O movimento pela volta do trem de passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) está ganhando força política e social, especialmente com a aproximação do fim do contrato de concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), previsto para 2026.
Essa janela está sendo vista como uma oportunidade estratégica para recuperar o transporte ferroviário de passageiros — abandonado em prol do transporte de cargas, especialmente minério.
Principais destaques da audiência:
Parlamentares e representantes de cidades como Contagem, Betim, Pedro Leopoldo, Nova Lima e Ibirité defenderam o retorno dos trens como alternativa sustentável, econômica e eficiente.
O atual operador, VLI, é acusado de descumprir obrigações contratuais, como manter transporte de passageiros.
O fim da concessão pode abrir espaço para novos modelos de gestão pública ou público-privada com foco em mobilidade urbana.
Viabilidade econômica e social
Estudos do Instituto de Qualidade Ferroviária estimam que linhas como BH-Conselheiro Lafaiete, BH-Divinópolis e BH-Brumadinho poderiam gerar até R$ 2 bilhões anuais em ganhos econômicos e empregos.
Acadêmicos e urbanistas destacam o potencial estruturador das ferrovias no desenvolvimento urbano e sustentável das cidades.
Conflitos políticos e interesses privados
A jornalista Cláudia Pires denunciou que grupos ligados ao mercado imobiliário e à mineração se opõem ao trem, priorizando obras rodoviárias como viadutos e o Rodoanel.
Divergências entre governo estadual e federal teriam travado projetos anteriores, segundo o movimento VoltaTrem.
Próximos passos e desdobramentos
Os parlamentares pretendem encaminhar a ata da audiência à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e iniciar um plano de reuniões com o Executivo municipal.
Representantes de cidades como Vespasiano, Moeda, Betim e Pedro Leopoldo vão continuar o debate localmente, fortalecendo a mobilização regional.
Em Contagem, a vereadora Adriana Souza anunciou que terá uma reunião com a prefeita Marília Campos para discutir o projeto.
O Movimento pela Volta do Trem manifestou-se contra a renovação do contrato com a VLI e continua a mobilizar a sociedade civil.
Esse movimento pode representar um divisor de águas na infraestrutura de transporte da Grande BH, com impactos sociais, econômicos e ambientais positivos — desde que haja vontade política e enfrentamento aos interesses contrários.

