Falar mal dos outros

Coluna Confusão - José Francisco Resende

Falar mal dos outros

 Alô a todos.

Neste fim de semana aproveito para abordar um dos maiores males da nossa vida. A velha mania de falar mal das pessoas.

É preciso observar que o “fofoqueiro” é um ser desprezível que não tem amor próprio e muitas vezes atrapalha sua própria existência com um dos órgãos mais poderosos do seu corpo: - a língua.

Freud é o autor de uma frase antológica sobre o tema:

“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, essa frase diz não somente o sentido próprio dela. Diz também que quando falamos do outro, existe algo de muito nosso naquilo. Em partes isto é óbvio, mas nem sempre nos damos conta.

Vamos exemplificar essa verdade quase absoluta: Se o homem se separa de uma mulher e adquire o hábito de falar mal dela, muitas questões nos vêm à mente: Será que a mulher é tão ruim assim? Será que esse sujeito é “corno” e está tentando justificar seu desentendimento com sua namorada, sua esposa? Será que ele é tão bonzinho assim? E para piorar a situação (ou não) se os dois reatam o relacionamento, onde está o erro?

Quando alguém vem falar comigo mal a respeito desta ou daquela pessoa, fico me perguntando sobre os detalhes dessa situação: - Será que só um errou ou ambos erraram?

E me vem a desconfiança: - Se essa pessoa fala mal do outro na sua ausência, será que ele não é capaz de falar mal de mim na MINHA ausência?

O que fica nesta situação é que aquele que se cala é muito mais sábio do falante do mal.

Não julgo ninguém, mas me causa estranheza alguém falar mal de quem quer que seja sem que o outro possa se defender.

Muitas vezes colocamos rótulos nos outros que são nossos rótulos. Então, mais uma vez expomos as nossas fraquezas quando falamos demais.

Meu julgamento interno não me deixa em paz quando ouço que fulano é assim, ou assado, que fez a maldade X ou cometeu este ou aquele erro.

Na política, quando um candidato mantém o discurso de apenas falar mal do seu oponente, me vem na mente que ao invés disso, deveria apresentar soluções. São os famosos “engenheiros de obras prontas”, que apenas criticam sem apresentar saídas ou projetos.

Na sociedade, vejo com absoluta desconfiança aqueles que têm sempre uma palavra, uma frase desconstrutiva sobre os outros. É um indivíduo pior que aquele que só fala bem de si mesmo, conta histórias onde sempre são heróis. E o pior é como disse o menestrel Osvaldo Montenegro: - “É um chato. Que conta tudo tim tim por tim tim e depois ainda entra em detalhes” ...

O silêncio é a forma mais sábia do relacionamento humano. A fala é sempre uma faca de dois gumes que corta dos dois lados: O outro e nós mesmos.

Fica, portanto, o convite ao silêncio, quando nada de bom temos a dizer. Somos donos do nosso silêncio e escravos das nossas palavras.

Vivamos melhor, sem causar confusão desnecessária, brigas sem sentido. Desavenças que podem (e devem) ser evitadas.

Bom final de semana a todos.

Até a próxima semana!

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