Episódio envolvendo treinador do Cruzeiro levanta o debate: É o momento do futebol?

Esporte precisa retomar o protagonismo social no momento em que a pandemia avança no país.

Episódio envolvendo treinador do Cruzeiro levanta o debate: É o momento do futebol?
Atletas do Cruzeiro durante reapresentação para a temporada 2021. (Igor Sales / Cruzeiro)
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Na última segunda-feira (14), os jornais estamparam em um único tom: Treinador do Cruzeiro é detido após desacato a autoridade de fiscalização. Marcelo Frigério, o Tchelo, foi conduzido à delegacia após se exaltar e proferir palavrões a equipe de fiscalização das medidas contra Covid-19 na cidade de Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O treinador teria faltado com respeito a uma mulher que integrava a equipe. O episódio ocorreu na sexta-feira (12), mas se tornou público apenas no começo desta semana.

De acordo com o boletim de ocorrência, o desentendimento ocorreu após a equipe de fiscalização chegar ao Estádio Municipal Antônio Moreira Duarte, o Curumim, para conter a aglomeração de pessoas no local, causada pelas atletas da equipe celeste. Segundo o registro, muitas das jogadoras estavam sem máscaras. A conduta da equipe de fiscalização teria desagradado as atletas e o treinador, o que teria motivado a discussão.

Boletim de Ocorrência registrado após desacato envolvendo o treinador Marcelo Frigério.


Em nota, o Cruzeiro lamentou o ocorrido e disse que tomará as providências para preservar seus profissionais e as suas atletas. O clube também reforçou que apoia as medidas de enfrentamento à Covid-19 e a luta para que mulheres ganhem cada vez mais voz e espaço. Marcelo Frigério também publicou um pedido de desculpas. Em sua rede social, Tchelo lamentou a forma como foi conduzida a ação e afirmou ter se excedido durante a abordagem dos fiscais.

Diante das inúmeras interpretações que o ocorrido nos provoca, uma delas não pode passar por despercebida: é seguro continuar com o futebol à medida que a pandemia avança em Minas Gerais e em todo o Brasil? Os protocolos adotados para os treinamentos e os jogos são seguros? É moral seguir com a modalidade esportiva no momento em que vários estabelecimentos comerciais, considerados não essenciais, estão fechados como parte de medida de contenção ao avanço de novos casos? Qual o papel do esporte no enfrentamento a doença?

Ontem (16), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, publicou um decreto em que todo o estado deverá adotar a Onda Roxa, com medidas mais restritivas a fim de conter o avanço da pandemia. Nesta fase, apenas serviços essenciais podem funcionar e somente pessoas que trabalham nessas atividades podem circular pelas ruas das cidades. Em nota, o governo informou que eventos esportivos, ainda que sem público e com transmissão televisa, serão suspensos a partir da próxima segunda-feira (22/3). A decisão, no entanto, não deixa claro se os treinamentos das equipes esportivas poderão continuar.

Taxa de ocupação de leitos UTI para adultos em MG está em 85%.
Credito: FioCruz

A decisão veio no momento em que o estado tem 980.687 casos de Covid-19 confirmados e 20.715 óbitos, conforme dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde, publicado na terça-feira (16). A ocupação de leitos UTI Covid para adultos em MG, conforme levantamento da FioCruz, está em 85%. Ontem, o país também registrou recorde em número de óbitos. Foram 2.842 óbitos confirmados nas últimas 24h.

Os números apontam para um momento extremamente delicado e nunca antes vivido durante a pandemia. As medidas sanitárias são necessárias e não só o futebol, mas o esporte como um todo, deve assumir seu protagonismo social.  Além de vacinação, precisamos de união, empatia e sacrifício. Afinal, sem essas medidas, quando tudo isso passar, a vida não voltará ao normal se não tivermos por perto aqueles que tanto amamos.

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