Quase 90% dos belo-horizontinos estão endividados

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio(CNC), e divulgada pela Fecomércio MG, aponta que o endividamento aumentou comparando com novembro.
Mas consumidores ainda estão conseguindo cumprir compromissos. Foto: Divulgação/Fecomércio MG.

Pelo segundo mês consecutivo o nível de endividamento dos belo-horizontinos apresentou tendência de aumento. Em novembro, 89,8% dos consumidores estavam endividados na capital mineira, com 2,5 pontos percentuais superior ao último mês. Os dados são da edição regional da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e apurada pelo núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).

De acordo com o estudo, se comparado com o mesmo período do ano passado, o endividamento apresentou um aumento de 1,1 pontos percentuais. “A retomada do fluxo de pessoas no comércio e a proximidade com o Natal, principal data comemorativa do ano para o setor, acarreta um aumento do consumo e, consequentemente, da busca pelo crédito. Esse comportamento, ancorado por fatores, como a inflação, pressiona o nível de endividamento das famílias para cima.”, explica a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins.

Apesar do aumento do endividamento, as famílias de Belo Horizonte estão conseguindo cumprir com seus compromissos. Em novembro, 41,3% da população estava inadimplente, valor 0,9 pontos percentuais inferior ao observado no mês imediatamente anterior. “A redução da inadimplência é sempre um bom termômetro, visto que, tal comportamento demonstra que a população está conseguindo manter seus compromissos financeiros em dia, permitindo a manutenção do acesso ao crédito e possibilitando maiores níveis de consumo”, destaca Martins. 

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O cartão de crédito segue sendo o principal compromisso financeiro assumido. Ele é conhecido pela sua facilidade no uso, permitindo com que as pessoas acabem fazendo suas compras do dia a dia com essa modalidade de crédito. Esse comportamento resulta em 86,8% dos endividados comprometidos com esta modalidade. O cheque especial (16,6%) e o carnê (15,5%) também estão entre as formas mais utilizadas.

O levantamento apontou ainda que as dívidas comprometem, em média, 31,9% da renda familiar, e o número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas somou 13,2%, apresentando uma queda de 0,5 pontos percentuais, em comparação ao mês anterior. Grande parte dos endividamentos possuem um tempo médio de comprometimento da renda de aproximadamente sete meses.

Maior taxa de juros desde 2018

A desaceleração da proporção de endividados é explicada pela evolução positiva do mercado de trabalho, pelas políticas de transferência de renda mais robustas e pela queda da inflação nos últimos meses. Conforme o presidente da CNC, José Roberto Tadros, esse conjunto de fatores resultou no aumento da renda disponível. “Mesmo com o cenário de melhoria do mercado de trabalho, os consumidores seguem cautelosos quanto à contratação de novas dívidas neste fim de ano, tanto pelo alto índice de endividamento e comprometimento da renda quanto pelos juros, que seguem altos”, aponta o presidente.

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