Carla Zambelli é detida em Roma e enfrentará extradição

Deputada federal discursando ao microfone, com expressão firme, vestida formalmente, diante de fundo institucional desfocado. Deputada federal discursando ao microfone, com expressão firme, vestida formalmente, diante de fundo institucional desfocado.
A deputada Carla Zambelli não pretende retornar ao Brasil. Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados.

Prisão em território italiano

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi capturada pela polícia italiana em Roma, capital da Itália, na tarde desta terça-feira (29). A prisão foi confirmada por fontes da Polícia Federal do Brasil e representa um desdobramento marcante de um processo judicial de grande repercussão nacional.

Zambelli, que havia deixado o território brasileiro após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), agora deverá enfrentar um processo de extradição. Ela foi condenada a 10 anos de prisão por participação em uma invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e desde então era considerada foragida da Justiça brasileira, figurando inclusive na lista de difusão vermelha da Interpol.

Polícia Federal confirma extradição

Em nota oficial, a Polícia Federal brasileira afirmou que a parlamentar será submetida ao devido processo de extradição, respeitando os trâmites legais da legislação italiana, bem como os acordos bilaterais e internacionais de cooperação judiciária dos quais o Brasil é signatário.

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“A presa era procurada por crimes praticados no Brasil e será submetida ao processo de extradição, conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”, diz a nota.

Denúncia de deputado italiano foi decisiva

A captura da parlamentar só foi possível após uma denúncia pública feita pelo deputado italiano Angelo Bonelli. Em postagem realizada na rede social X (antigo Twitter), Bonelli afirmou ter informado às autoridades o paradeiro de Zambelli em Roma.

“Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Dei o endereço à polícia, e a polícia já está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli, que há meses vinha pressionando o governo da Itália a atuar com celeridade no caso da deputada.

Ainda em junho, Bonelli havia solicitado formalmente ao governo italiano urgência na extradição da brasileira. Na ocasião, declarou que “a cidadania italiana não pode ser escudo para escapar de condenações judiciais”.

Condenação no Brasil

Carla Zambelli foi condenada em maio deste ano a 10 anos de reclusão pelo STF. A decisão foi fundamentada em sua participação na invasão de sistemas do CNJ, episódio ocorrido em 2023 e orquestrado pelo hacker Walter Delgatti, que confessou ter agido a mando da parlamentar.

Duas semanas após o veredito, Zambelli deixou o Brasil discretamente, embarcando rumo à Itália com o intuito de evitar o cumprimento imediato da pena. Desde então, sua presença no exterior passou a ser acompanhada de perto pelas autoridades brasileiras.

Defesa alega colaboração voluntária

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o advogado de defesa da deputada, Fábio Pagnozzi, afirmou que Zambelli não foi presa em flagrante nem capturada à força, mas que teria se apresentado espontaneamente às autoridades italianas para colaborar com o processo. Segundo ele, a parlamentar “jamais foi considerada foragida na Itália” e aguardava uma posição formal antes de comparecer às autoridades locais.

A própria Zambelli aparece no vídeo reforçando sua postura colaborativa.

“Estou me apresentando às autoridades italianas de livre e espontânea vontade. Confio na justiça deste país, que é verdadeiramente democrática. Sei que, ao analisar todos os processos detalhadamente, perceberão que sou inocente.”

Zambelli não pretende retornar ao Brasil

Ainda segundo o pronunciamento da parlamentar, ela não planeja retornar ao Brasil para o cumprimento da pena. Em declaração incisiva, afirmou que pretende, caso necessário, cumprir qualquer pena exclusivamente na Itália.

“Se eu tiver que cumprir qualquer pena, vai ser aqui na Itália, que é um país justo e democrático. Estou segura que, analisando todos os processos de cabo a rabo, vão perceber que eu sou inocente”, declarou.

Esse posicionamento revela uma estratégia jurídica mais ampla de sua defesa, possivelmente visando questionar a legitimidade da sentença brasileira em cortes internacionais.

Outro processo por porte de arma

Além do caso do CNJ, Zambelli responde a outro processo criminal em trâmite no STF. Em agosto de 2023, ela tornou-se ré por um episódio de grande repercussão nacional: o momento em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo em plena luz do dia, no bairro dos Jardins, em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

O confronto teve início após uma troca de provocações em um ato político. A cena, amplamente divulgada nas redes sociais e pela imprensa, acentuou as tensões políticas naquele período.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal teve maioria formada — com seis votos favoráveis à condenação — pela aplicação de pena de 5 anos e 3 meses em regime semiaberto. Contudo, um pedido de vista por parte do ministro Nunes Marques suspendeu momentaneamente o desfecho do caso.

Imagens e repercussão nas redes

A notícia da prisão de Zambelli movimentou os principais veículos de imprensa nacionais e estrangeiros. Jornais italianos, como La Repubblica e Il Corriere della Sera, repercutiram a detenção da parlamentar brasileira em destaque.

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