Olho no 44

A aliança entre DEM e PSL vai resultar no 44, o União Brasil.

Olho no 44
Reprodução

Nem 25 nem 17. O novo partido político anunciado na semana passada não terá o tradicional 25 do DEM, herdado do outrora PFL, muito menos o 17 do PSL, que livrou o país das garras do PT, levando Bolsonaro à presidência da República em 2018.

A aliança entre DEM e PSL vai resultar no 44, o União Brasil.

A fusão entre as duas legendas está criando o partido político mais poderoso do país. Terá inicialmente a maior bancada na Câmara dos Deputados (82), e será detentor das maiores verbas dos fundos eleitoral e partidário para o próximo ano.

O União Brasil será presidido pelo Deputado Federal Luciano Bivar, pernambucano, que também é o atual presidente, fundador e dono do PSL, cujas disputas internas acabaram afastando Bolsonaro da agremiação em 2019; e terá como secretário-geral o atual presidente do DEM, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

O anúncio do novo partido se dá num momento extremamente delicado da política brasileira, onde a polarização entre Bolsonaro e Lula nunca esteve tão acirrada, após o STF liberar o maior bandido da história do país para participar novamente das eleições presidenciais no ano que vem.

Ainda é cedo para dizer o que pretendem os mandatários nordestinos e o que vai se tornar a nova sigla, mas provavelmente não deverá contar com alguns membros atuais do DEM e PSL, apoiadores do presidente da República, e terá outros que vão permanecer, divididos entre grupos governistas e oposicionistas.

O União Brasil, porém, nasce com grande apetite, tendo entre seus objetivos ser a terceira via para 2022, lançando candidatura própria à Presidência da República. Os nomes já anunciados para a disputa interna são os do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do jornalista José Luiz Datena (PSL-SP).

Mas a consolidação de uma candidatura presidencial não será tarefa das mais fáceis, num partido com nomes tão ligados a Bolsonaro, como os ministros Onyx Lorenzini (Trabalho), Tereza Cristina (Agricultura), e ainda os parlamentares Marcos Rogério, senador pelo DEM-RO, e Sóstenes Cavalcante, deputado federal pelo DEM-RJ.

Segundo o ex-prefeito de Salvador, ACM neto, a solução será aprovar a candidatura presidencial num consenso interno, mas sem impor o apoio ao cabeça de chapa a todos os filiados. A idéia é que os integrantes do União Brasil se sintam livres para seguirem diretrizes locais na hora de determinarem seu voto para a Presidência da República. E quem estiver insatisfeito pode sair, no melhor estilo “a porta da rua é a serventia da casa”, emendou o baiano.

Atualmente, o PSL conta com 54 deputados federais, e o DEM tem 28. Juntos, somam 82 deputados federais, o que tornaria a nova agremiação gigante na Câmara dos Deputados, com dinheiro sobrando para a campanha política em 2022.

Por outro lado, o novo partido pode perder muitos parlamentares, que se mantêm firmes no apoio ao governo federal, e que podem debandar na hora em que o presidente Bolsonaro decidir por qual legenda vai buscar a reeleição no ano que vem.

Tudo pode acontecer no atual cenário político, que nunca esteve tão instável e agitado. Certeza mesmo é que o nome escolhido para o partido monstro que foi criado está longe de ser uma união pelo Brasil. Mais parece uma manobra dos que preferem um país miserável e atrasado, para formar uma nova e forte oposição à reeleição de Bolsonaro em 2022. Só o tempo vai dizer se vão conseguir ou não!

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.