Tratando o olho seco

Dr. Leonado Gontijo traz os tratamentos mais modernos para combater a Síndrome do Olho Seco, condição que interfere na produção ou qualidade da lágrima.

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Prometi em minha coluna de estreia que nesta falaria dos tratamentos mais modernos para combater a Síndrome do Olho Seco, condição que interfere na produção ou qualidade da lágrima e acomete até 30% da população mundial com idade superior a 18 anos. Mas antes, uma breve explicação: as lágrimas são compostas por água associada a vitaminas, minerais, proteínas e lipídios, e desempenham um papel importante, pois mantêm a córnea e a conjuntiva lubrificadas e protegem nossos olhos do desenvolvimento de microrganismos e infecções.

RELEMBRE: Uso excessivo de telas afeta nossa saúde ocular

Vamos então aos recursos mais modernos para tratar o olho seco. Identificada a causa, que pode ser por exposição excessiva às telas (dispositivos eletrônicos), ambientes climatizados ou com ventilador, uso de lentes de contato, medicamentos, anticonceptivos, algumas doenças, como diabetes e artrite reumatoide, tratamentos, como a quimioterapia, ou menopausa, o oftalmologista definirá a abordagem mais assertiva. 

Os lubrificantes oculares, também chamados de lágrimas artificiais, sob a forma de colírio ou pomada, são boas opções que repõem a lágrima, desde que prescritas pelo oftalmologista. São produtos específicos, livres de conservantes para evitar qualquer alergia ocular. Não tratam a condição, ou seja, não fazem as glândulas responsáveis pela produção lacrimal trabalharem, mas ajudam a aliviar os sintomas.

Quando os lubrificantes não são suficientes ou o nível de secura nos olhos é extremamente incômodo, podendo atrapalhar a rotina do paciente, existe um tratamento avançado, bastante eficaz, que chegou ao Brasil em 2019, o qual sou pioneiro em seu uso aqui no país. Trata-se do E-Eye, um equipamento que emite luz pulsada regulada policromática, com total segurança, sobre as glândulas de meibômio – responsáveis pela produção de lipídios e proteínas da lágrima – inativas ou obstruídas do paciente. É bem diferente daquela usada pelos dermatologistas e são confortáveis. Ao receber esses estímulos, as glândulas voltam a funcionar entregando lipídios e proteínas ao filme lacrimal, evitando que este se evapore.

As aplicações são indolores, feitas em consultório, sob a pálpebra inferior de cada olho com a proteção de óculos especiais. É uma abordagem minimamente invasiva e segura.  Para garantir um resultado satisfatório, recomenda-se de três a quatro sessões, o que dependerá do quadro clínico. Importante fazer uma sessão de controle a cada 12 meses.

Como adjuvantes no tratamento do olho seco severo, as lentes esclerais podem auxiliar porque retêm a lágrima sobre a superfície da córnea. Há cerca de 11 anos trouxe essa alternativa para o Brasil. Essas lentes surgiram nos Estados Unidos, foram desenvolvidas pela Universidade do Colorado. O fato de não serem apoiadas nas córneas – e sim na esclera, que é uma área periférica da córnea muito menos sensível – faz delas uma solução muito confortável para os pacientes, muito diferente das antigas, mas ainda atuais lentes rígidas. Ressalto também que estas lentes funcionam como uma espécie de proteção para os olhos. Graças ao progresso das pesquisas na área oftalmológica, os pacientes podem ter acesso a diversos recursos inovadores.

Portanto, para aqueles que têm usado lentes de contato gelatinosas, mas sentem desconforto, principalmente ao fim da jornada de trabalho ou ressecamento ao fim do dia, o tratamento com a luz pulsada regulada pode devolver o conforto perdido pelo uso excessivo de telas, e as esclerais são uma boa opção também, principalmente quando a visão obtida pelas gelatinosas não for tão boa.

IOMG - Instituto de Olhos Minas Gerais

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