O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT

Líder do segmento de utilitários esportivos em abril, Fiat Pulse cresce embalado pela versão Drive CVT, a mais barata com câmbio automático

O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT
Luiza Kreitlon/AutoMotrix
O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT
O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT
O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT
O valor do preço: Teste do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT

Quando chegou ao mercado, há seis meses, o Pulse já dava todas as pistas de ser uma aposta vencedora da Fiat. Desde o lançamento do primeiro utilitário esportivo compacto da marca italiana no Brasil, com cinco versões de acabamento e duas opções de motorização, ficou claro que o estreante motor 1.0 GSE turbo, apresentado comercialmente com a denominação Turbo 200, era o destaque. Ganhou “status” de estrela nas campanhas publicitárias de lançamento junto com a versão Impetus, a mais equipada do SUV. Contudo, nas concessionárias, boa parte dos interessados na Impetus Turbo 200 encontrou um obstáculo – o preço da configuração “top”, que na época era R$ 115.990 e atualmente já parte de R$ 125.590. Assim, muitos dos que pensavam em comprar um Pulse Impetus acabam optando pela versão Drive – que, segundo o site da Fiat, começa em R$ 89.990 com câmbio manual e em R$ 98.290 com o automático CVT. Como o câmbio automático tornou-se um item altamente desejável no segmento de SUVs, o Pulse Drive CVT se transformou em um puxador de vendas. Com poucas diferenças estéticas exteriores e movido pelo motor 1.3 Firefly Flex aspirado, o Drive CVT aparentemente aproveita melhor o preço, cerca de 22% menor que o da Impetus. Contudo, a diversidade de versões ajudou o Pulse a ganhar gradativamente posições no mercado. Começou o ano na quinta posição no segmento de utilitários esportivos compactos. Em abril, com os números finais de vendas mensais ainda em consolidação, assumiu a liderança entre os SUVs, com 5.507 emplacamentos. Superou o Volkswagen T-Cross (4.544), Chevrolet Tracker (4.381), o Hyundai Creta (4.245) e o Jeep Renegade (4.141), que disputaram o protagonismo no segmento mais novidadeiro do mercado brasileiro nos últimos tempos.

Com seus 4,09 metros de comprimento, 1,57 metro de altura, 1,77 metro de largura, 2,53 metros de entre-eixos e um estilo desenvolvido pela equipe do Design Center South America da Stellantis, o Pulse tem alguma personalidade nas suas linhas. Porém, é difícil não associá-lo a um Argo “anabolizado” – o hatch compartilha a plataforma com o SUV. A ampla grade frontal estampa o logo da marca, com a singela “Fiat Flag” (pequena bandeira italiana estilizada) no canto inferior direito. Na Drive, alguns cromados das versões mais caras dão lugar a acabamentos em preto. Os faróis de leds são afilados, com friso cromado de lado a lado. Abaixo, fica uma segunda entrada de ar, com nichos para os faróis auxiliares de neblina de leds das configurações Audace e Impetus – item ausente nas Drive, que ostentam uma tampa preta no local. O para-choque elevado amplia o ângulo de entrada. O aspecto “musculoso” é preservado na lateral, com grandes arcos em torno dos para-lamas e rack longitudinal no teto. As portas da linha Pulse são idênticas às do Argo. As rodas de liga leve de 16 polegadas (as das versões “tops” são de 17) e a suspensão elevada valorizam o design de utilitário esportivo. Na traseira, as lanternas tridimensionais em leds têm perfil elevado e o spoiler do teto amplia a sensação de tamanho.

Mas a maior diferença das versões Drive e Drive CVT para as demais está sob o capô. Elas são equipadas com o motor 1.3 Firefly Flex de quatro cilindros aspirado, de 107 cavalos de potência e 13,7 kgfm de torque, já adotado em outros modelos da linha Fiat. As configurações Audace e Impetus trazem o novo motor 1.0 flex tricilíndrico com turbocompressor e injeção direta, que rende 130 cavalos e 20,4 kgfm com etanol. As versões com o 1.3 Firefly recebem o câmbio manual de seis marchas ou o automático de sete velocidades.

Em termos de equipamentos, o Pulse Drive CVT vem com quatro airbags, ar-condicionado digital e automático, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos nas quatro portas, travas elétricas, retrovisores externos com ajuste elétrico, volante multifuncional, central multimídia com tela de 8,4 polegadas com conexão para Android Auto e Apple CarPlay sem a necessidade de cabo (traz entradas USB e USB do tipo C). Como opcionais, há três tipos de pacotes. O Pack Multimídia incorpora tela de 10,1 polegadas para a central e sistema de navegação nativo. O Pack Plus agrega carregamento do smartphone por indução e câmera de ré. O Pack Connect Me aplica o sistema Connect Me e a navegação inteligente embarcada. Todavia, com os opcionais, o Pulse Drive CVT perde uma de suas características mais atraentes – ser um SUV com câmbio automático “sub 100”. Está cada vez mais difícil encontrar modelos com essa configuração por menos de R$ 100 mil. Ficar abaixo dessa “barreira psicológica” certamente é um dos fatores que embalam as vendas da versão.

Experiência a bordo

Sem tanta pompa

O espaço interno do Pulse é correto para um utilitário esportivo compacto. Os revestimentos da versão Drive são bem mais simples que os da Impetus, e os bancos têm apoio lombar e boa ergonomia, mas são revestidos em tecido – sem o couro artificial adotado na “top”. O forro do teto é em preto e há apliques em tons cinza nas maçanetas internas. O painel é simples, porém, tem computador de bordo completo. O multimídia tem tela de 8,4 polegadas e manopla de câmbio tem uma borda prateada, mesmo tom usado ao redor dos comandos do volante, que não tem couro e nem aletas para trocas de marchas. Abriga, no entanto, o botão que aciona o modo “Sport”, os comandos do som e do computador de bordo.

O acionamento da ignição do Pulse Drive CVT é por chave e a coluna de direção não tem regulagem de profundidade, somente de altura. O porta-malas tem 370 litros, razoável para o segmento. Na traseira, o espaço é bom para dois adultos – um terceiro fica sempre com os pés sobre o túnel central. Para quem se dispuser a pagar mais, os pacotes de opcionais podem agregar parte de conectividade e dos recursos das versões mais caras.

Impressões ao dirigir

Razões não emocionais

A versão Drive CVT não é a mais instigante do Pulse, mas é compreensível que esteja entre as mais vendidas do modelo. O motor 1.3 Firefly Flex aspirado de quatro cilindros é um velho conhecido, já com as novas normas de emissões do Proconve L7. Por conta disso, é ligeiramente mais fraco em relação ao 1.3 Firefly que já equipa outros modelos da marca, como o hatch Argo, o sedã Cronos e a picape Strada. No Pulse, gera potência de até 98 cavalos com gasolina e 107 cavalos com etanol e torque de 13,2 kgfm com o primeiro combustível e 13,7 kgfm com o segundo. Com esses números, a Fiat aponta uma aceleração de zero a 100 km/h em 12,2 segundos com gasolina e 11,4 segundos com etanol. Nas acelerações, pelos dados da Fiat, o Pulse Impetus fez de zero a 100 km/h em 9,9 segundos. Já em termos de consumo, a Drive CVT se dá bem. Conforme o Inmetro, fica em 9,2 km/l com etanol e em 12,9 km/l com gasolina na cidade e em 10,4 km/l com etanol e em 14,3 km/l com gasolina na estrada.

Na Drive CVT, todo o conjunto é mais focado em conforto do que em performance. A direção elétrica tem boa resposta e a leveza adequada e os freios respondem bem quando solicitados. É possível ativar o botão “Sport” no volante, mas não há aletas para trocas manuais das marchas – elas podem ser feitas apenas na alavanca de câmbio. O modo “Sport” faz com que o motor passe a trabalhar em uma faixa de giros um pouco mais elevada. A direção elétrica se torna mais firme, o acelerador fica mais sensível e as retomadas se tornam ligeiramente mais ágeis. Controles de tração e estabilidade ajudam a manter a postura equilibrada do modelo. Em termos de suspensão, os engenheiros da Fiat optaram pelo conforto, entretanto, não abriram mão da consistência do conjunto. O SUV absorve bem as irregularidades do piso. Os bons ângulos de entrada (20,3 graus), de saída (31,4 graus) e distância em relação ao solo (22,4 centímetros) ajudam a transpor lombadas e valetas sem sustos. Apesar de mais “básica”, a Drive CVT traz itens valorizados pelo consumidor do segmento, como farol de leds e rodas de liga leve. Pelas informações obtidas em algumas concessionárias, embora esteja longe de ser um carro barato (nenhum carro novo é), a relação custo/benefício do Pulse Drive CVT aparentemente está convencendo muita gente.

Ficha técnica

Pulse Drive 1.3 CVT

Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros, 8 válvulas, 1.332 cm³

Potência: 107/98 cavalos a 6.250 rpm

Torque: 13,7/132 kgfm a 4 mil rpm

Câmbio: CVT, 7 marchas, tração dianteira

Velocidade máxima: 177 km/h

Direção: elétrica

Diâmentro de giro: 10,7 metros

Suspensão: independente MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira

Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira

Pneus: 195/60 R16

Rodas: liga leve, 16 polegadas

Peso: 1.187 kg

Dimensões: 4,10 metros de comprimento, 1,77 metro de largura, 1,57 metro de altura, 1,52 metros de entre-eixos

Porta-malas: 415 litros

Tanque: 52 litros

Preço: R$ 98.290