O “Arrastão” vai te pegar!

Sucesso nos carnavais de BH, Felipe Hott comemora carreira e fala sobre retorno aos palcos.

O “Arrastão” vai te pegar!
Túlio Barros

Os últimos anos do carnaval de Belo Horizonte foram de muito sucesso e até estranhamento de seus moradores com tamanha explosão.  A cidade que dormia enquanto a folia tomava conta do país, de repente se transformou em uma das capitais mais procuradas como destino de diversão e alegria. E foi nesse embalo que um nome despontou em BH. Sorriso fácil, gingado em dia e estilo próprio, em cima de um trio elétrico aparecia um belorizontino capaz de arrastar multidões. Quatro letras para não deixar ninguém parado: Hott.

Cantor desde os quinze anos, hoje com 27, Felipe Hott é de BH e sempre viveu da sua arte. Inspirado pelo avô, instrumentista que sempre lhe apresentou as novas notas, o artista mineiro vive seu melhor momento da carreira após estourar no carnaval da cidade e realizar em plena pandemia o maior de seus eventos: uma live de apresentação do uniforme do clube do seu coração. Retomando aos poucos, e com muito cuidado, a sua agenda de shows, Felipe conversou com a gente sobre a volta aos palcos, o drama que o setor enfrenta e o sucesso do seu bloco, “Arrastão do Hott”.

“Sempre fui louco com a música. Curto de tudo um pouco, me considero eclético e quem me acompanha sabe, mas o axé e o pagode enchem meu coração!” definiu o cantor que aos dezesseis anos lançou, com outros integrantes, a banda local Sem Limites. Há quatro anos uma ideia mudaria o rumo de sua carreira e inclusive de BH, que passaria a ter um dos maiores blocos de carnaval da cidade, o Arrastão do Hott: “A ideia foi de um grande amigo, Vitor Colares, e surgiu com o sucesso total que fizemos na região do Dona Clara, no Ciência do Espeto e Premiere, locais que eu tocava aos domingos e fazíamos a “Via Sacra”. Pessoal ia de um bar para o outro me acompanhando. Daí centenas de pessoas virou milhares, e o nosso bloco bateu 180 mil pessoas esse ano. Surreal viver isso!”, comemorou.

Com o sucesso do Arrastão o telefone não parou de tocar. A agenda passou a ter cada vez menos datas e o DDD nem sempre era 031. “Nossa carreira cresceu muito depois destes três carnavais. Já passamos por muitas cidades do interior mineiro, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, e temos procura de todo o país. Tudo mudou muito, além disso existem as redes sociais que te colocam em uma condição ampla de divulgação. Somando a isso, a responsabilidade também aumentou bastante já que o público quer algo daquela grandeza e esperam muito de nós”.

LIVE DO GALO COM GABI MARTINS

Em julho deste ano, em plena quarentena, Hott vivia uma simples rotina de ficar em casa e realizar lives via Youtube e Instagram. De repente um chamado irrecusável apareceu: o convite para tocar na live de lançamento do novo uniforme do Atlético, direto da Cidade do Galo, ao lado da ex-bbb e cantora Gabi Martins. “Foi uma coisa inexplicável. Um dos principais momentos da minha carreira sem dúvida alguma. Consegui unir meu trabalho, que sou apaixonado, e meu fanatismo pelo Galo. Sou torcedor doente e nunca escondi essa paixão pelo clube. Quando chegou o convite nem consegui acreditar. Aquele torcedor de arquibancada, que fazia viagens atrás do time, de repente estava apresentando o novo manto, e em um formato totalmente novo, virtual, através de uma live. Fui muito bem recebido no CT, me deixaram em casa, literalmente!”, conta o atleticano cheio de orgulho, apesar do momento conturbado que vivia o Brasil.

Divulgação Atlético

A pandemia afastou Hott do que ele mais gostava: o calor do público, mas a maior tristeza foi viver de perto, com pessoas tão queridas, a crise financeira gerada pelo Covid-19 no setor. “Pessoalmente nunca imaginei viver algo assim. Inimaginável ficar sete meses sem poder trabalhar. A pandemia para mim foi como uma lição de vida. No nosso setor quem mais sofreu foi a classe menos favorecida, pessoal da produção, equipe técnica. Não é só o cantor que para de trabalhar, são os profissionais de uma equipe, que precisa levar dinheiro para suas famílias e inclusive o sustento próprio. E pra piorar, somos uma classe muito esquecida pelo sindicato e responsáveis gerais. Para amenizar o estrago realizamos diversas lives beneficentes para ajudarmos a nossa própria classe. Conseguimos arrecadar milhares de mantimentos e isso foi um alento”, desabafou.

RETOMADA DE SHOW

Com a flexibilização em novas fases, o cantor e sua equipe estão retomando a agenda de shows e o trabalho com o novo normal. “Já estamos de novo na estrada, estivemos recentemente no Rio, onde já está mais flexível. Em BH participei de alguns shows menores, versão acústica. Mas temos que ter muito cuidado, apesar do pior já ter passado. Seguir as normas e unir forças para que o setor de entretenimento volte a funcionar tranquilamente”.