Quando o combate à corrupção já não importa

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Se tem um discurso que inspira pouca confiança em pleno 2021 é o do combate à corrupção. É uma pauta desgastada cujos resultados práticos parecem nunca chegar.

A ideia de um herói que derrotará a corrupção e os privilégios não passa de uma bela campanha de marketing político que funciona vez ou outra, dependendo do momento histórico que se vive. Funcionou na campanha do “varre, varre, vassourinha” que elegeu Jânio Quadros em 1960, no Collor “caçador de marajás” de 1989 e na campanha do Bolsonaro em 2018, por exemplo. 

Essa estratégia pode até garantir uma eleição, mas nunca acabará com a corrupção. Já que estamos falando de super-heróis, quem me ajudará a sustentar esse argumento é o vilão Ivan Vanko, em sua participação brilhante no filme Homem de Ferro 2, quando diz: “Se você pode fazer Deus sangrar, então o povo não vai mais acreditar nele. E haverá sangue na água, e os tubarões virão.”

Se você eleva políticos ao nível de deuses, de duas uma: ou se cegará para os seus erros como um fanático, ou em breve irá à caça deles, os acusando de traidores e hipócritas.

A verdade é que absolutamente todos nós somos corruptíveis. Quanto mais relutantes em admitir isso, maior é a chance da nossa queda. Aquele discurso “o fulano é uma ótima pessoa, é correto, jamais se envolveria com esse tipo de coisa” decepciona com uma frequência assustadora.

A integridade moral do indivíduo é fundamental, mas não resolve tudo sozinha. É como um ótimo goleiro, que pode fazer defesas inacreditáveis, mas que ainda assim precisa de jogadores de linha que o ajudem na defesa. Quais são esses jogadores no combate à corrupção?

Eu escalaria três zagueiros e dois laterais: na zaga vai (1) a padronização, (2) o bom funcionamento e (3) a transparência dos processos. Com esses três, conseguimos saber como as coisas precisam funcionar e podemos fiscalizá-las. Já nas laterais, com característica de defesa, mas com força de ataque, vem (1) o senso de comunidade e (2) a visão de longo prazo. É priorizar o bem-estar do próximo nas nossas ações sabendo que, quanto mais pessoas agirem assim, melhor será o resultado para todos.

Devemos priorizar o discurso de combate à corrupção? Sim! Contudo, não com aqueles que se vendem como super-heróis. Precisamos de gente sensata e humilde, que se proteja das próprias falhas de caráter e que esteja disposta a construir o combate à corrupção sobre os firmamentos corretos e duradouros. Não existe atalho para uma mudança tão grandiosa para o nosso Brasil.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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