Servidores ficam calados durante CPI da Pampulha

O vereador Braulio Lara questionou diversos aspectos dos processos. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH.

Intimados na investigação dos contratos para a despoluição da lagoa, o diretor de Gestão de Águas Urbanas da Prefeitura de BH, Ricardo de Miranda Aroeira, e a engenheira da mesma diretoria Ana Paula Fernandes Viana Furtado optaram por permanecer em silêncio.

Aroeira e Furtado seriam os responsáveis técnicos por contratação assinada em 2018 e em 2023, por inexigibilidade de licitação (quando não é viável ou necessário um processo licitatório) para o tratamento das águas da Pampulha.

O vereador Braulio Lara, durante as sessões da CPI, fez várias perguntas sobre a contratação, por inexigibilidade de licitação, para o tratamento das águas da Lagoa da Pampulha, assinada em 2018 e 2023.

Ele levantou questões sobre a antecipação do envio de propostas, a coincidência nos valores entre a proposta apresentada pelo Consórcio Pampulha Viva e o valor da proposta de inexigibilidade da PBH, e a retirada da exigência de classe 3 na nova contratação.

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Além disso, Lara questionou se as recomendações da Fundação Christiano Ottoni foram consideradas na nova contratação e por que a Prefeitura adquiriu mais 15 mil kg do Emzilimp, um produto cujo eficácia é questionada.

Os questionamentos incluíram o motivo pelo qual a proposta técnica foi apresentada antes da publicação oficial do projeto básico e se a proposta comercial influenciou a elaboração do projeto básico da inexigibilidade de licitação. Ricardo Aroeira e Ana Paula, responsáveis técnicos pela contratação, não responderam a essas perguntas.

O relator também indagou sobre a mudança no padrão de pureza da água exigido, de classe 3 em 2018 para um padrão inferior na contratação de 2023, e se a Lagoa da Pampulha havia atingido o padrão classe 3 conforme previsto no contrato anterior.

Outro ponto crítico levantado por Lara foi sobre a contratação da Fundação Christiano Ottoni e se as alternativas técnicas por ela apontadas foram observadas.

Ele destacou o depoimento da pesquisadora da UFMG Alessandra Giane, que afirmou ser impossível assegurar padrões de classe 3 com os produtos Foslock e Emzilimp. Mesmo sem eficácia comprovada, a Prefeitura adquiriu mais 15 mil kg de Emzilimp. Os depoentes, novamente, não responderam a essas perguntas.

Essas questões fazem parte da investigação em curso e a CPI deve ouvir representantes da Copasa nas próximas semanas, com a entrega do relatório final prevista para o início de julho

Padrão Classe 3

O relator perguntou aos servidores sobre a mudança no escopo das contratações feitas em 2018 e 2023, referente ao nível de pureza da água exigido. “Por que houve essa alteração? Por que a Prefeitura não exige mais a classe 3? Se a proposta técnica do consórcio fala em assegurá-la, por que a Prefeitura vai se contentar com trabalho inferior?”, indagou, sem novamente obter respostas.

Braulio Lara também lembrou que o padrão classe 3 era um dos objetivos da contratação feita em 2018 e arguiu Aroeira e Furtado sobre o cumprimento desta exigência, já que pagamentos ao consórcio foram feitos pelo serviço. “O objeto foi cumprido na sua integralidade? A lagoa encontra-se em classe 3? Quem foi o responsável por atestar o cumprimento do contrato e autorizar o pagamento?”, questionou.

Sem eficácia

Antes de encerrar, o parlamentar contextualizou a contratação da Fundação Christiano Ottoni, no valor de R$ 11 milhões, e se estudos e orientações da mesma foram observados para a nova contratação sem licitação, assinada em 2024 pelo Município.

Em relatório, a entidade teria apontado outras técnicas possíveis para despoluição da bacia. “As orientações e recomendações foram observadas? O relatório fala em mais de 20 alternativas. Os professores da UFMG estão errados? Por que as outras alternativas não foram levadas em conta nesta última contratação?”, questionou.

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