Léo Paixão desabafa após novo decreto em BH

Renomado chef mineiro critica posição da prefeitura e lamenta pelo setor de bares e restaurantes.

Léo Paixão desabafa após novo decreto em BH
Divulgação

Durante o isolamento social que o país viveu este ano, o brasileiro teve que se apegar a televisão para passar o tempo e distrair em meio ao caos. Um dos nomes que se tornaram ‘figurinha fácil’ nas residências brasileiras foi o do mineiro Leonardo Paixão, chef de cozinha que se destacou como um dos jurados do reality show Mestre do Sabor, da Rede Globo, e levou receitas fáceis para seus admiradores em seu perfil no Instagram (781 mil seguidores), especialmente o “Pão de Queijo do Paixão” que figurou na mesa de muitos pela praticidade da produção e um sabor caseiro inigualável. 

Sendo um dos principais nomes da culinária local, o chef é proprietário de casas conhecidas em Belo Horizonte, como Glouton, Nicolau, Nico Sanduíches e recentemente inaugurou o Ninita, mais precisamente há duas semanas. Todos estes estabelecimentos sofreram com as medidas de isolamento social e a rígida quarentena a que fomos submetidos. Com isso Léo utilizou suas redes sociais para desabafar sobre o novo decreto do prefeito Alexandre Kalil, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes a partir de hoje (7), definindo que o setor foi o mais castigado pelos administradores da cidade.

Na publicação o belo-horizontino critica a falta de fiscalização da PBH, questiona a eficácia desta nova medida, anuncia o fechamento temporário de uma de suas casas e o adiamento da abertura do Minas Jazz Bar, no Automóvel Clube.

O post teve mais de 49 mil curtidas e 4500 comentários, de apoio e solidariedade.
Confira o texto da publicação na íntegra:

“Segundo o decreto da prefeitura de Belo Horizonte, à partir do dia 07/12 fica proibida a comercialização e consumo de bebidas alcoólicas, em qualquer horário, em bares e restaurantes da cidade.

Somos o setor mais castigado pela nossa prefeitura. Neste momento em que caminhamos para a Lei Seca, já sofremos uma série restrições, dentre as mais severas: horário de funcionamento reduzido; espaçamento aumentado e limite de 4 ocupantes por mesa. Justo, pela segurança dos clientes.

Vamos fazer uma continha. No Glouton tínhamos 110 lugares , hoje tenho 60. Fazia giro 2, hoje faço giro 1.2. Só aí tive uma diminuição de 60% nas vendas. Como 1/3 de nossa venda é de bebida, com a nova medida, nosso encolhimento passa a 75%. Ou seja, temos a possibilidade de vender 25% do que vendíamos antes. Garçons vivem quase só dos 10% deste valor. Imagina como fica.

Quanto aos bares, a conta é mais nefasta. Infelizmente é inviável funcionar sem bebidas. Assim, à partir da semana que vem fecho, novamente, o Nicolau Bar da Esquina por tempo indeterminado. A abertura do Mina Jazz Bar, que seria 12/12, fica adiada pra algum dia, talvez.

Diante do aumento das internações e dos casos de COVID, é compreensível que a prefeitura tenha que tomar alguma atitude.

Centro da cidade cheio, ônibus lotados, comércio rodando à mil, véspera de natal. Seria minimamente razoável a prefeitura impor restrições a toda a economia. Contudo, existe um setor mais fraco e desorganizado. Do qual muitos não respeitaram as medidas. Não os julgo, estão tentando sobreviver ao tsunami. Ao invés de fiscalizar e aplicar as medidas cabíveis, a prefeitura optou por punir a todos: certos e errados. Um jato de mangueira em quem está afogando. E o pior: é impossível saber se essa medida surtirá efeito nos casos de COVID. Tenho minhas dúvidas.

E assim o setor mais punido da economia leva mais um golpe impiedoso da prefeitura, como se fôssemos os culpados por tudo. Muitos de nós não se levantarão após mais esta queda. Desemprego e miséria resultará desta decisão. A nós, só nos resta torcer e esperar que um lapso de bom senso guie a mente deste prefeito para que não destrua nossa preciosa gastronomia Belorizontina.”