Trilha em família: Teste do Toyota SW4 SR

Versão SRX é a mais vendida do Toyota SW4, o utilitário esportivo médio-grande importado da Argentina

Trilha em família: Teste do Toyota SW4 SR
Luiza Kreitlon/AutoMotrix

O Toyota SW4 está completando 30 anos de história no Brasil. A quinta geração do utilitário esportivo médio-grande derivado da picape Hilux chegou ao mercado nacional em 1992 trazido do Japão, junto com os primeiros automóveis importados na “Era Collor”. Três décadas depois e na oitava geração – lançada em 2016 –, o SW4 atual é importado da Argentina, onde é produzido desde 1997. Em novembro do ano passado, ao lado do lançamento da linha 2022, foi anunciada a extinção das configurações com motor flex, as mais acessíveis do SW4. Assim, as versões SRX com motor turbodiesel, que já eram as mais vendidas, assumiram a função de configurações mais “baratas”. A palavra “baratas” está entre aspas porque o SW4 está longe de ser barato. Segundo a tabela de junho de 2022 da Toyota, a versão SRX de cinco lugares sai por R$ 384.190 e a de sete lugares custa R$ 6.600 a mais – exatos R$ 390.790 – preço nacional com frete e pintura metálica inclusos. A pintura branca pérola (como a do modelo testado) acrescenta R$ 2.350 à fatura e o preço pode variar de acordo com a tributação e alíquotas específicas de cada Estado. Acima delas, há ainda as versões Diamond (R$ 424.290) e GRS (R$ 433.590).

Desde que foi lançada no Japão em 1984, com o nome de 4Runner, a opção SUV da Hilux gradualmente foi adquirindo uma personalidade própria em termos de design. Atualmente, o SW4 traz um estilo que mistura traços de elegância e sofisticação, sem rusticidade típica dos veículos com caçamba. No modelo 2022, que segue com ajustes sutis a reestilização apresentada em 2020, a ampla grade tipo colmeia na cor preta ostenta uma marca cromada da Toyota de dimensões dignas de um caminhão, ladeada pelos grandes faróis full-led. Na lateral, a linha de cintura alta e as rodas de liga leve têm pneus 265/60 R18. Na traseira, destacam-se a moldura na cor preta dos vidros, as lanternas horizontalizadas em leds unidas por uma barra cromada e o vistoso aerofólio sobre o vidro.

O novo SW4 está equipado com o Toyota Safety Sense (TSS), que atua por meio de um radar combinado com uma câmera que pode detectar os perigos e alertar o motorista. O TSS é composto pelos sistemas de pré-colisão frontal e de aviso de mudança de faixa e controle adaptativo de cruzeiro (ACC). Também são de série os controles de estabilidade, de tração e de tração ativo (A-TRC), assistências de descida e de partidas em rampa, controle de oscilação de reboque, ABS com freio eletrônico, distribuição de força (EBD), assistência à frenagem de emergência, luzes de freio de emergência, alerta de tráfego cruzado traseiro e alerta de ponto cego. Em toda a linha SW4, são sete airbags – dois frontais, dois laterais, dois tipo cortina e de joelhos para o motorista –, duas âncoras Isofix com amarração superior e cintos de segurança de três pontos para todos os bancos.

Desde a extinção das versões com motores bicombustível, toda a linha SW4 é movida pelo mesmo turbodiesel 2.8L 16V com 204 cavalos de potência e 50,9 kgfm de torque a 2.800 rpm, sempre acoplado à transmissão automática de 6 marchas. Na

linha 2022, como na Hilux, a potência e o torque foram aprimorados com a incorporação de um turbo maior, de geometria variável. No off-road, a robustez proporcionada pelo chassi com longarinas, que tem mais rigidez e é menos propenso a torções em comparação aos em monobloco, é uma das grandes qualificações do SW4. A tração 4x4 com caixa de redução também é um atributo valorizado, juntamente com o diferencial de deslizamento limitado eletronicamente – no qual o freio é aplicado à roda com menor aderência, transferindo a força de tração para a roda com maior aderência. Contudo, é a imagem de confiabilidade mecânica da Toyota no Brasil que credencia o SW4 a concorrer – inclusive em termos de preços – com SUVs de marcas de luxo, como Audi, BMW, Land Rover, Mercedes-Benz e Volvo. Em 2021, o utilitário esportivo da Toyota obteve uma média mensal de pouco mais de 1,1 mil unidades vendidas no Brasil, um volume admirável para um modelo com preços tão “salgados”. Fechou o ano como trigésimo oitavo automóvel mais vendido do país. Em 2022, até agora, é um dos raros modelos do mercado nacional a manter a média mensal de emplacamentos – foram 5.510 unidades comercializadas de janeiro a maio, o que dá 1.102 vendas por mês – e avançou para a trigésima quarta posição no ranking.

Experiência a bordo

Prova dos sete

O SW4 é um veículo que se propõe a transportar até sete pessoas confortavelmente, mesmo em caminhos inóspitos. E, de fato, o SUV da Toyota oferece muito conforto a bordo para todos os ocupantes, mesmo os dois que se sentam na última fileira. Por questão de acessibilidade, é uma boa ideia reservar o sexto e o sétimo assentos aos mais jovens e de menor estatura, mas todos os bancos têm boa ergonomia e acomodam bem o corpo. Pela altura grande em relação ao solo (28 centímetros), o estribo é um aliado importante na hora de entrar no carro, assim como as alças nas colunas dianteiras.

Dentro, o acabamento é de boa qualidade, com revestimento em couro e material sintético dos bancos, do painel e volante – que conta com ajuste de altura e profundidade, facilitando a tarefa de encontrar a melhor posição. O sistema de conectividade tem tela sensível ao toque de 8 polegadas, com espelhamento para Android Auto e Apple CarPlay, navegador por satélite (GPS) nativo, TV digital e Bluetooth, acompanhado pelo sistema de áudio premium JBL com dez alto-falantes e subwoofers. No porta-malas, cabem 500 litros com cinco lugares e 180 litros com os bancos da terceira fileira montados. A tampa do porta-malas tem abertura e fechamento elétricos – basta acionar o comando sob a placa de licença para abrir e outro na parte interna da porta para fechar. Em um carro desse preço, surpreende a falta de um freio de estacionamento com acionamento elétrico.

Impressões ao dirigir

Faz o caminho

O motorzão 2.8 turbodiesel do Toyota SW4 entrega até 204 cavalos de potência e um robusto torque de 50,9 kgfm. São números dignos de um caminhão leve – como o Volkswagen Delivery 9.170, que tem 18% menos potência (167 cavalos) e 20% a mais de torque (61,1 kgfm). Apesar do peso de 2.130 quilos do SW4 vazio atingir tranquilamente as 2,5 toneladas com quatro passageiros adultos a bordo, os efeitos práticos de tanta força se fazem notar. Não se trata de um modelo esportivo – os atributos do SW4 ficam entre os de um veículo familiar e os de um modelo aventureiro –, mas oferece acelerações lineares e transmite

confiabilidade, tanto nas ultrapassagens em rodovias quanto em subidas íngremes. No câmbio automático de 6 marchas, as trocas se dão em tempo adequado e há aletas no volante para mudanças manuais. São três modos de condução: “Eco”, “Power” e “Sport”. Eles providenciam trocas em rotações mais baixas, para priorizar o consumo, ou em giros mais elevados, quando a opção do motorista é melhorar a performance. A direção, mesmo com a assistência hidráulica, é um tanto mais pesada que o desejável nas manobras lentas.

Apesar do porte, o SW4 é fácil de se dirigir, embora o comportamento dinâmico exija atenção e o rodar seja diferente por causa do volume e do peso acima do normal. A suspensão traseira com eixo rígido transfere parte das imperfeições do piso, o que resulta em algum desconforto em terrenos irregulares. Na linha 2022, a versão SRX passa a incorporar itens de direção autônoma. O alerta de colisão frontal com frenagem automática funciona bem em caso de colisão iminente – entretanto, não se comporta bem em relação a pedestres e bicicletas. Já o alerta de saída de faixa atua nos freios e também na direção para que o veículo volte à trajetória ao sair da faixa de sinalização horizontal na estrada – porém, o sistema só funciona se a sinalização horizontal estiver com a pintura em bom estado. Nas trilhas, itens como tração 4x4, caixa de redução, controle eletrônico de descida e diferencial de deslizamento limitado eletronicamente dão conta do recado e ajudam o SW4 a se deslocar com agilidade entre os obstáculos. Se, no asfalto, às vezes o SW4 deixa a desejar em termos de conforto, principalmente para quem viaja na traseira, a suspensão é muito bem acertada para o off-road. O vasto tanque de 80 litros agrada especialmente a quem gosta de longos passeios rurais no fim de semana.

Ficha Técnica

Toyota SW4 SRX 7 lugares

Motor: quatro cilindros, 2.755 cm³ de cilindrada, turbodiesel com commom rail e turbina de geometria variável

Potência: 204 cavalos

Torque: 50,9 kgfm

Câmbio: automático com modo manual de 6 marchas

Tração: traseira, com opção de 4x4 e reduzida

Direção: tipo pinhão e cremalheira com assistência hidráulica

Suspensão: dianteira tipo MacPherson com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal. Traseira tipo eixo transversal (beam), roda tipo rígida e molas helicoidal

Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira

Rodas/pneus: rodas de liga de 18 polegadas com pneus 265/60R18

Dimensões: 4,79 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,83 metro de altura e 2,75 metros de entre-eixos

Peso: 2.130 quilos

Porta-malas: 500 litros (5 lugares) e 180 litros (7 lugares até altura do encosto do banco da terceira fileira)

Tanque: 80 litros

Preço: R$ 390.790. Mais R$ 2.350 pela pintura branca pérola. O preço pode variar de acordo com a tributação e alíquotas específicas de cada Estado