Imersão na História da Arte - Parte V

História, Curiosidades, Reflexões - Coluna Meg E.

Imersão na História da Arte - Parte V
A Liberdade Guiando o Povo - Eugène Delacroix

Idade Contemporânea

A Idade Contemporânea se divide cronologicamente na História, no período que compreende o início da Revolução Francesa, marcada pela queda da Bastilha (14 de julho de 1789) até os dias atuais.

Essa divisão cronológica, feita pelos historiadores europeus, representava aquilo que eles consideravam a História da Humanidade, desde a pré-história até a Idade Moderna e finalizando nos acontecimentos ocorridos na Europa, iniciados pela Revolução Francesa (era contemporânea). Historicamente, esse evento marcou a ascensão da burguesia e a consolidação do Iluminismo, movimento mais intelectual que artístico.

Características principais:

  • Consolidação do capitalismo
  • Amplo desenvolvimento industrial e tecnológico
  • Ascensão política e econômica da burguesia
  • Consolidação do regime democrático
  • Disputas territoriais, mercados consumidores e fontes de matéria prima pelas potências europeias
  • Despontamento dos Estados Unidos como grande potência
  • Globalização da economia

A era contemporânea mostra um mundo que passou, desde então, por profundas transformações sociais, culturais, políticas e econômicas.

Arte na Idade Contemporânea

Época de revolução artística, surgimento da vanguarda com uma linguagem mais de acordo com a nova sociedade do século XX. Conhecida também como arte pós-moderna, seus principais artistas criaram um método artístico baseado em uma nova filosofia de vida.

Característica principal: liberdade de expressão, crítica a cultura usando do humor, linguagem e vocabulário escandalosos.

A arte se concentra no mundo interior de seus personagens, no sensível, no conceitual e na linguagem das formas. Utiliza o inconsciente, a reconstrução mental do trabalho.

As pinturas e esculturas caminham para o abstrato, criam desenhos geométricos. A escultura, abandona a simetria para dar lugar à assimetria.

Depois da Revolução Francesa várias mudanças culturais e intelectuais surgiram junto com as transformações econômicas, sociais e políticas da revolução burguesa e a revolução industrial, refletindo nos movimentos artísticos da época.

Muitos estilos acompanharam as mudanças, exprimindo uma arte que fugia das convenções estéticas.

Estilos

  1. Romantismo: movimento artístico, político e filosófico que surgiu no século XVIII, na Europa e durou até meados do século XIX. Opunha-se ao Iluminismo, classicismo e racionalismo. É um estilo de época caracterizado por subjetividade, nacionalismo, exagero sentimental, idealizações, sofrimento amoroso, bucolismo. Os artistas libertavam-se do clássico e mergulhavam numa arte mais espontânea, viva e pessoal. Exemplo excepcional foi Goya, pintor espanhol, que retratou diversos temas nas suas pinturas, usou o desenho de forma variada e suas gravuras refletiam transformações históricas contemporâneas. Suas obras contém uma variedade de estilos, abrangendo retratos, paisagens, cenas mitológicas, guerras, homens, religião, deuses e demônios, feiticeiros e um pouco do obsceno.

Características:

  • Egocentrismo – o indivíduo como centro do mundo
  • Sentimentalismo – exaltação dos sentimentos pessoais do indivíduo
  • Nacionalismo – incentivo exacerbado do amor pela pátria e a criação de um herói nacional
  • Idealização – o amor e a mulher amada são idealizados
  • Tom depressivo – desejo de fugir da realidade, seja pelo sonho, pela arte ou pela morte
  • Oposição ao clássico – fortalecimento da burguesia, extrapolando as regras impostas pela Corte

O marco inicial do romantismo na literatura, se deu pela publicação do romance de Goethe, em 1774 – “Os sofrimentos do jovem Werther” na Alemanha.

Na Inglaterra, iniciou-se com a poesia romântica de Lord Byron e o romance de Walter Scott – “Ivanhoé”.

Em Portugal, a publicação de Almeida Garret, em 1825 – “Camões” marcava o início desse movimento.

Os marcos iniciais no Brasil são as obras de Gonçalves de Magalhães – “Revista Niterói” e “Suspiros poéticos e saudades” ambas de 1836.

Na prosa, destacou-se José de Alencar – “Iracema” e “O Guarani”.

De grande destaque também foram Gonçalves Dias – “Segundos Cantos”, “Os Timbiras” e “Cantos”, Álvares de Azevedo – “Lira dos Vinte” e “Noite da Taverna” e Castro Alves – “Espumas Flutuantes” e “Os Escravos”.

  1. Impressionismo: termo aplicado em diferentes artes como a música e a literatura, foi na pintura que teve sua maior relevância. Desenvolvido na Europa, a partir da segunda metade do século XIX, principalmente na França, na chamada Belle Époque cujo nome veio derivado da obra de Claude Monet, “Impressão: nascer do sol”. Caracterizava-se por pinturas com registro de tonalidade das cores que a luz do sol produz em determinados momentos, figuras sem contornos nítidos, sombras luminosas e coloridas, misturas das tintas diretamente na tela, com pequenas pinceladas. O olhar do artista buscava expressar sensações do que viam, pelo contraste da luz e relevos de tinta. Os objetos eram retratados como se estivessem totalmente iluminados pelo sol, valorizando a cores da natureza. Claude Monet, Édouard Manet, Edgar Degas, Paul Cézanne, Henri Matisse, Pissarro e Pierre-Auguste Renoir são a expressão máxima desse movimento, através de obras importantes e consagradas.
  2. Modernismo: corrente de renovação artística desenvolvida no final do século XIX e início do século XX.

Recebeu diversas denominações: Art Nouveau (na Bélgica e França), Estilo Moderno (na Inglaterra), Secession (na Áustria), Jugenstil (na Alemanha e países nórdicos), Liberdade ou  Floreale (na Itália) e Modernismo (na Espanha).

Cada país teve sua característica distinta, apesar de serem parte de uma mesma corrente, distinguindo-se pela criatividade, refinamento e o desejo por conhecer outras culturas e costumes.

Liberdade de expressão, subjetividade da obra, ruptura com os padrões estéticos do passado permeiam as obras e conferem aos seus artistas um desejo de romper com o tradicionalismo e se livrar dos paradigmas.

No Brasil foi maravilhosamente representado por obras consagradas de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

A historiografia oficial que temos como ponto de partida do Modernismo no Brasil é a Semana da Arte Moderna, que junto como os cinco do Modernismo (citados acima) serão merecedores de uma coluna especial.

  1. Vanguarda: vanguarda vem da palavra francesa avant-garde, termo militar que designa a parte mais avançada do exército, ou seja, “linha de frente”.

Uma série de movimentos artísticos, no início do século XX, denominaram as vanguardas históricas, por meio de inovação, renovação radical de forma e conteúdo, exploração da relação entre arte e vida e reinvenção da arte, em contrapartida aos movimentos anteriores.

Características:

  • Atitude provocativa, em manifestos contrários a toda arte até então produzida
  • Surgimento do dadaísmo, futurismo, cubismo, construtivismo, ultraismo, surrealismo
  • Exercício da liberdade individual e da inovação
  • Audácia e liberdade das formas
  • Natureza experimental
  • Busca da felicidade, pelo artista, através das respostas a tantas novidades
  • Abandono dos velhos temas que não se adequavam ao novo homem
  • Poesia simbólica
  • Versos com maior liberdade expressando seu mundo interior
  • Novos temas, linguagem poética, revolução formal, desaparecimento da anedota
  • Aprofundamento do mundo interior dos personagens
  • Importância do tempo psíquico e não do cronológico

A arte contemporânea despontou na exploração de novas linguagens, novas técnicas e experimentações, prestigiando a atitude do artista, priorizando sua liberdade criativa, profundamente.

Na ruptura com os aspectos modernos, ela despontou configurando uma nova mentalidade artística. O artista transita entre a técnica e o conceito, através da dança, da música, teatro, escultura, arquitetura, literatura e pintura.

A Arte Contemporânea perdura até os dias atuais e através das bienais que atualmente reúnem artistas do mundo todo, ela se destaca na produção e divulgação de todo tipo de arte.

Pela diversidade dos estilos e ampliação da linguagem artística ela está presente nos avanços tecnológicos, como a corrida espacial, consciência ecológica e reaproveitamento de materiais. A arte contemporânea se mostra na sustentabilidade, avanço da globalização em produções reflexivas e perceptivas. Se associa à ideia de comunicação e não de consumo.

Pop Art, Arte Conceitual, Arte Digital, Fotografia, Arte Urbana/Street Art e Arte Cinética exemplificam alguns de seus movimentos.

Andy Warhol, Bansky, Jean Michel Basquiat e tantos outros, são artistas com obras reconhecidamente contemporâneas.

No Brasil, destacam-se Hélio Oiticica, Romero Britto, Ferreira Gullar, Amilcar de Castro, entre outros.

Na complexidade dos sentimentos, pensamentos, a arte contemporânea nos chama a um aprofundamento de sensibilidade, entendimento da obra, nos abrindo a incontáveis possibilidades e desafios onde nos conectamos e vemos maneiras diferentes do mundo a nossa volta, através dos olhos, mãos, palavras e coração dos artistas.

Meg E.