Renda média atinge mínima histórica nas metrópoles do país: R$ 1.378

Um dos grupos mais afetados pela crise é o das crianças. Dados fazem parte de um levantamento do Observatório das Metrópoles

Renda média atinge mínima histórica nas metrópoles do país: R$ 1.378
Fabio Vieira/Métropoles

A renda média dos brasileiros teve queda histórica em 2021. Nas regiões metropolitanas, o índice foi de R$ 1.378,35 no 4º trimestre de 2021, o pior nível desde 2012. Os dados fazem parte de um levantamento do Observatório das Metrópoles, em parceria com a Pontífice Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), divulgado nesta quinta-feira (7/4).

O estudo também mostra que a renda média do trabalho dos 40% mais pobres da população teve aumento. Em 2020, o valor era de R$ 195. Em 2021, a quantia aumentou para R$ 239.

Apesar da melhora no rendimento dos mais pobres, o estudo ressalta que o grupo ainda não conseguiu recuperar a renda em relação ao período anterior ao início da pandemia. O índice atual é 8,9% menor ao do início de 2020.Além disso, os dados mostram que, em 2020, o grupo dos 10% mais ricos do país tinha renda média de R$ 6.917. No ano seguinte, o valor caiu para R$ 6.424.

Segundo o pesquisador do Observatório das Metrópoles e coordenador do estudo, Andre Salata, os mais pobres perderam cerca de um terço da renda imediatamente após o início da pandemia. Os mais ricos, no entanto, não perderam parte significativa dos rendimentos no primeiro ano da crise sanitária.

A situação pode ser explicada pela atuação dos mais pobres no mercado informal de trabalho. “No auge da pandemia, os diversos níveis de governo tomaram uma série de medidas. Portanto, estes 40% que ficaram em casa sem remuneração acabaram sendo socorridos pelo auxílio emergencial”, aponta o estudo.

Por outro lado, os mais ricos têm ocupações de proteção social e conseguiram manter a renda no primeiro ano da crise. Após a vacinação e a melhora do cenário epidemiológico, os mais pobres voltaram a ocupar as ocupações informais.

“Os segmentos mais baixos foram os mais atingidos, porém, a possibilidade de se reincorporar ao mercado de trabalho em atividades informais é mais fácil do que na atividade formal. A possibilidade de montar uma banca de camelô, que é uma prestação de serviços onde não existe contratação de trabalho formal, é muito diferente do contrato que um trabalho com carteira assinada exige”, explicou Marcelo Gomes Ribeiro, pesquisador do Observatório.

Consequências

O estudo também aponta que um dos grupos mais afetados pela crise é o das crianças. “Quanto mais tempo ficam nessa situação, maior a vulnerabilidade”, aponta a pesquisa.

Em 2021, 26,7% das crianças de até 5 anos de idade viviam em casas com rendimentos inferiores a 1/4 do salário mínimo. No auge da pandemia, o percentual passou para 32,2%.  Em 2013, o índice era de 19%, o menor valor da série histórica.

O dado mais recente mostra que 1,6 milhão de crianças vivem nessa situação nas regiões metropolitanas. O número é maior que o da população total de cidades como Natal, João Pessoa, Maceió e Florianópolis.

“Os dados são muito preocupantes. Estudos mostram que a vulnerabilidade econômica na primeira infância prejudica o desenvolvimento cognitivo, o aprendizado e, consequentemente, o rendimento escolar. No longo prazo, estamos falando de barreiras à expansão do capital humano no país e, portanto, ao crescimento econômico sustentado”, pontuou Ribeiro.

Fonte: Metrópoles.