Governo Lula paga R$ 3,7 bi a atingidos pela tragédia de Mariana

Governo paga indenizacao de 37 bilhoes para atingidos em Mariana Ricardo Stuckert Balcao News Governo paga indenizacao de 37 bilhoes para atingidos em Mariana Ricardo Stuckert Balcao News
Valor cobre quatro anos de repasses diretos. Foto: Ricardo Stuckert/Agência Br.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (11), o pagamento de R$ 3,7 bilhões em indenizações para 22 mil pescadores e 13,5 mil agricultores de Minas Gerais e do Espírito Santo, vítimas do rompimento da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, ocorrido em Mariana (MG), há dez anos.

O benefício será viabilizado por meio de um programa de transferência de renda, que prevê o pagamento de um salário mínimo e meio por 36 meses e um salário mínimo por mais 12 meses a cada trabalhador cadastrado. No total, 35,5 mil pessoas receberão o valor por meio de cartões entregues pelo próprio presidente durante cerimônia em Linhares (ES), na Foz do Rio Doce.

“Fizemos em dois anos o que não se conseguiu em oito. A Vale foi obrigada a sentar à mesa e aceitar sua responsabilidade”, afirmou Lula ao destacar os avanços do Novo Acordo do Rio Doce, firmado em outubro de 2024.

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R$ 170 bilhões em reparações

O Novo Acordo, articulado pela Advocacia-Geral da União (AGU) após dois anos de intensas negociações com as mineradoras Samarco, Vale e BHP, estabelece um total de R$ 170 bilhões em medidas de reparação e compensação. Desse valor, R$ 38 bilhões já estão em execução e R$ 132 bilhões serão executados nos próximos anos.

“O acordo anterior era frágil, injusto. Conseguimos quadruplicar o valor e ampliar o alcance das medidas. Esse governo não aceitou um modelo em que o povo arcava com as consequências do crime”, afirmou o ministro da AGU, Jorge Messias.

Entre os recursos previstos,  segundo a Agência Brasil, R$ 100 bilhões serão repassados à União, estados e municípios afetados, para financiar projetos de infraestrutura, saúde, saneamento e desenvolvimento sustentável. Outros R$ 32 bilhões estão reservados para recuperação ambiental, ressarcimento comunitário e indenizações individuais.

Cartão na mão, dignidade retomada

Durante o evento, a agricultora familiar Ana Paula Ramos, da Associação de Mulheres do Cacau, recebeu simbolicamente o cartão das mãos do presidente Lula. Ela lamentou os impactos profundos e duradouros do crime ambiental sobre sua vida e a da comunidade.

“Hoje, não podemos sequer plantar uma horta. O solo está contaminado. O peixe do rio não alimenta mais ninguém. Foi uma violência silenciosa e devastadora”, disse, emocionada.

O recurso, segundo ela, “não permite sonhar, mas garante o básico”. Um respiro necessário para famílias que passaram anos na incerteza, lutando por reconhecimento e justiça.

Indenizações para agricultores e pescadores

A AGU informou que os pagamentos começaram em 10 de julho e contemplam também a contagem do tempo de trabalho para fins de aposentadoria de pescadores prejudicados pela contaminação do Rio Doce.

Além dos valores mensais, cerca de 300 mil pessoas e empresas foram cadastradas para indenizações individuais fixas:

  • R$ 35 mil para pessoas físicas
  • R$ 95 mil para agricultores

Heider José Boza, da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), celebrou o avanço, mas fez um alerta:

“Tem muita gente que ainda está fora do acordo. Agricultores do litoral capixaba e comunidades invisibilizadas precisam ser incluídos com urgência.”

A tragédia que marcou o país

Em 5 de novembro de 2015, a Barragem do Fundão, controlada pela Samarco, se rompeu e despejou 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, devastando a Bacia do Rio Doce em um trajeto de 700 km, entre Mariana (MG) e a foz do rio no litoral do Espírito Santo.

A tragédia deixou 19 mortos, três desaparecidos, mais de 600 pessoas desalojadas e danos permanentes ao meio ambiente e às comunidades. Até hoje, nenhum responsável foi condenado, e decisões judiciais recentes absolveram réus e empresas — medidas que o Ministério Público recorreu.

Com o Novo Acordo, o governo busca reconstruir não apenas vidas, mas também a confiança pública, o tecido social e a integridade ambiental. O caminho é longo, mas o compromisso com a reparação justa e ampla é agora inegociável.

 

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