Sobre o perdão

Coluna Confusão - José Francisco Resende

Sobre o perdão
Reprodução

Olá a todos.

Sem dúvida, o assunto de hoje é difícil. Sob o ponto de vista da fala,

do externar nossa opinião é quase um senso comum. Mas na prática, é uma qualidade quase inatingível. Como perdoar alguém que nos fez mal, seja em negócios, seja do ponto de vista familiar ou simplesmente amigos que nos ofenderam? Vou piorar seu julgamento: - E se alguém estuprar um filho ou uma filha sua? E se alguém tirar a vida de um ente querido? Aí a coisa vira no seu conceito não é verdade?

Vejo na televisão, grupos de pessoas com faixas e camisas com frases de efeito e até com uma foto da “vítima”, aos gritos pedindo: JUSTIÇA! JUSTIÇA! Quando na verdade estão querendo VINGANÇA! VINGANÇA!

Não os culpo. A dor da perda de quem se ama, por mãos estranhas é quase insuportável. Eu mesmo já perdi um herói, meu avô, o eterno Chiquinho Rocha, de forma extremamente violenta sem ao menos ter como reagir, foi executado no interior por uma tribo cigana.

Mas como nos posicionar diante dos ensinamentos, especialmente cristãos sobre o perdão? Na verdade, perdoar não é dar um abraço no algoz; em quem praticou o mal. O perdão é sobre tirar do peito, parte dessa dor insuportável que nos pesa durante toda a nossa existência. A Bíblia nos ensina que é preciso perdoar 70 vezes 7. Ao pé da letra, poderíamos imaginar que devemos perdoar 490 vezes. Mas isso seria por dia? Por ano? Por existência? Não. 70 vezes 7 é uma expressão análoga a “quantas vezes for necessário”. O próprio Jesus Cristo nos deixa a lição de que “quando baterem em sua face direita, ofereça a esquerda”, o que nos remete ao cúmulo da proibição das reações, que muitas vezes são automáticas.

Se você estudar mais profundamente vai entender, que a Bíblia não nos propõe simplesmente a aceitação, a covardia, o completo controle das nossas ações. Propõe que você não carregue consigo o desejo de bater de volta, desejo eterno de vingança.

Dá vontade sim. De matar, de esfolar. De vingar. Mas... e depois? Além da dor sofrida você carregar a culpa pelo ato cometido só vai duplicar seu sentimento negativo.

É bom a gente entender que perdoar não é validar o ato do outro. Perdoar não é sentir que teremos a pessoa próxima na nossa vida. Também não é esquecer. Perdoar é maior que isso. É não maximizar a dor com nossa própria mágoa. É um ato de grandeza. Se alguém te fez um mal, a dor na consciência (se a pessoa tiver consciência) é dela. Se você se vingar, além da dor do acontecimento ainda pesará sobre você a dor da ação de vingança.

Enfim, perdoar não vai apagar a dor dos fatos. Mas vai te dar serenidade para conviver com essa dor. Eu resolvi perdoar aqueles que, de alguma forma me fizeram mal. Mas jamais vou esquecer o ato, e muito menos conviver com o malfeitor.

Se assim eu mantiver meu propósito, pelo menos vou ter a consciência de que, quem fez alguma coisa errada foi o outro. Não eu.

E espero que Deus tenha para mim um bálsamo de alívio. E que a pessoa tenha o castigo QUE MERECER. Nem mais, nem menos.

Somos seres humanos. Passíveis de erros. Temos o livre arbítrio para fazermos o que quisermos das nossas vidas. Até de sermos felizes. As mágoas sempre nos deixam piores e mais suscetíveis a novos erros. Proteja-se dessa sensação.

Até a próxima semana.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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José Francisco Resende - Advogado, Mestre e Doutor em Comunicação Social. Foi superintendente da Lar Imóveis, pós graduando em pericia criminal e investigação forense, foi coordenador de Marketing da Federação do Comércio, Bens e Serviços – Fecomércio MG, coordenador nacional de marketing da Pharlab – Indústria Farmacêutica e CEO da Multicom do Brasil, empresa de Comunicação de âmbito nacional. Foi consultor do Grupo Balcão e especialista de comunicação. Palestrante do SEBRAE MG. Leia sua coluna toda sexta-feira no Balcão News!