Os perigos reais por trás da automedicação oftalmológica

Dra. Bruna Veloso Avelar Ribeiro, oftalmologista do Instituto de Olhos Minas Gerais, especialista em glaucoma, preceptora de glaucoma na Santa Casa de Belo Horizonte

Os perigos reais por trás da automedicação oftalmológica
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Em busca de um alívio instantâneo para algum incômodo nos olhos, é comum ouvir relatos de quem não vê perigo em aplicar algumas gotinhas de colírio sem prescrição médica. Por mais que pareça inofensiva, a prática da automedicação oftalmológica pode acarretar sérias consequências para a visão. 

O uso indiscriminado de medicamentos para os olhos pode causar alergias, lesões na córnea, favorecer a manifestação de doenças oculares, como catarata e glaucoma, ocultar patologias existentes, ou ainda provocar alterações cardíacas.

Conhecidos como lágrimas artificiais, os lubrificantes proporcionam alívio, principalmente para o olho seco. Contudo, usá-los sem recomendação médica pode mascarar outras alterações oculares, que podem ser confundidas com a Síndrome do Olho Seco, e não serem tratadas corretamente. 

Os colírios vasoconstritores têm a capacidade de “clarear” os olhos, deixando-os mais brancos, pois apresentam um componente que reduz o tamanho dos vasos. Ao utilizá-los sem indicação de um oftalmologista, podem causar dependência, uma vez que sempre que seu efeito passar, os olhos ficarão mais vermelhos. Como os lubrificantes, também podem retardar o diagnóstico correto de outra doença.

Já os colírios com antibiótico são usados para tratar infecções bacterianas. Aplicá-los sem orientação médica pode reduzir sua eficácia quando realmente forem prescritos pelos médicos. 

Quanto aos medicamentos com corticoide, comumente são adotados em pós-operatórios e para tratar processos inflamatórios oculares, como uveíte. No entanto, seu uso de forma incorreta pode desencadear danos aos olhos, como glaucoma e catarata.

Lembre-se, colírios são medicamentos e como tais só devem ser usados mediante orientação de um oftalmologista.