Alívio parcial, incertezas mantidas
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia como positiva — embora ainda limitada — a redução parcial das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A medida representa um avanço inicial nas negociações, mas não elimina as principais dúvidas entre exportadores mineiros, especialmente em relação à continuidade da sobretaxa de 40%, que permanece em vigor e segue prejudicando a competitividade de setores estratégicos, como carnes e café.
Segundo a entidade, essa tarifa adicional mantém pressão sobre a indústria de Minas Gerais, que depende fortemente do desempenho dessas cadeias produtivas no comércio exterior. A permanência do encargo, mesmo após a revisão anunciada, limita os efeitos práticos da iniciativa americana e impede que os produtores recuperem, por completo, o espaço perdido no mercado internacional.
Impacto ainda incerto para a indústria mineira
A FIEMG ressalta que o comunicado dos Estados Unidos não detalha totalmente o alcance da revisão tarifária, o que gera dúvidas sobre quais produtos, de fato, serão beneficiados.
Para setores em que o Brasil é fornecedor relevante para o mercado americano, a falta de clareza aumenta a apreensão e compromete o planejamento de exportações nos próximos meses.
Na avaliação da Federação, os impactos concretos da medida só poderão ser mensurados após a divulgação de novas diretrizes ou após os primeiros embarques sob as novas regras. Até lá, o cenário permanece indefinido, exigindo prudência dos exportadores.
“Passo importante, mas insuficiente”, diz presidente da FIEMG
O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, reforça a percepção de que, apesar de representar uma abertura ao diálogo, a decisão norte-americana não resolve as distorções tarifárias enfrentadas pela indústria mineira.
“É um passo importante, mas ainda insuficiente. A decisão mostra disposição ao diálogo, porém é necessário avançar mais para remover todas as barreiras adicionais e restabelecer condições adequadas de competitividade para a indústria mineira”, afirma Roscoe.
Ele destaca ainda que a tarifa extra continua elevando o custo do produto brasileiro nos Estados Unidos, reduzindo a margem dos exportadores e dificultando a disputa por mercado com concorrentes de outros países.
Federação continuará pressionando por negociações
A FIEMG informa que seguirá acompanhando de perto a evolução das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano. A entidade pretende reforçar, em Brasília e junto ao setor produtivo, a necessidade de continuidade no diálogo bilateral, com o objetivo de ampliar a redução tarifária e eliminar as barreiras que ainda comprometem as exportações mineiras.
Segundo a Federação, garantir condições mais justas de competição no mercado internacional é fundamental para fortalecer a indústria do estado, preservar empregos, ampliar investimentos e assegurar o crescimento sustentável das cadeias produtivas que dependem do comércio exterior.
Com isso, a FIEMG reforça que vê na medida um avanço, mas mantém a defesa por cautela e por esforços contínuos de negociação, até que todas as barreiras sejam efetivamente removidas e o setor produtivo mineiro possa competir em igualdade de condições.
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