Mais do que uma mania, coçar os olhos sistematicamente pode ser sinal de alergia

Dr. Leonado Gontijo alerta para sinais alérgicos.

Mais do que uma mania, coçar os olhos sistematicamente pode ser sinal de alergia
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Você coça os olhos com frequência? Para algumas pessoas, o ato de levar as mãos aos olhos pode ser apenas um tique repetitivo ou um incômodo momentâneo causado por um corpo estranho, como um pêlo de toalha. Mas essa ação, aparentemente inocente, pode indicar problemas que merecem atenção e uma consulta ao oftalmologista.

As alergias oculares são bastante comuns e devem ser tratadas com o especialista para que o quadro não evolua. Além do mais, a fricção constante em busca de alívio pode danificar a córnea. O tipo considerado mais brando é a conjuntivite alérgica, que afeta a conjuntiva (membrana mucosa que reveste a parte interna da pálpebra e parte do globo ocular), e pode ser perene ou sazonal – o clima seco da primavera e do verão e a exposição ao pólen podem desencadeá-la.

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Normalmente, a conjuntivite alérgica está associada à rinite, asma ou dermatite atópica. Cerca de 2/3 dos pacientes apresentam rinite alérgica. O tratamento consiste no uso de colírio antialérgico, desde que prescrito pelo médico, e podem ser feitas compressas frias com água filtrada ou soro fisiológico para aliviar o prurido.

A outra manifestação de alergia ocular é a mais grave. Trata-se da ceratoconjuntivite primaveril (CCP) que, apesar do nome sugestivo, persiste ao longo do ano. Essa doença afeta simultaneamente a conjuntiva e a córnea e traz muito incômodo. Se não tratada, pode deixar cicatriz nos olhos e ser uma porta de entrada para infecções, embora pouco frequente.

Junto à CCP os pacientes costumam ter ceratocone, uma degeneração progressiva da córnea que se caracteriza por um afinamento e deformação desta membrana, levando ao aparecimento de elevado grau de miopia e de astigmatismo irregular, baixa visão e extrema sensibilidade à luz. Por se tratar de uma doença degenerativa, o ceratocone não tem cura, mas controle.

IOMG - Instituto de Olhos Minas Gerais

O tratamento da ceratoconjuntivite primaveril é complexo e demorado, pode durar meses ou até anos. É necessário usar corticoide, antialérgico oral e outras drogas modernas, como o tacrolimus tópico, um imunossupressor de efeito potente. Importante destacar que os corticoides são muito eficientes no controle das alergias, principalmente as mais graves, mas tem diversos efeitos colaterais indesejáveis, entre eles, aumento de pressão ocular e desenvolvimento de catarata precoce. Portanto, deve ser usado com muita cautela e acompanhado rigorosamente pelo oftalmologista.

Qualquer que seja a alergia ocular é primordial uma consulta ao oftalmologista, principalmente quando acomete crianças. Criança que coça muito os olhos costuma ser um indício de desenvolvimento do ceratocone, e quanto mais cedo o diagnóstico, tratamento e acompanhamento, melhor será para a qualidade de vida do paciente.