Falta de ônibus à noite afeta bares e trabalhadores de BH

Falta de onibus noturno prejudica comercio Denis Dias Balcao News 25 7 25 Falta de onibus noturno prejudica comercio Denis Dias Balcao News 25 7 25
PBH promete ações em setembro. Foto: Denis Dias/CMBH.

Belo Horizonte, conhecida como a capital dos bares, vive um paradoxo urbano.

Apesar da efervescência cultural e gastronômica que movimenta a cidade, muitos estabelecimentos encerram as atividades cedo por um motivo simples: a ausência de transporte coletivo noturno. O tema foi discutido em audiência pública na Câmara Municipal ontem, quinta-feira (24/7), a pedido das vereadoras Iza Lourença (Psol), Duda Salabert (PDT), Luiza Dulci (PT) e Trópia (Novo).

Promovida pela Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços, a reunião reuniu donos de bares e restaurantes, representantes da PBH, da Abrasel, do Setra-BH e das concessionárias do transporte coletivo. O foco principal foi a dificuldade enfrentada por trabalhadores e empresários do setor noturno diante da redução de horários dos ônibus, agravada após a pandemia.

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Impacto direto no comércio noturno

“Na capital dos bares, eles fecham antes das 23h por falta de ônibus”, criticou Iza Lourença. Para a vereadora, o encurtamento da operação noturna limita o funcionamento de bares, enfraquece o turismo e prejudica principalmente mulheres, que ficam sem opções seguras para voltar para casa. Ela defende que a ampliação das linhas seja vista como um investimento em segurança, economia e qualidade de vida.

A presidente da Abrasel-MG, Karla Rocha, confirmou que essa demanda não é nova. “Esse foi o principal pleito do setor durante a última eleição municipal. Há oferta de vagas, mas não conseguimos contratar: falta gente disposta a trabalhar no turno da noite por não ter como voltar para casa”, afirmou.

Vinícius Freitas, proprietário do bar Querida Jacinta, no Bairro Santa Efigênia, relatou prejuízos. “Tenho encerrado a cozinha às 22h30, o bar fecha cedo para garantir que meus funcionários consigam transporte. Isso gera ansiedade e insegurança na equipe.”

Prejuízos se estendem além dos bares

Os efeitos da escassez de ônibus à noite vão além do setor de bares. A vereadora Trópia destacou que profissionais de hospitais, padarias, construção civil e limpeza urbana também ficam à mercê da escassa oferta de transporte. “É preciso retomar os horários pré-pandemia e pensar soluções inovadoras”, cobrou.

Helton Junior (PSD), morador do Bairro Lindeia, na Região do Barreiro, reforçou o problema da integração com o transporte metropolitano. Segundo ele, aos domingos, o ônibus que atende sua região para de circular às 16h. “Quem mora longe e é mais vulnerável simplesmente não consegue acessar lazer, cultura e trabalho”, lamentou.

PBH anuncia pesquisa e plano de ação

Lucas Colen, subsecretário de Planejamento da Mobilidade da PBH, apresentou o Projeto de Melhoria do Transporte Coletivo. Segundo ele, uma pesquisa de origem-destino foi iniciada para mapear os hábitos dos usuários noturnos. “Estamos identificando os horários de maior demanda e as principais rotas. Com esses dados, faremos ajustes e, se necessário, criaremos novas linhas já a partir de setembro”, prometeu.

Colen afirmou que hospitais e universidades também serão incluídos no levantamento em agosto, e que há previsão de melhorar a segurança, iluminação e vigilância dos pontos de ônibus.

Setor empresarial e vereadores divergem sobre números

Apesar das promessas da PBH, o Sindicato das Empresas de Transporte (Setra-BH) afirmou que, mesmo com a redução de 41% no número de passageiros noturnos desde 2020, o número de viagens caiu apenas 3%.

A assessora técnica do Setra-BH, Célia Macieira, defende que o aumento da frota geraria impacto financeiro significativo.

Trópia contestou. “O passageiro noturno não existe para o Setra porque a oferta é tão baixa que as pessoas desistiram de circular. Precisamos de uma lógica nova: veículos menores com maior frequência podem ser mais eficientes que ônibus grandes, vazios e espaçados.”

A vereadora afirmou que vai formalizar questionamentos ao Setra-BH e sugerir um projeto piloto com ônibus suplementares no período noturno.

Também indicou a necessidade de envolver representantes do transporte metropolitano em futuras audiências. Um novo debate já está pré-agendado para setembro, quando os dados da PBH serão apresentados.

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