Você é um alcoólatra? Se acha que não, leia isso

José Francisco Resende - Alguns sinais ainda apontados pela ciência são: beber sozinhos e fora de situações sociais; continuar a beber mesmo quando percebem que estão se afastando da família e dos amigos; demonstrar agressividade quando confrontados; ter dificuldades para parar de beber mesmo estando embriagados; apresentar paranoia e alucinações.

Você é um alcoólatra? Se acha que não, leia isso

Alô a todos.

Hoje, nesse espaço, vamos gravitar entre a ciência, a psicologia e a fé para abordarmos um tema muito polêmico no Brasil: O Alcoolismo. De acordo com a definição da OMS – Organização Mundial de saúde os dados abaixo devem ser considerados:

“O álcool é uma substância tóxica independentemente da quantidade ingerida. A quantidade considerada pouco tóxica e de baixo risco para um adulto sem doença é de duas doses de vinho por dia, ou dois copos de cerveja, ou uma dose de destilado. Mais do que isso a pessoa está fazendo uso nocivo do álcool e quanto mais a pessoa beber, mais risco tem de desenvolver dependência. O alcoólatra é o dependente, aquele que tem um estado de necessidade fisiológica. São pessoas que bebem grandes volumes regularmente, são tolerantes ao álcool e quando não bebem entram em crise de abstinência, a qual são sintomas negativos, tais como suor excessivo e tremor, que só reduzem quando a pessoa bebe álcool. O tratamento é feito por psicólogos e psiquiatras. Em casos mais extremos pode ser necessária a internação.”

Alguns sinais ainda apontados pela ciência são: beber sozinhos e fora de situações sociais; continuar a beber mesmo quando percebem que estão se afastando da família e dos amigos; demonstrar agressividade quando confrontados; ter dificuldades para parar de beber mesmo estando embriagados; apresentar paranoia e alucinações;

Muita gente pode ficar se perguntando, mas o que é “regularmente” nesta citação da OMS? Ora, se você perguntar ao “pai dos inteligentes” (grifo meu porque “pai dos burros” são aqueles que não estudaram nem ensinam seus filhos a estudar) o dicionário esclarece: Regularmente é “de maneira regular, com regularidade, constância, periodicidade: os vizinhos se encontravam regularmente” ou seja, se você bebe só as sextas – o famoso “Sextou!” isso define regularidade. Se você bebe “só aos sábados e domingos” você também é alcoolista, alcoólatra, beberrão, beberraz, borrachão, cachaceiro, arrogante, soberbo, dipsomano, bebum, etilista, ebrioso, ébrio, temulento, biriteiro, beberrote, bebedor, bêbado! (duro né?).

Mas vamos falar em fé. Ou em uma compreensão mais humanizada da situação:

Alcoólatra jovem adulto

O estudo americano sobre os tipos de alcoólatras indica que 31,5% dos dependentes se encaixam nessa categoria, que corresponde ao maior grupo. Os alcoólatras jovens adultos costumam começar a beber no final da adolescência, por volta dos 16 anos, e se tornam dependentes alguns anos depois, com idade em torno de 24 anos.

Não é comum que os indivíduos desse grupo tenham transtornos mentais ou abusem de outras substâncias químicas, apesar de ser possível. Também é incomum que tenham outros familiares alcoólatras. Muitos deles ainda estão na faculdade ou acabaram de sair da casa dos pais e estão experimentando a independência da vida adulta pela primeira vez.

O alcoólatra jovem adulto costuma beber com menos frequência do que os outros, mas quando o faz, a tendência é que exagere na dose e pratique o que os americanos chamam de binge drinking ou como queiram – de bebedeira. O número de homens jovens adultos alcoólatras é 2,5 vezes maior que o de mulheres.

Alcoólatra jovem antissocial

Cerca de 21,1% dos alcoólatras são do tipo jovem antissocial, que representa aqueles que começam a beber ainda na adolescência, com cerca de 15 anos de idade, e desenvolvem dependência nos primeiros anos da vida adulta, muitas vezes antes dos 20.

Mais da metade dos componentes desse grupo apresenta traços de Transtorno da Personalidade Antissocial. Também é comum que essas pessoas tenham depressão, fobias, Transtorno Obsessivo Compulsivo e que abusem de outras substâncias como maconha, cocaína e outros.

Mais de 75% dos alcoólatras jovens antissociais são homens e tiveram pouco ou nenhum acesso à educação de qualidade — o mesmo acontece em relação ao mercado de trabalho. Essas pessoas têm o costume de beber grandes quantidades de álcool de uma só vez.

A probabilidade de que esse tipo de alcoólatra busque tratamento é maior do que a dos jovens adultos — 35% deles já procurou ajuda em algum momento. Os componentes desse grupo são os que têm mais chance de buscar tratamento em clínicas, mas muitos também recorrem a grupos de apoio.

Alcoólatra funcional

Os alcoólatras funcionais formam um grupo com idade um pouco mais avançada do que os mencionados anteriormente — eles têm cerca de 40 anos e se tornaram dependentes depois dos 30, apesar de terem começado a beber no início da vida adulta.

Os componentes desse grupo apresentam taxas moderadas de depressão, mas é raro que sofram com outros transtornos mentais. Muitos deles também fumam cigarros, mas não há muitos casos de abuso de outras drogas.

Cerca de 60% dos alcoólatras funcionais são do sexo masculino. De todas as classificações, esse é o grupo com menos chance de ter problemas legais decorrentes do alcoolismo. Aqui, prevalecem pessoas com bons níveis de educação e variados níveis de renda.

Muitos dos alcoólatras funcionais são casados e sofrem por causa do vício. Menos de 20% deles já procuraram ajuda profissional para cuidar do problema — desses, a maioria recorre a grupos de apoio e a clínicas particulares. 

Alcoólatra crônico

O alcoólatra crônico é o tipo menos comum — segundo a pesquisa, apenas 9,2% dos dependentes de álcool estão nessa classificação. Os integrantes desse grupo começam a beber na adolescência e desenvolvem a dependência por volta dos 30 anos de idade. 77% dos alcoólatras crônicos têm parentes que também sofrem de alcoolismo e 47% deles apresentam transtornos de personalidade.

Esse tipo de alcoólatra também é o mais propenso a sofrer com depressão, ansiedade, Transtorno Bipolar, fobias e Síndrome do Pânico. Além disso, costumam consumir outras drogas.

O alcoólatra crônico é o tipo que mais faz esforços para se curar, mas nem sempre tem sucesso. Além disso, é o que tem mais emergências de saúde como consequência do abuso de álcool.

Esse grupo também é o que mais sofre com problemas familiares por causa do vício — aqui, os números de divórcios e separações são os mais altos em relação às outras classificações. Os alcoólatras crônicos bebem com mais frequência, mas em menor quantidade em relação aos outros grupos.

Alcoólatra familiar intermediário

Os componentes desse grupo são aqueles que têm parentes próximos que sofrem de alcoolismo. Eles começam a beber no final da adolescência e desenvolvem dependência com cerca de 30 anos de idade. Os alcoólatras familiares intermediários também têm grandes chances de sofrer com transtornos de personalidade, depressão e ansiedade, além de fazer uso de outras substâncias, como maconha e cocaína.

64% dos integrantes desse grupo são homens. Eles costumam ter boa educação e ser ativos no mercado de trabalho, mesmo que a renda não seja alta. O alcoólatra familiar intermediário não costuma buscar tratamento profissional, mas pode recorrer a grupos de apoio e, às vezes, buscar ajuda em clínicas particulares 

Agora vamos falar de nós? Esse pode ser um bom início de conversa daquela conversa de boteco. Porque hoje é Sexta... Saúde!

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