirismo político, impedindo mais do que uma reeleição para seus mandatários.

Mas o canto da sereia, que atraiu um exército de aguerridos filiados principalmente em 2018, quando pela primeira vez o NOVO pôde disputar eleições gerais para deputados, senadores, governadores e presidente da república, foi desfeito com o tempo. A máscara caiu, assim como tantas outras de oportunistas que se revelaram na crise da COVID.

Apesar do Partido informar em seu site que tem dono, e que este seria seu próprio estatuto, a verdade é que seu dono tem nome e sobrenome. É o “todo-poderoso, irrefutável e incontestável” João Dionísio Filgueira Barreto Amoêdo, mais conhecido como João Amoêdo, de fala mansa e dissimulado, quem comanda o NOVO com mão de ferro, ainda que à distância, podendo ser taxado de qualquer coisa, menos um liberal, como sorrateiramente se apresenta para a população.

Amoêdo tem se revelado um implacável patrão, cada dia mais alinhado com a esquerda, e de mãos dadas com os raivosos integrantes do Movimento Brasil Livre – MBL nas críticas ao Presidente Bolsonaro. O NOVO tem promovido processos disciplinares inquisitórios, que já levaram à expulsão do Partido figuras importantes no cenário político, como o ex-ministro Ricardo Salles, o Dep. Estadual Bartô/MG e o Dep. Estadual Alexandre Freitas/RJ, conhecidos por suas posições aguerridas e respeitados entre seus pares.

Assim foi também que nas últimas eleições de 2020, quando o NOVO tinha tudo para crescer e se consolidar no Estado de Minas Gerais, após a inesperada vitória de Romeu Zema em 2018, a legenda disputou apenas as prefeituras de Belo Horizonte, Contagem e Araxá, não arrematando nenhuma delas. Um verdadeiro fiasco nas urnas, causado pelo seu próprio dono, que impediu o Partido de disputar prefeituras em cidades importantes do Estado, sob o falso argumento de que não queria um crescimento desordenado em MG.

Foi João Amoêdo quem conteve o crescimento e a expansão do NOVO em terras mineiras, através de seus vassalos no diretório nacional do Partido. Talvez incomodado com o cacife político do Governador Zema, que poderia se tornar uma ameaça às suas pretensões de se lançar novamente candidato em 2022, numa fantasiosa composição de terceira via. E é ele quem continua dando as cartas, decidindo sozinho os rumos da legenda.

A verdade é que o Partido alaranjado está à deriva faz tempo, como uma nau sem rumo, onde um de seus fundadores é também o seu dono e mentor, senhor absoluto da razão e inquestionável ser supremo, mas jamais um líder dos verdadeiros liberais.

Obrigando o NOVO a se declarar oficialmente contra o governo federal, e pedindo abertamente o impeachment de Bolsonaro, Amoêdo só fez aumentar a ruptura interna na instituição. O Partido, que segue encolhendo e enfrentando seus próprios demônios, ficou totalmente rachado após a discussão do voto auditável no Congresso Nacional, quando o patrão foi a público reclamar dos 5 deputados federais, da bancada de 8, que votaram a favor da transparência nas urnas.

“Hoje, mais uma vez, assistiremos deputados que foram eleitos pelo NOVO se posicionando contra o que defende a instituição”, bradou ferozmente o arrogante Amoêdo em suas redes sociais. Só faltou dizer que a instituição é ele próprio.

Apesar de João Amoêdo estar exercendo seu direito de manifestar-se livremente, mesmo não se dando conta de ser essa a maior ameaça que estamos enfrentando com a ditadura do Judiciário, não há como negar que politicamente é um engodo completo. É sem dúvida a laranja podre do NOVO30, que se propõe um partido de idéias, princípios e valores, mas que já afastou e continua afastando valiosos apoiadores da causa liberal!

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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