Gracias Maradona!

A despedida de um brasileiro, amante do futebol e admirador do argentino.

Gracias Maradona!

Por Cézar Vouguinha Cunha

"Querido Dieguito,

Para os amantes do futebol, existiam até ontem duas datas que não queríamos que chegassem. Na verdade, era difícil imaginar que chegariam. Mas infelizmente uma delas chegou. Não nasci argentino, estou do lado de cá da fronteira e minha certidão trás o Brasil como nacionalidade. Mas pelos seus pés rasurei a obrigação de sempre vestir verde e amarelo nas Copas.

Você não foi exemplo fora de campo. Isso não se discute. Como não se discute a sua genialidade dentro dele. Ontem, quando recebemos a notícia de sua partida, lágrimas escorreram por todo o mundo e isso mostra o tamanho de sua grandeza. Já se foram 23 anos de sua despedida dos gramados. O seu apito final chocou a todos, como todos aqueles dribles contra os ingleses em 86. Foi assim que nós, amantes da bola, nos sentimos: incrédulos com o que víamos nos noticiários, como naquela Copa.

Da mesma maneira que era impossível acreditar que um baixinho driblaria todo um time desde o meio de campo, também era impossível crer na frase, “morre Diego Maradona”. Mas sabemos agora que é possível, como foi no México. Você era daqueles que fazia o impossível. E fez.

No esporte você mostrou ao mundo o que era bom e o que era ruim. O que era certo e o que era errado. Você pode não ter sido o melhor, foi simplesmente Diego Armando Maradona. Um latino americano, argentino, apaixonado pelo futebol e pelo seu povo. Fez da bola sua companhia e uma nação te fez “Dios”. E das mãos Dele veio o auxílio mais providencial de sua carreira, que você carregou com glória e tocou dias depois na sua maior conquista, o Mundial.

A sua morte não te transforma em santo, mas exalta que você não tinha apenas fãs, e sim devotos. O mundo do futebol agradece por tudo que fez, o nosso continente se alegra de ter o Rei e o “Dios”. Agradecemos por todo o carinho com “la pelota” e por deixar lances para a eternidade. Independente de cores, bandeiras e rivalidades, dificilmente teremos um nome tão forte como o seu. E já não restam dúvidas que ele ecoará para sempre nos estádios portenhos...

“Olê, olê, olê, olê... Diego, Diego...”

GRACIAS DIEGO!