Operação Rivotril

Coluna Confusão - José Francisco Resende

Operação Rivotril
Reprodução

Alô a todos.

Hoje eu quero causar confusão entre gerações. Estamos vivendo a “Geração Rivotril”, mas para que serve esse remédio que é O MAIS VENDIDO NO BRASIL – mais que Aspirina, Dipirona ou outros medicamentos mais comuns?

Ele é utilizado no tratamento dos vários tipos de distúrbios de ansiedade – como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizado e ansiedade social – e para acatisia, que é uma inquietação extrema, geralmente provocada por remédios psiquiátricos. Se há exagero, mistura com bebida alcoólica pode causar até a morte. Mas então porque fazemos um uso tão extremo deste medicamento? Na maioria das vezes e na minha opinião, tomamos para fugir das nossas dores, das nossas decepções, das nossas incapacidades de lidar com os nossos problemas e frustrações.

Tomamos; como o alcoólatra toma doses exageradas de bebidas, ou aqueles que fumam ou cheiram drogas ilícitas. Por não termos a coragem de lidar com as nossas próprias fraquezas, assumindo o risco iminente do vício, muitas vezes mortais. Porque muitos acreditam que a morte é um descanso eterno onde tudo não mais existirá, fugindo muitas vezes de preceitos religiosos, de que a vida não termina com o sepultamento do corpo ou a cremação. Somos fracos e ao invés da luta, preferimos fugir. É o que os pesquisadores americanos chamam de “fight or flight” que em livre interpretação significa lutar ou fugir. Fugir é mais fácil, mais cômodo ou, em síntese “dá menos trabalho.”

E assim vivemos uma geração de fracos, mas agressivos seres humanos que apenas fogem dos problemas de um jeito ou de outro. Ou com a apatia de alguns, agressividade de outros.

Mas estamos criando uma outra geração. A geração de autistas, que fogem das suas dores, simplesmente com o esquecimento do mundo externo, dos afazeres necessários, teclando seus “smart phones” como se fossem loucos, muitas vezes conversando até com quem nunca viram, seus “seguidores”, - milhares deles ou muitas vezes milhões de seres humanos que muitas vezes não conhecem. É uma geração que escolheu a surdez dos fones de ouvido até para não ter uma vida social da qual fogem como coelhos correndo de lobos. São zumbis, que às vezes são atropelados no trânsito, ou até atropelados pela própria existência, que põem em risco a vida de alguém na rua.

A solução? Voltarmos a viver com alegria como se hoje fosse o último dia. Sorrir mais, dar mais bom dia, porque ninguém tem obrigação de lidar com o seu mau humor ou com as suas fraquezas. Fazer mais amor e menos publicações. Ser mais feliz porque a vida deve ser vivida com intensidade, antes que seja tarde e você precise que outros te criem “de novo” como se fossem bebês.

Porque você merece. Nunca é tarde para deixar de ser cretino, imbecil, e se tornar uma pessoa melhor. E, antes de criticar seus filhos olhem na cartela dos seus remédios e vejam se você tem razão. Não os julguem. Converse. Eduque-os. Bom final de semana.

Até a próxima semana.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

  • Alaine castro
    Alaine castro
    Nossa que forte e real esse Assunto. Eu Amei conheco duas pessoas super viciadas nesse medicamento. Ja vou enviar para que sirva de alerta e que veja essa realidade... Sua coluna e maravilhosa . Amo os assuntos abordados. Parabens ....
    17 days atrás Responder  Curtir (1)
  • Marcos Almeida
    Marcos Almeida
    Vivemos numa geração um pouco diferente de alguns anos atrás, atualmente não temos o cenário de família, os pais e mães trabalham fora, os filhos são criados em creches, com babás, ficam em escolas o dia todo, o mundo eletrônico é o meio de vida de todos. Vivemos num mundo virtual e isto torna as pessoas sozinhas e deprimidas que precisam de tratamentos psicológicos e psiquiatricos.
    17 days atrás Responder  Curtir (1)
  • Geraldo de Almeida
    Geraldo de Almeida
    Parabéns pelo excelente texto! Análise perfeita de uma sociedade que pensa que um comprimido, uma cápsula ou algumas gotas se Rivotril resolverá tudo sem o enfrentamento.
    17 days atrás Responder  Curtir (1)

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José Francisco Resende - Advogado, Mestre e Doutor em Comunicação Social. Foi superintendente da Lar Imóveis, pós graduando em pericia criminal e investigação forense, foi coordenador de Marketing da Federação do Comércio, Bens e Serviços – Fecomércio MG, coordenador nacional de marketing da Pharlab – Indústria Farmacêutica e CEO da Multicom do Brasil, empresa de Comunicação de âmbito nacional. Foi consultor do Grupo Balcão e especialista de comunicação. Palestrante do SEBRAE MG. Leia sua coluna toda sexta-feira no Balcão News!