Veja o teste da picape Fiat Toro Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4

Veja o teste da picape Fiat Toro Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4
- Fotos: Luiza Kreitlon/AutoMotrix
Veja o teste da picape Fiat Toro Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4
Veja o teste da picape Fiat Toro Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4

- Versão Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4 da picape Fiat Toro vai além do óbvio marketing focado no agronegócio e esbanja versatilidade no uso rural e urbano.

   A Toro é uma picape intermediária – maior que as compactas e menor em comparação às médias – com chassi em monobloco, apresentada em fevereiro de 2016. Dois meses após o lançamento, o modelo desenvolvido pela Fiat no Brasil já vendia mais que todas as picapes médias – como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger ou Nissan Frontier, todas com chassi em longarinas. Desde então, a Toro é superada nas vendas apenas pela compacta Strada, da própria Fiat.

   Em 2018, surgiu uma nova versão “top”, a Ranch, certamente uma ideia do departamento de marketing para aproximar a picape do próspero segmento do agronegócio brasileiro. Contudo, independentemente da propaganda, o forte da picape da Fiat sempre foi a versatilidade. Mais do que atender às exigências reais da vida rural, a Ranch se propõem a suprir às demandas aspiracionais de quem compra picapes – sejam fazendeiros de verdade ou aqueles aclimatados nas selvas de concreto urbanas.
   Por fora, a Toro preserva as linhas contemporâneas da época do lançamento. Na versão 2020, apresentada em julho do ano passado, a picape teve discretas novidades, como a adoção de um “overbumper” – para-choque frontal com uma barra de impulsão incorporada, que dá um aspecto mais robusto – e de um multimídia com tela de 7 polegadas.

   Na caçamba, com capacidade para 820 litros de bagagem, está preservado o exclusivo acesso dividido em duas portas, que se abrem em par. Por exigência da legislação para picapes a diesel, a capacidade de carga deve sempre ser de uma tonelada ou mais – e a da Toro é de exatos mil quilos. A versão Ranch investe em detalhes que reforçam a afinidade com o mundo rural. O estilo “caipira enfeitado” é explicitado pelos diversos cromados, que aparecem nas carenagens dos retrovisores, nos frisos da grade e entre os faróis, no estribo, nas maçanetas, no santantônio e nas soleiras das portas.

   O rack do teto e o protetor abaixo do para-choque também levam pintura prateada, mesmo tom adotado nas rodas de liga leve aro 18 polegadas. Para reforçar o potencial de uso em atividades agrícolas, a picape traz para-barro nas caixas de roda e engate de reboque, que é removível. Soleira metálica e protetor do tanque de combustível completam o pacote. Emblemas referentes à versão aparecem nas portas dianteiras.
   No interior, a Toro Ranch aposta em tons de negro e marrom – uma combinação inusitada, mas que anda em alta na indústria automotiva. Os bancos revestidos de um tecido sintético que imita couro são marrons, assim como os apoios de braços e os revestimentos das portas. As molduras das saídas do ar-condicionado com duas zonas e do multimídia recebem apliques em tom marrom metálico, assim como as alças das portas e em um pequeno detalhe na parte inferior do volante.

   Já os revestimentos do teto e das colunas são em preto. Emblemas referentes à versão aparecem nas portas e no console central. Um botão giratório ao lado do câmbio permite escolher entre tração dianteira, 4x4 ou 4x4 com reduzida. A versão traz sete airbags de série.
   Sob o capô da Ranch 2.0 Diesel AT9 4x4 da Toro está o motor 2.0 Multijet II – também adotado nos Jeep Renegade e Compass. Tem duplo comando de válvulas, turbocompressor e intercooler, além de injeção direta Common Rail. Entrega 170 cavalos a 3.750 rpm e 35,7 kgfm a partir de 1.750 giros e trabalha acoplado a uma caixa automática com 9 velocidades.

   Com seu visual de inspiração rural, a Ranch cumpre bem sua função de “top” de linha – a outra “top” é a versão Ultra, que adota o mesmo “powertrain” mas investe em um estilo mais “carro de passeio” ao incorporar uma cobertura rígida para a caçamba. A Ranch parte de R$171.990,00, porém, apenas se for na cor sólida Vermelho Colorado. Outras cores sólidas aumentam o preço em R$1.500,00, as metálicas – como o Vermelho Tribal do modelo testado – encarecem em R$2.500,00 e a perolizada Branco Polar sobe o valor da fatura em R$3.500,00. Por esse preço, o modelo da Fiat já concorre diretamente com as versões intermediárias de picapes médias com chassi em longarinas. Para ganhar competitividade, a Fiat costuma oferecer na linha Toro descontos interessantes para produtores rurais e microempresários.

   Experiência a bordo: Coerência interna

   Acessos fáceis e um interior bem solucionado sempre foram aspectos marcantes da linha Toro. Na versão Ranch, os revestimentos ressaltam especialmente a rusticidade típica do segmento de picapes e elevam o habitual padrão de qualidade. Apesar de não ser uma unanimidade, a combinação de tons de preto e marrom nos revestimentos internos é atualmente adotada em modelos de diversas fabricantes.

   A marca “Ranch” aparece estampada nos encostos dos bancos frontais. A partida feita por meio de botão, o que dispensa o uso da chave, e o porta-objetos do console central é refrigerado. Embora seja homologada para levar cinco ocupantes, apenas quatro viajarão com conforto, por causa do túnel central alto atrás.
   A multimídia com “touchscreen” de 7 polegadas no painel central tem alta definição, funciona com o Android 8.0 e tem uma CPU de 800 MHz. Conta com entradas USB e auxiliar e conexão Bluetooth. A partir da linha 2021, apresentada em junho deste ano, passou a contar com memória interna de 16 GB para armazenamento de informações. A interface com o usuário é intuitiva e o acesso é facilitado pelos comandos no volante. Há navegador GPS embarcado e a tela da central mostra ainda as imagens da câmera de ré, auxiliando em manobras e estacionamento.

   Impressões ao dirigir: “Cowboy” urbano

   Na configuração Ranch, a Toro incorpora o barulho e a trepidação característicos das picapes com motores a diesel e perde um pouco do jeito mais dócil das versões flex. O elevado torque de 35,7 kgfm está disponível já em baixas rotações, transmitindo a percepção de que nunca falta força para transpor os obstáculos. Nas estradas, os 170 cavalos do 2.0 turbodiesel dão conta de acelerar a picape com desenvoltura.

   O eficiente câmbio automático de 9 marchas tem trocas suaves e rentabiliza bem o trabalho do motor. E a nona marcha só existe para economizar a velocidade de cruzeiro, uma vez que a máxima é atingida em oitava. 
   Em termos de estabilidade, a Toro tem comportamento similar ao de um utilitário esportivo compacto – em breve, a Fiat lançará seu SUV derivado da picape. Mesmo em velocidades mais elevadas, as rolagens de carroceria são discretas e as suspensões McPherson na frente e multilink atrás ajudam a conferir um rodar consistente.

   Nas curvas, a direção se mostra extremamente precisa. Nos trechos mais sinuosos, a carroceria sacoleja um pouco. Contudo, é preciso exagerar muito para que as assistências dinâmicas precisem entrar em ação.
   Nas trilhas, a tração integral, acionável por meio do botão giratório ao lado da alavanca do câmbio, cumpre a função de tornar a picape apta a encarar obstáculos, seja para o trabalho ou para o lazer. Todos os modelos a diesel da Toro têm tração integral controlada eletronicamente, mas não há caixa de redução. Os ângulos off-road são de 24 graus de entrada e de 21 graus traseiros, além de altura de rodagem de 24,2 centímetros.

   O controle de velocidade em descidas é bastante efetivo no fora-de-estrada. Se o conjunto da Toro não tem a robustez e os recursos de mobilidade da suspensão oferecidas pelas picapes com chassi em longarinas, fica claro que, nas situações lameiras menos radicais, dá conta do recado. “Estilosa”, a Toro Ranch agrada ao público que aprecia design diferenciado, sem abrir mão dos atributos off-road que povoam os sonhos aventureiros dos donos de picapes.